BANCADA DIRECTA: Fragmentos e Soluções. É como escreve o nosso cronista Luis Pessoa: não basta apontar as causas da crise. É preciso apontar soluções! (1ª parte)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Fragmentos e Soluções. É como escreve o nosso cronista Luis Pessoa: não basta apontar as causas da crise. É preciso apontar soluções! (1ª parte)

Fragmentos e Soluções. É como escreve o nosso cronista Luis Pessoa: não basta apontar as causas da crise. É preciso apontar soluções!

SOLUÇÃO PARA A EUROPA, PRECISA-SE?


Texto de autoria de Luis Pessoa


A Europa precisará mesmo de solução? Ou melhor dizendo, a Europa ainda terá solução?

Façamos um exercício de memória e comparemos o que se passa na Europa e, de certa forma em todo o Mundo, com casos que conhecemos da nossa experiência pessoal, de cada dia:

Ouvimos com muita frequência líderes de países em dificuldade referirem que se não surgirem ajudas sob a forma de crédito, nem ordenados, nem pensões conseguem pagar; ouvimos também que sem financiamento as empresas fecham; que sem financiamento à economia, tudo pára!
Ou seja, nesta fase, só com crédito é que alguma coisa funciona, Estados incluídos. O nosso primeiro-ministro até vai renegociar com a chamada “troika” para que as empresas públicas possam financiar-se, “apenas” para funcionarem, não para investirem

Ou seja, nesta fase, só com crédito é que alguma coisa funciona, Estados

EFEITOS DOS “MERCADOS” NOS PAÍSES
Este estado de coisas começou há várias décadas, quando a estratégia capitalista abdicou dos resultados imediatos (hoje não haveria soluções radicais como no Chile de Pinochet, por exemplo), porque a conquista do liberalismo económico foi-se fazendo à custa de pequenos passos, aqui e acolá, controlando os preços das matérias-primas fundamentais em cada local e em cada época (açúcar, cacau, cereais, aço, petróleo, em geral, tudo o que cada país tiver), de forma a que os próprios países produtores não pudessem dispor livremente dos seus recursos.
Quebras cirúrgicas (provocadas artificialmente) nas procuras de produtos essenciais (os seus clientes principais e “reguladores” dos preços são sempre de países ricos) fizeram com que os países produtores, ricos apenas em matérias-primas, se vissem confrontados, amiúde, com problemas de liquidez.


Nessas alturas, apareciam as instituições financeiras com “toneladas” de dinheiro, a juros apetecíveis ou trocando-o (o dinheiro) por posições de topo nas empresas locais ou participações em obras megalómanas que todos os líderes locais gostam e querem mostrar ao Mundo. Para a execução dessas obras, a tecnologia exigida é de topo e só os “mercados” lha podem fornecer, aos preços que quiserem, obviamente altamente inflaccionados.

Ao fim de alguns anos e um bom número de “crises” no mercado das matérias-primas, provocadas pelos detentores de poder financeiro, os países produtores acabavam sem recursos para as obras e empreendimentos que entretanto puseram em marcha, incentivados pelo mesmo “mercado”, ao mesmo tempo que as suas participações nos lucros de exploração vão sendo sempre menores, com a entrada de cada novo parceiro financiador.

A certa altura, os Estados têm de se financiar para pagarem as próprias despesas correntes e acham isso completamente natural.
Estão, nesse momento, no “ponto de rebuçado” para o que se seguirá!

EFEITOS DOS “MERCADOS” (TAMBÉM) NOS CIDADÃOS

Um cidadão, europeu a título de exemplo, tem o seu trabalho e aspira a mais. Trabalha, trabalha e trabalha. Resolve constituir família e procura casa. Não há para arrendar! (durante décadas, assim foi por cá).
Então, observa que há milhares de anúncios para compra de casas. Os bancos oferecem tudo e mais alguma coisa, há bónus, há juros simbólicos, há tudo e mais alguma coisa e torna-se proprietário, não da casa dos seus sonhos, mas de uma dívida que o vai perseguir por 50 anos, ou mais! O banco “oferece-lhe” mais um crédito, para equipar a casa e um para comprar o carro e outro para poder ir de férias e mais outro para…

O sistema financeiro, os emprestadores, fabricam crises, aqui e acolá, para lhe encarecer os juros, para o encostar à parede. A partir de certa altura, o cidadão tem que ir renegociar os empréstimos e o banco aproveita para lhe aumentar os spreads e o tempo em que vai ficar “agarrado”… De tempos a tempos, uma “crise” algures encarece as taxas de juro…

Os mesmos “mercados” fabricam novas crises, retiram crédito a empresas, dificultam acessos e com isso causam falências e desemprego. Com o desemprego, com batalhões de pessoas à procura de trabalho, vem o embaratecimento do próprio trabalho. Trabalha-se muito mais, por muito menos dinheiro.

A breve prazo o cidadão fica dependente do crédito, até para comer! E se ele faltar, não tem meios de sobreviver

Luis Pessoa

Marinhais 2011. Outubro.05 (continua amanhã - 23H00)


5 comentários:

dbo disse...

