BANCADA DIRECTA: O saber não ocupa lugar. Temas de Medicina. Falemos de questões oncológicas. 2ª parte

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O saber não ocupa lugar. Temas de Medicina. Falemos de questões oncológicas. 2ª parte

O saber não ocupa lugar. Temas de Medicina.

Falemos de questões oncológicas (2ª parte do tema)

Esperança de Vida?

Fazer das fraquezas forças

Os temidos efeitos secundários da quimioterapia são justificados, na medida em que sendo um tratamento sistémico, os medicamentos administrados afectam também as células normais, ainda que em menor grau relativamente às células malignas. Estes efeitos secundários são mais evidentes nas estruturas do organismo
que estão em permanente renovação, nomeadamente a medula óssea, os pêlos e a mucosa doi aparelho digestivo.

Estas estruturas são sujeitas à toxicidade dos medicamentos quimioterápicos, com maior ou menor intensidade em função do fármaco utilizado e das concentração do mesmo, do tempo de exposição e da duração do tratamento.

As perturbações gastrointestinais – náuseas, vómitos, diarreia, com o doente a ficar prostrado durante todo o intervalo entre tomas – são frequentes, embora não ocorram com todos os medicamentos utilizados e, a prazo, acontece muitas vezes a tão receada alopécia, isto é, a perda de cabelo. Este processo pode ser doloroso do ponto de vista emocional, sendo muitas vezes aconselhado que os doentes rapem o seu cabelo antes que ele comece a cair, assim esperando poupar algum sofrimento.
Cada sessão de quimioterapia pode traduzir-se num sofrimento para muitos doentes, devido aos efeitos secundários, o que pode levar à desistência do tratamento e da luta contra a doença. Mas o segredo para o êxito do tratamento é seguir rigorosamente as indicações terapêuticas, no sentido de conseguir alívio dos sintomas, preparar a cirurgia e acautelar eventuais recidivas.

A radioterapia poderá ser melhor tolerada pelos doentes, sendo normalmente utilizados raios de radiação ionizantes, dirigidos à área do corpo onde está localizado o tumor, o que permite minimizar o prejuízo causado às células adjacentes. No corpo do doente, é identificada e marcada a área sobre a qual incidirá uma dose pré-calculada de energia que, em contacto com os tecidos, provoca a morte das células malignas. Em regra, a dose total de radiação é dividida em várias sessões diárias, o que permite atingir o maior número de células cancerígenas sem causar dano às dos tecidos saudáveis.

O grau de sensibilidade do tumor às radiações é muito variável, ainda que se admita que a radioterapia tem mais eficácia quando o tumor é mais sensível à radiação. Nas situações em que a radiação permite destruir todas as células cancerígenas sem danificar tecidos sãos, podemos falar de cura. Os efeitos das radiações são tendencialmente suportáveis, mas poderão existir danos a nível da epiderme e das mucosas digestivas, urinária e genital, bem como a medula óssea. Assim, a radioterapia pode implicar efeitos colaterais, especialmente quando é associada a um tratamento de quimioterapia. Além da inflamação das mucosas, pode originar a esterilidade nos homens e nas mulheres.

O cancro é, hoje em dia, uma das principais causas de morte em Portugal. E se, nalguns casos, estão identificados factores de risco – como é o caso do tabaco no desenvolvimento do cancro do pulmão – a verdade é que se pode manifestar em pessoas com um estilo de vida irrepreensível.

O ponto fulcral é um diagnóstico tão precoce quanto possível, para que os métodos de tratamento possam ser bem sucedidos. Tenacidade, perseverança e resistência são traços de personalidade bem-vindos numa sem limites.

Rádio ou Quimioterapia? A radioterapia é um método de tratamento por radiações, recorrendo a raios altamente energéticos para matar as células cancerígenas. Há tratamentos que envolvem uma radiação externa, através de uma máquina, com periodicidade diária, em muitos casos; a radiação interna (por implante ou braquiterapia) advém de material radioactivo existente em finos tubos de plástico, colocados directamente na zona de intervenção.

A eficácia da radioterapia está dependente de factores como a sensibilidade dos tumores à radiação, a sua localização e oxigenação, bem como da qualidade e quantidade de radiação e a duração do tratamento.

Por sua vez, a quimioterapia traduz-se na utilização de fármacos para matar as células cancerígenas. Esses fármacos podem ser administrados oralmente, sob a forma de comprimidos, ou através de uma injecção intravenosa (na veia) entre outras vias de administração. Em ambos os casos, os químicos entram na corrente sanguínea e circulam por todo o organismo – terapêutica sistémica.

Fonte do texto: Revista Farmácia e Saúde. 2011. Outubro

1 comentário:

Anónimo disse...

Senhor Adriano
Esclarecimentos dramáticos e muito oportunos.
Obrigado pela sua paciencia em divulgar os tratamentos
Maria de Lourdes Bonito
Venteira. Amadora

Obrigado Pela Sua Visita !