BANCADA DIRECTA: Fragmentos e Soluções para esta Europa em crise. É como diz Luis Pessoa, não vale só criticar, é preciso apontar soluções (3ª e última parte)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Fragmentos e Soluções para esta Europa em crise. É como diz Luis Pessoa, não vale só criticar, é preciso apontar soluções (3ª e última parte)

A parte final do texto de anteontem

.....Essa perda de rendimentos dos cidadãos e das famílias vai também inviabilizar qualquer recuperação dos estados porque não haverá consumo e portanto não haverá procura, logo não se justifica haver produção, logo não é preciso empregados, logo não haverá arrecadação de impostos, logo as metas nunca serão alcançadas, logo…

Continuação da 3ª e útima parte do texto


O QUE FAZER, AGORA?
Sete medidas fundamentais, entre muitas outras, para acudir já!

1- Assumir em definitivo que as dívidas soberanas são impagáveis aos seus credores;
2- Permitir aos estados a libertação dessas dívidas, que transitarão para contas que ficarão em aberto no BCE;
3- Passagem, assim, dos estados à “cota zero”, partindo desde logo de uma situação sustentável;
4- Apuramento pelo BCE das responsabilidades das instituições financeiras na crise e, face a auditoria honesta e profunda das contas, separar as dívidas: as desonestas, para apresentar as facturas aos responsáveis ou seja às instituições financeiras; as honestas, que ficarão em dívida ao BCE para liquidação posterior, de acordo com as disponibilidades de cada estado, para não comprometer o seu crescimento e nível de vida;
5- Accionar o BCE para financiamento aos estados em dificuldade, de forma a permitir o crescimento sustentável das economias;
6- Criação de um sistema fiscal único para a Zona Euro, que elimine as distorções à partida;
7- Combate e encerramento de “offshores” e paraísos fiscais, impedindo todas as transacções de e para lá.

OS “DONOS DA EUROPA” VÃO PROSSEGUIR A BIRRA

Quase tudo o que ficou dito é liminarmente rejeitado pelos actuais “donos da Europa”, mais interessados em ganhar as suas eleições internas do que em resolver os problemas dos seus parceiros na comunidade. A sua luta é muito mais para castigar os incumpridores do Sul, uma atitude que lhes valerá o apreço do seu próprio eleitorado.

A sua posição é de intransigente defesa da banca, mesmo quando ela actua criminosamente e é nela que os estados injectam todos os capitais, recusando a ajuda aos cidadãos e às famílias, que serão sempre trucidadas entre as duas forças mais responsáveis pela própria crise: a banca por um lado e os governos por outro.

Como quase sempre, essa aliança fará com que os cidadãos paguem todas as facturas, quer sejam suas, quer não, empobrecendo até à miséria, financiando as instituições que os vão executar no passo seguinte!
A quem recorrerá um cidadão com um passado de décadas de cumprimento escrupuloso dos seus compromissos, quando o seu patrão, o próprio estado, o fizer perder salários e subsídios e o massacrar com impostos e taxas para financiar o banco que o vai executar por não poder continuar a cumprir?

Quem terá autoridade moral para o condenar quando ele fizer justiça pelas suas próprias mãos, alegando legítima defesa contra o crime organizado que o quer liquidar e à sua família?

Luís Pessoa

Marinhais. 2011. 11. 05

4 comentários:

dbo disse...

Gostei imenso do ponto de vista do meu amigo. Estou realmente de acordo que a agiotagem dos mercados financeiros merecia todas as medidas propostas e, mesmo assim, não sei se seriam suficientes. O combate e encerramento dos "offshores" e paraísos fiscais seria uma medida brilhante, mas creio que não interessa à grande maioria dos bem colocados no poder, nem dos que para lá vão, na expectativa de enriquecerem. Terão que mudar as mentalidades dos "poderosos", o que não é fácil. Só deveria praticar política quem tivesse bons princípios morais e fizesse da política um acto cívico, sem interesses "mórbidos". Tal não me parece possível, embora devesse sê-lo.

