BANCADA DIRECTA: "Crime das Escadinhas dos Baldaques". Novela colectiva da autoria do Detective Tempicos e Companhia. Capítulo V ou VI. Nove é o autor

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

"Crime das Escadinhas dos Baldaques". Novela colectiva da autoria do Detective Tempicos e Companhia. Capítulo V ou VI. Nove é o autor

"Crime das Escadinhas dos Baldaques"

Capítulo V para uns e VI para outros

Titulo deste episódio
: O Segredo da Tramóia

Autoria de "Nove"









Naquela tramóia toda havia um segredo.

Carvalho, que nas escadas lamentava a morte do grande benfiquista Zé Maluco, entrou na sala do velório a tempo de ver Kátinha lançada aos beijos sobre o ressuscitado, além de Novena, caído no chão, com um olho meio aberto e o outro mal fechado, prestes a ser atropelado pelas devotas do Zeca. Assim, com a ajuda de Espineta, sua amantíssima esposa, apressou-se a retirar dali o cónego, seu ilustre hóspede.

Quando estavam a chegar ao 1.º Esquerdo, Novena parecia não só completamente restabelecido como possuído de uma vivacidade inusitada. Tal como se tivesse acabado de contemplar um milagre.


O caso não era para menos. O próprio declarou “Sinto-me como o Padre Brown e enquanto não deslindar este problema não descansarei”. Carvalho, temendo pela saúde mental de Novena, arriscou umas perguntas de verificação “ Mas Sr. Cónego, acha que devamos chamar a polícia? Ou o que aconteceu não será um sinal da infinita bondade divina?”

“Qual bondade divina qual carapuça! O homem nunca esteve morto. Eu deixei-me cair para poder observar a cena sem ser incomodado. A citação que o Zeca fez de Mark Twain demonstra que nunca esteve do lado de lá. Temos que ir ao hospital saber do Adrianov, porque esse deve ser o alvo desta intriga. A morte do Zeca Maluco não foi mais do que uma encenação para desviar as atenções. E olho na menina Fafá. Ela deve ser o elemento charneira da moscambilha que por aqui se armou. Eu bem percebi o seu sorriso enigmático. Arnezinha estará fora da maquinação, pois seu espanto face ao que se passava parecia genuíno. Mas Fofana, mailo Mendinho, Salvatore, Kátinha e Trioska têm de ser apertados. Para não falar do Tempicos que pediu, com certeza, um socorro previamente combinado com a menina Fafá que, claro, declarou o óbito do que estava vivo e são para mandar o outro, já mal tratado, bater a bota no hospital. Depressa temos de ir lá saber do Adrianov. Que Deus nos ajude!”

Bondade divina, qual carapuça!. Carvalho duvidava da sanidade mental do cónego Novena


Espineta e Carvalho ouviram, abismados, estas palavras do cónego. Nem a forma nem o conteúdo correspondiam ao que conheciam do venerando Novena. Ele há coisas que só Deus pode explicar… ou talvez uma mulher. Sim, porque Espineta lembrou-se da roupa íntima que trazia vestida. É que não lhe passara despercebida a atenção com que Novena observou (também) as pernas das senhoras que andaram à volta do féretro.

Portanto, o homem que ajudou a trazer para o 1.º Esquerdo era o cónego Novena, o mesmo que falou daquela maneira desabrida, própria de um agente de terceira a substituir o chefe.


.....Carvalho meteu-se no carro para ir saber de Adrianov ao hospital (São José, claro).....


De qualquer modo não havia tempo a perder. Carvalho meteu-se no carro para ir saber de Adrianov ao hospital. Conhecia lá umas pessoas e, por isso, esperava obter uma rápida informação, mesmo àquela hora nocturna. Chegaram as três da manhã.
“Afinal quem deu o berro foi o Adrianov!”, ecoou pelas escadas daquele velho prédio da Rua dos Baldaques.

Acenderam-se luzes, abriram-se portas. Voltou o burburinho, agora mais pianinho, a menos quando Trioska, em camisinha de dormir, se atirou para os braços de Tempicos a gritar “Mataram-mo, acuda-me Sr. Inspector!”

Escondido no vão dos arrumos, no rés-do-chão, Novena estava à coca. Espineta e Carvalho mantinham-se à porta da rua para registarem quaisquer entradas e saídas.

Mas Fofana, saído não se sabe de onde, foi ouvido a dizer para Mendinho que Adrianov abusara dos comprimidos azuis, quando ele Fofana lhe tinha recomendado um tratamento infalível e sem riscos para a impotência sexual. “E o negócio?” perguntou Mendinho. “Ele também não quis seguir os meus conselhos, tramou-se”, rematou Fofana, iniciando a subida da escada na direcção da casa da Arnezinha.

“Agora já posso descansar um bocado” murmurou Zeca Maluco para a Kátinha, cingindo-a de maneira a que ela o seguisse enquanto Tempicos estava a ser abafado e arrastado por Trioska.

Voltara o sossego. O casal Carvalho já tinha regressado a casa quando Novena parou, por uns minutos, no patamar do 1.º. Em boa hora o fez, pensou ele, porque pôde ouvir um sussurro no piso de cima. “Então Salvatore, não queres a injecçãozinha?” Uma porta que se fecha com cuidado, outra que range ligeiramente a abrir e se fecha de seguida.
Novena entendeu que já tinha elementos mais do que suficientes para deslindar o segredo da tramóia.

Nove 18-12-2011

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