BANCADA DIRECTA: Neste Sábado reflicto sobre o poeta Fernando Pessoa. Misoginia e um “avesso” aparente ao feminino, obrigam-me a pensar sobre o tema.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Neste Sábado reflicto sobre o poeta Fernando Pessoa. Misoginia e um “avesso” aparente ao feminino, obrigam-me a pensar sobre o tema.

Neste Sábado reflicto sobre o poeta Fernando Pessoa. Misoginia e um “avesso” aparente ao feminino, obrigam-me a pensar sobre o tema.

Apareceu recentemente um livro sobre Fernando Pessoa, uma espécie de ensaio sobre a figura do poeta e dos seus traços misóginos e tudo o que advém deste comportamento.

Curioso é que o autor do livro, José Barreto, vai à procura de textos que identificam as passagens mais relevantes de Pessoa, abrindo-se para os leitores todo um mundo de possíveis investigações sobre o carácter pessoano.

Diz José Barreto que a temática da misoginia e do anti-feminisno em Fernando Pessoa tem um alicerce muito sólido, relembrando que houve um autor inglês do século XIX, Thomas W. H. Crossland, que escreveu o livro “Lovely Woman, no qual as mulheres eram subtilmente menosprezadas, quiçá aviltadas na sua estrutura espiritual e que este mesmo escritor influenciou com entusiasmo Pessoa, levando a que o poeta português realçasse as suas expressões mais profundas.

Eis algumas das verdades, a partir de Thomas Crossland, que entusiasmaram Pessoa
Thomas William Hodgson Crossland

- A mulher moderna deve ser “relegada para a sua esfera natural”, abandonando a política e sendo-lhe retirados privilégios, deferências e liberdades anteriormente outorgados.
- As mulheres são o “inimigo” e comparáveis aos escoceses, com quem não se podia fazer qualquer negócio por causa da sua desonestidade.
- As mulheres da classe média suburbana são pouco castas, avessas à maternidade, obcecadas com o conforto material e gastadoras impenitentes, dessa forma pondo em risco a raça britânica agora ameaçada de “suicídio”.
- A emancipação da mulher vai acabar por criar o “terceiro sexo”.
- A mulher invadiu as fábricas e os escritórios britânicos não por ser competente mas por ser mais barata.
- O “terceiro sexo” (essa tal mulher trabalhadora e independente) não sobreviveria no futuro por tal se opor às “leis do universo” e porque “fora do matrimónio o único lugar da mulher é numa loja de roupa para bebés”.
- A mulher não admite que tenha imperfeições físicas e espera do homem que a encare “como se não existissem dentes postiços”.
- A ideia de que o tempo gasto a namorar ajuda o homem e a mulher a compreenderem-se melhor é totalmente errada “porque na mulher não há nada para ser compreendido” e porque “no homem há muito pouco que a mulher seja capaz de compreender.”
- Do ponto de vista de um homem, “o mais aterrador quando se tem uma mulher é não se poder casar com outra”.
- Quando as mulheres de um país conseguem alcançar o que julgam ser os seus direitos, o país começa a decair.
- Um homem de vários talentos pode fazer coisas admiráveis e ilimitadas quando jovem, desde que “se afaste dele as mulheres”.
- Enquanto as realizações de um homem tendem uniformemente para o desenvolvimento da sua virilidade, as de uma mulher levam à destruição da sua feminilidade.
- Um homem que pensa ter uma beleza de mulher deve meditar se tal se deve à mulher ou à roupa.
- Por fracos oradores que sejam certos homens públicos, uma figura pública feminina fica sempre a milhas dele nesse campo.
- Contrariamente às donas de casa que deixam as criadas terem ascendente sobre elas, “um homem nunca toleraria tal estado de coisas em qualquer estabelecimento ou organização por ele dirigido”.
- O espancamento do marido pela mulher estaria a tornar-se corrente em Inglaterra, não sendo para espantar que “a mulher, se desenvolver a sua musculatura, mais tarde ou mais cedo bata no marido”.
- “A única propriedade com algum valor que uma mulher pode possuir é um bom marido”.

(citações das páginas 105 a 108)
Na verdade Fernando Pesoa não pára de nos surpreender
Adriano Rui Ribeiro

Sintra.
2011. 12. 10

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