BANCADA DIRECTA: A minha crónica domingueira. José Sócrates no Bancada Directa. Será assim tão descabido dizer-se que as dividas soberanas não se pagam: gerem-se?

domingo, 11 de dezembro de 2011

A minha crónica domingueira. José Sócrates no Bancada Directa. Será assim tão descabido dizer-se que as dividas soberanas não se pagam: gerem-se?

José Sócrates no Bancada Directa. Será assim tão descabido dizer-se que as dividas soberanas não se pagam: gerem-se?

Sócrates falou sobre a nossa dívida em França e um enorme alarido levantou-se em Portugal. É de crer que por duas razões. Primeiro, por Sócrates ter falado – votado como está ao ostracismo não tem direitos de cidadania; auto-expulsou-se do nosso convívio político e urbano para não ser condenado, logo não deve interferir nos negócios da “cidade”; depois, por ter dito que essa coisa de pagamento da dívida era conversa de crianças. E depois fazer politica ao lado de um homem, que por ser leader vencedor das eleições, começou a ver na classe média a fonte onde ir buscar as suas receitas pecuniárias, adiando “sine die” (esquecendo-se das suas promessas, é o termo melhor) leis que fariam o Estado emagrecer, serão motivos para José Sócrates nem pensar estar no nosso meio.

Não tenho procuração para defender José Sócrates, mas não me esqueço de que fez na sua governação muita coisa boa. Errar, todos erram. Mas Sócrates não pode hipotecar o seu futuro à conta de eventuais erros do passado. E que foram aproveitados perversamente por aqueles que agora nos governam. Até quando. E que me puseram a receber anualmente apenas doze vencimentos. Eu que não devo nada a ninguém a ninguém, nem um cêntimo sequer e que agora ando a pagar as dividas que outros fizeram e andam agora a banquetear-se com os seus rendimentos.
Paulo Portas, o ausente agora das feiras, mercados, vendedeiras,do alto da sua inteligência, disse que tinha lido três vezes para tentar perceber a frase. Estava abismado! À esquerda do PS e no PS que repudia Sócrates os comentários foram chocarreiros. E até Freitas, em voraz busca de novo tacho, conhecido especialista em oportunismo politico, achou conveniente abandonar por momentos o seu limitado raio de acção de raciocínio por alíneas e chavetas para tentar fazer humor, concluindo que, agora sim, compreendia por que razão a "bomba lhe estourou nas mãos".

E todavia Sócrates disse o óbvio. Que a dívida era para ser gerida. De facto, ninguém pensa em pagar a dívida no sentido de a liquidar, chame-se o devedor Alemanha, Estados Unidos, Grécia ou Portugal. E mesmo quando por razões de racionalidade económica algum daqueles devedores resolve antecipar o pagamento da dívida, fá-lo como simples acto de gestão da dívida, contraindo outra, a preço mais baixo, para pagar a antiga. Mas a dívida, como ónus, mantém-se e o que tem é de ser gerida. A dívida representa, portanto, uma despesa, como qualquer outra, inscrita no orçamento, para se fazer ao longo do ano.

Sócrates teve um erro de cálculo e precipitou-se. Julgava que por esta Europa os recursos financeiros eram inesgotáveis e de repente constatou que esta Europa estava falida. Se houvesse dinheiro suficiente a divida estaria resguardada e facilmente capaz de ser gerida a partir dos montantes das despesas orçamentadas.

Mas atenção, não foi só Sócrates que se enganou. Foram todos! E sem recursos financeiros à disposição, a divida dificilmente seria gerida.

Dir-se-á: se a dívida pública fosse menor, o problema seria menos grave. Mentira. Havia quem tivesse uma dívida pública bem menor e esteja com problemas bem maiores; há quem tenha uma dívida pública igual e tenha problemas bem menores; há quem tenha uma dívida maior e não tenha qualquer problema de gestão da dívida.

Insistimos na questão: Foi tão descabido assim José Sócrates dizer que as dividas não se pagam: gerem-se?

Adriano Rui Ribeiro
Sintra.

Anexo. Esta teria de não pagamento das dívidas soberanas tem percussores. Para ver clicar aqui


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