BANCADA DIRECTA: Fragmentos e Opiniões O nosso cronista Luís Pessoa diz de sua justiça. OS “BONS” VENTOS QUE SOPRAM NA NOSSA ECONOMIA

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Fragmentos e Opiniões O nosso cronista Luís Pessoa diz de sua justiça. OS “BONS” VENTOS QUE SOPRAM NA NOSSA ECONOMIA

Fragmentos e Opiniões.
O nosso cronista Luís Pessoa diz de sua justiça.
OS “BONS” VENTOS QUE SOPRAM NA NOSSA ECONOMIA
A crónica de Luis Pessoa



Os silêncios a que nos remetemos nos últimos tempos, tiveram como objectivo principal, esperar para ver.

Durante algumas crónicas desenvolvemos aquilo que pensámos serem as razões das nossas dificuldades enquanto país e procurámos apontar algumas pistas para soluções, não para pagar dívidas a mercados criminosos, mas para ajudar os cidadãos, única e exclusiva finalidade que deve ter um Governo Legítimo.

Gostávamos de estar aqui e agora a penitenciarmo-nos das barbaridades que dissemos e a cantar loas aos iluminados dos nossos líderes, que com a sua sapiência resolveram os problemas.
As pessoas poderão, agora, à distância possível daquilo que escrevemos e com os resultados obtidos, tirar as suas conclusões.
- Valeu a pena, roubos de salários, subidas de transportes, energias e praticamente tudo o mais, aumentos de impostos, novas taxas e cobranças encapotadas, etc., para empobrecer os cidadãos, praticadas por um governo ilegitimamente eleito, porque se fez eleger com um programa completamente ao contrário do que está a fazer e com a conivência de um presidente da república completamente ausente, morto?
Somos, diz o alegado primeiro-ministro uns excelentes alunos, que fazemos e praticamos o dobro da austeridade a que nos obrigam os nossos patrões europeus e com isso, diz ele, ganhamos o respeito dos nossos credores e financiadores.
Somos, em suma, os maiores, aqueles sobre quem todos, por essa Europa e por esse Mundo, num futuro próximo, vão cantar os maiores louvores, quando se debruçarem sobre os nossos cadáveres!

Sinceramente, não nos apetece estar com grandes tiradas ou rasgos, porque a realidade dispensa comentários.
Vamos deixar de fora as tiradas de um deputado socialista que finalmente descobriu aquilo que sempre foi evidente, ou seja, que as dívidas não serão pagas (toda a gente sabe, mas não se pode dizer, compreende senhor Deputado?) e que um governo é para governar para os seus cidadãos e não para os mercados (outra vez, senhor deputado?) e deixar de fora, também, a resposta do alegado primeiro-ministro ao referir “tal como as dívidas são para pagar, os acordos são para cumprir” (não sabemos onde meteu ele os acordos que firmou com o Povo na campanha eleitoral, com os funcionários públicos negando cortes salariais, com o Povo negando aumentar impostos, etc.).
O Expresso de hoje, dia 16 de Dezembro, dá a notícia, com algum relevo, não tanto como deveria:

“Dívida: Portugal foi excepção pela negativa

Esta quinta-feira, Portugal foi excepção pela negativa. Enquanto se assistiu em sete países da zona euro, que ultimamente têm estado sob stresse, a um movimento de baixa do risco de incumprimento e das yields (juros) dos títulos soberanos no mercado secundário, em Portugal sucedeu o contrário.
No "clube" do stresse, que se havia formado ultimamente, constituído pelos três países já resgatados (Grécia, Portugal e Irlanda) e por outros cinco (Itália, Espanha, Bélgica, França e Áustria) da zona euro, ocorreu hoje uma "anomalia": a probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa subiu de 60,68% no fecho de ontem para 60,80%, segundo dados da CMA DataVision, e as yields (juros) das obrigações do Tesouro (OT) português a 3, a 5 e a 10 anos subiram, segundo dados da Bloomberg.
O que contrasta com os restantes sete países. Em resultado desta exceção, o prémio de risco (spread) da dívida portuguesa em relação à alemã foi o único a subir. Apesar da subida dos juros dos Bunds, os títulos alemães, o prémio de risco da dívida portuguesa foi o único a subir.
O movimento de desanuviamento nos juros foi mais visível nos títulos com prazos de 2 e 3 anos de Espanha, Itália, França, Bélgica e Áustria. Os juros dos títulos italianos a 10 anos continuam abaixo de 7%.”

É evidente que aqueles parvos dos restantes 7 países aplicaram as medidas que entenderam, deixando espaço ao crescimento. O nosso alegado governo, o impoluto e excelente aluno, aquele que honra a sua palavra e os seus compromissos, (como o alegado primeiro-ministro fez às promessas feitas aos cidadãos, com fervor durante a campanha eleitoral, lembram-se?), tudo faz para que nada falte aos nossos credores, e tem deles o pagamento por ir muito além daquilo que lhe é pedido!

É natural, perante um fraco, perante um pau mandado que faz tudo o que lhe dizem e ainda mais do que lhe pedem, os credores agem endurecendo cada vez mais! Se um burro protesta e ameaça tombar com uma carga de 100 Kg, o dono põe-lhe, à cautela para não ficar sem ele, 80 Kg, mas se o burro corre com 100 Kg, o dono põe-lhe 120 e se ele continua a correr, passa a 150, até à morte!

O que nos apetece é dizer, isso sim, aquela máxima publicitária que correu de boca em boca há muitas décadas: “Palavras para quê?...”;
Ou aquela outra, “cada um tem aquilo que merece…”

Luís Pessoa
Marinhais, 2011.12.16

1 comentário:

luis pessoa disse...

Na abertura, onde escrevemos "O silêncio..." queríamos referir, claro, "Os silêncios..."

Obrigado Pela Sua Visita !