BANCADA DIRECTA: “Crime das Escadinhas dos Baldaques” Novela colectiva da autoria de Tempicos e Companhia. XIV episódio, mais coisa, menos coisa. Arnes é a boa autora

quarta-feira, 21 de março de 2012

“Crime das Escadinhas dos Baldaques” Novela colectiva da autoria de Tempicos e Companhia. XIV episódio, mais coisa, menos coisa. Arnes é a boa autora

“Crime das Escadinhas dos Baldaques”
Novela colectiva da autoria de Tempicos e Companhia.
XIV episódio, mais coisa, menos coisa.
Arnes é a autora

Um “esfreganço” do caraças. Se fosse vivo Novena morria novamente inveja…

Arnes (Trofa) é a boa autora deste episódio

Arnezinha galgou os degraus e atirou-se ao pescoço do marido:

Aquilo foi um esfreganço, que deixou toda a gente distraída dos defuntos e de repente parecia que tinha chegado o Verão, tal era o calor que de repente se fizera sentir. Então Katinha, essa parecia picada pelas abelhas e discretamente ia-se encostando ao Salvattore enquanto lhe tratava o olho, que estava pior que o do Liedson, quando o Sá Pinto lhe arreou.
Serafim "o bacalhoeiro" acabadinho de chegar de Newfoundland.

-Serafim, oh meu rico Serafim que saudades maridinho, a falta que tu me fazes - ia gemendo Arnezinha

Foi então que D.Espineta deu um grito:
-Serafim? Pois é, o magano embarcadiço chama-se Serafim, vem de longe e acaba de chegar. Ai que já lhe dou o bacalhau.

E com uma genica imprópria para a idade atira-se a ele. Arnezinha defende o marido como pode, enquanto grita que a ajudem e é aí que Tempicos intervém.
- Calma pessoal, calma. Desde quando se acredita nos Búzios? Afinal o embarcadiço está a chegar e a Fafá, já morreu faz dias, até já foi cremada.

Tenham calma e descansem porque o assassino vai ser encontrado. Juro-o pela alma da minha amada Nelinha, que não descanso enquanto o culpado não pagar.
-Padrinho, quer que chame a polícia? – Perguntou Katinha
-Polícia? Qual polícia? (Resmungou Tempicos). Há tanta falta de efectivos nas esquadras, que até ressuscitam os defuntos, por escassez de pessoal para investigar os casos. Não viste o que aconteceu ao Zeca e ao Adrianov?
-Não, não! Este assunto é comigo e garanto que descubro o assassino, ou não me chame Tempicos da Silva, o verdadeiro reencarnado do Sherlock Holmes. Para começar, ninguém sai daqui sem ordem minha.

Agora com a chegada do Serafim bacalhoeiro - o rei da esfregadela - o Salvattore e a Arnezinha deixar-se-iam destes passes por uns tempos.

Pesadamente sentou-se no degrau da escada e pensou como sairia daquela embrulhada. Ali havia marosca e da graúda. Nos bons velhos tempos já teria descoberto quem era o assassino, mas agora com os neurónios constantemente em greve a coisa complicava.
Sentia-se um D. Sebastião perdido no nevoeiro e foi então que olhou para os papéis que Katinha apanhara no chão.

Começou a ler o verso do início da folha.

“Nos teus olhos altamente perigosos
Vigora ainda o mais rigoroso amor
A luz dos ombros pura e a sombra
Duma angústia já purificada.”

Tempicos deu um salto e um grito que assustou todos os presentes.
-Elementar meus caros, elementar…Começa-se a fazer luz neste caso. “As sombras” abriram a claridade na minha mente.

Todos olhavam com cara de espanto o pobre Tempicos. Devia ter perdido a pouca razão que ainda lhe restava.
-Em finais de 2008, (continuou ele) o Boavida, meu amigo de longa data e outro dos padrinhos da Katinha, convidou a afilhada para ir ver a estreia em absoluto de uma peça. Eu para zelar pela segurança e bom-nome da miúda, porque as pessoas falam e o padrinho é um homem muito apessoado, acompanhei-a. Zeca Maluco quando soube, ofereceu-se logo para nos levar na sua “Julieta” e assim fomos os três passar uns dias ao Porto.

Lá chegados e enquanto eles lhe mostravam as maravilhas da Sé, acompanhavam o rio da Ribeira até à Foz e subiam vezes sem conta a torre dos Clérigos para ver a vista, eu ficava-me pelos ensaios pois as minhas pernas cansadas, não permitiam tanta ginástica para cima e para baixo.
-Foi lá que eu ouvi a inscrição do punhal, foi lá! E o S era de El-Rei D. Sebastião. Já viram o que isto representa? Já viram?

Não me digas que agora foi o D. Sebastião o mau da fita da colmeia dos Baldaques

Perante as caras de espanto de todos os presentes, Tempicos continuou:
-Quem matou os nossos amigos, só pode ser alguém com conhecimento de Teatro, alguém que tenha acesso a guiões. O S pode não ser a inicial do assassino, pois como já vos disse na peça referia-se a D. Sebastião e esse continua desaparecido e não me consta que ande pelos Baldaques a matar ninguém. Pelo que soube, essa mesma peça regressou há pouco de uma digressão pelo Brasil, com estrondoso sucesso. Quem sabe foi isso que confundiu os búzios.

Mendinho dava ares de nervoso, suava em bica. Salvattore também pestanejava de forma anormal, o olho que permanecia aberto, enquanto Tempicos, qual ave de rapina fixava ora num, ora noutro o seu olhar.
-Então quer dizer, que um deles é o assassino? Perguntou Arnezinha, apontando para os dois.
-Ainda falta um suspeito- respondeu Tempicos. Quem é o “ponto” das récitas da “União”? Quem é? Alguém que no Norte, quis ver como era um “ponto” a sério, pois já não tinha mais pedalada para tanto “acima”, “abaixo” e foi comigo assistir a um dos ensaios finais antes da grande estreia.

Tempicos virou o olhar para o Zeca Maluco e jurava que até ouviu o parafuso da perna deste a ranger com o salto que ele deu.
-Muito bem, muito bem, toca a desbobinar tudo que sabem, não pensem que me embrulham mais.
Palco de um teatro com a sua caixa de ponto. Por estes locais Mendinho mexe-se à vontade. Será que?........

Toca a abrir o bico Mendinho, começo por ti. Diz-nos o que tens a dizer em tua defesa, ou confessa, para ver se esta história termina rapidamente, sem mais mortes e sem ressuscitar mais ninguém.

Arnes

Trofa 2012.03.20

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