De economia apenas sei gerir, e com dificuldades, o que tenho e ganhei com trabalho a partir do ZERO.
Não me aventuro a comentar soluções para o actual estado da economia mundial, essencialmente da portuguesa e da comunidade europeia. Sei que estamos mal e caminhamos para pior, sem pretender ser um "Velho do Restelo". Vozes do mau augúrio já temos quantas baste, pois pululam em todos os meios de comunicação e ouvem-se por tudo que é esquina.
Acho realmente que o Luis tem razão quando fala do estado das coisas graças ao SISTEMA FINANCEIRO que se criou.
Sinceramente, a minha nabice não dá para entender por que razão foram criados variados organismos, como o FMI, agências de rating, bolsas de valores (Wall Street... um veneno económico) só porque as pessoas começaram a colocar dinheiro e bens nos Bancos. Vá lá que houvesse Bancos Centrais em cada país, ou grupo de países associados, mas apenas com finalidade de fiscalizar transações e todos os movimentos bancários.
Gostaria que me dissessem também, quanto não ganhará só em Portugal, qualquer agência de rating, com interesses em tudo que é empresas, incluindo as públicas. Serão balúrdios, face ao que já vi escrito. Não seria motivo para as colocar de lado? Pode ser tarde, mas talvez mais tarde seja tarde de mais. Parece-me que a "Anja" Merkel já está a ver esta hipótese...
Aguardo a continuação dos seus escritos sobre a matéria

Adriano Ribeiro disse...

Eu tambem estou de acordo com tudo aquilo que o Luis Pessoa preconiza, até porque já conheço o conteudo de mais dois posts sobre as soluções para esta crise que grassa por esta Europa e que serão publicados já a seguir.
Mas confesso que há aspectos financeiros muito tecnicos que não domino com facilidade.
Tenho de ler este tema com mais profundidade.
Obrigado dbo pelo seu comment
Adriano Rui Ribeiro

luis pessoa disse...

Penso, meus caros, que ninguém domina todos os aspectos e não me aventuro o dizer que domino algum deles, sequer.
Vou procurando dar dicas e aventar saídas ou, pelo menos, dados para discussão.
O sistema financeiro é muito complicado e urdido de forma a sê-lo.
As agências de rating foram criadas pelo próprio sidtema financeiro e determinam TODAS as suas decisões. Se estamos dependentes de crédito, que remédio temos senão ouvi-los e seguir as suas indicações, mesmo sabendo que são incorrectas e mesmo falsas.
Reparemos que quando pedimos emprestado, quando fazemos um arrendamento, alguém exige garantias nossas, que podem ser bancárias, abonações de comerciantes, sei lá, todos vão dizer que somos bons cumpridores, que temos meios para pagar, etc.
As agências de rating fazem esse papel, mas a puxar para os seus criadores, ou seja, os grupos financeiros. Elas avaliarão a qualidade dos produtos financeiros, e a fidelidade dos financiados. Se fossem independentes, seriam os garantes para as duas partes, de que nenhuma enfiaria barretes. Tal como são, apenas garantem que as instituições não enfiarão barretes! Porque dizem sempre maravilhas dos seus produtos (os produtos infectados que provocaram a derrocada eram excelentes até à falência do banco americano!) e os candidatos ao crédito são sempre maus e por isso a exigiram taxas altas e garantias suplementares, para que os jurois a aplicar sejam os maiores possíveis!
Para se ver o caricato, os financiadores EXIGEM que os candidatos ao crédito paguem às agências de rating os pareceres que elas proferem!
Ou seja, cada credor paga a informação que o vai entalar perante as instituições financeiras, que são os reais "patrões" das próprias agências!
No actual panorama de capitalismo, tal como está montado, acabar com essas avenças seria o fim do acesso ao crédito e como TODOS os estados estão dele dependente...

Procuro explanar estes assuntos com a clareza que as relações entre os mercados de um lado e os estados e os cidadãos do outro, não tem.
Se essa clareza não é alcançada, o erro é certamente meu.
Prometo que este será o meu último escrito sobre o assunto, para não ser mais maçador.
Abraço

luis pessoa disse...

Notícias de hoje:

Mais de 668 000 famílias não conseguem pagar os empréstimos aos bancos!
140 000 famílias não conseguem pagar o crédito à habitação e muitas já estão na rua, enquanto muitas outras estão na iminência!
As projecções indicam que até ao fim deste ano o seu número subirá para as 250 000 e para o ano, com afalta de pagamento dos subsídios e outros cortes, poderá atingir 400 000 famílias!
Catástrofe nacional! A banca que abriu créditos às famílias, de forma descontrolada e criminosa, para geram bónus inimagináveis, vai executar as famílias, perante a passividade do governo, que pede o empobrecimento?

Enquanto isto, recapitalizam-se os bancos!

dbo disse...

Alguém comentou que "empobrecer os ricos não vai enriquecer os pobres..." Discordo plenamente, pois não vejo os mais ricos partilharem riqueza com os mais pobres, tal como entendo que a riqueza mais diluída pelas pessoas iria ajudar muitíssimo os mais carentes. O mundo não iria parar, pois o trabalho é sempre necessário, mas a riqueza nunca deveria reverter só para alguns poucos. Deveríamos manter, com a riqueza, um sistema de vasos comunicantes nivelado, e nunca inclinado para o lado dos já mais ricos. Estes que se lembrem que a sua riqueza, se foi ganha com dignidade e legalmente, teve contributo do trabalho de muitos pobres...portanto que se cuidem, porque a estagnação de trabalho também os afectará "a la longue"... desde que não enriqueçam mais pela corrupção e pelo roubo descarado.

Obrigado Pela Sua Visita !