Um abraço amigo para o Luis e para o Adriano Ribeiro.

luis pessoa disse...

Amigo dbo, até os mais honestos e com bons e sãos princípios morais acabam por mergulhar no lodo do capitalismo.

Fiquei deveras abismado com um novo aliado que parece vir aí: Cavaco Silva!
Então não é que o homem agora defende uma intervenção completa do BCE para ajudar a salvar os países em dificuldade? Precisamente aquilo que desde a primeira hora é mais do que evidente para quase todos?
Tal como escrevi, o BCE é a chave de toda a questão, neste momento. A criação de uma "cota zero" só é possível com o BCE! E Cavaco soube-o sempre, mas terá andado a fazer fretes, vamos lá saber a quem e só agora lá chegou!

Mas o Passos Coelho, completamente fora da realidade, tentando mostrar uma autoridade moral que não tem e uma rigidez que acha que tem, já veio discordar... Que não senhor, o que é preciso é continuar a mostrar que queremos e podemos pagar, blá, blá, blá... enquanto os cidadãos empobrecem, o estado morre, a miséria se instala!

O PS não teve tomates! Já se sabia, o peso da culpa e o saber que Passos Coelho não dura muito, faz com que se queira mostrar "responsável". A verdade é outra, os dois partidos têm a mesmíssima política! São absolutamente iguais, ainda que com métodos diferentes e nenhum desdenharia tomar as medidas que o outro toma.
A desgraça é que os dois ocupam mais de 70% do eleitorado.
Será que Cavaco vai ter um rasgo de lucidez e coragem e acabar com o assassinato deste povo? Irá Cavaco ser, finalmente, Presidente da República? Irá Cavaco, por uma vez, fazer aquilo que deve ser feito, em nome do Povo?

Seria uma monstruosa surpresa, mas Cavaco não pode ser tão estúpido que não veja que Passos Coelho e seus pares estão a destruir todo um país, toda uma população. E ele, nunca o esqueçamos, jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição.
Ainda vamos poder louvar, ao menos por uma vez, a actuação de Cavaco?

Adriano Ribeiro disse...

Amigos
A agiotagem é um antro obscuro e tenebroso. É a causa de levar muitas familias a um endividamento forçado, mas voluntário. Campanhas agressivas a prometerem facilidades que não aparecem depois.
Um mal que é preciso erradicar da nossa vida. Cabe a nós o primeiro passo.
Obrigado pelos vossos comments
Pedro Sousa e Adriano Rui Ribeiro

luis pessoa disse...

Palavras de Mário Soares:

"Os mercados não podem mandar nos Estados"

"[Os elementos da troika] não podem vir governar o nosso país, não é essa a função de estrangeiro sobretudo quando não há um governo europeu. Porque é que eles mandam? Eu tenho as minhas dúvidas acerca disso", afirmou.

Mário Soares defendeu uma "rutura" e o fim do domínio dos mercados: "Os mercados não podem mandar nos Estados, são os Estados que mandam nos mercados. Mas o que sucede é que muitos dos dirigentes dos Estados estão feitos com os mercados".

O antigo dirigente não poupou criticas ao Tratado de Lisboa, que "nasceu velho, com deficiências e diz asneiras", sublinhando a necessidade de ser alterado para dar mais poderes ao Banco Central Europeu.

Também Mário Soares está na "onda". O atentado à democracia que foi a aprovação do Tratado de Lisboa nos parlamentos, sem ter sido referendado pelas populações, está a dar os seus frutos.
Mas ser Mário Soares a referir-se ao domínio dos "mercados" sobre as políticas e os políticos, é muito verdade, mas foi ele um dos responsáveis por isso. Ele abriu o caminho aos Cavacos e seguintes, até hoje! Ele chegou a fazer governos de coligação com os defensores deste modelo. Memórias!
Ainda vem a tempo, seja bem vindo!

Obrigado Pela Sua Visita !