BANCADA DIRECTA: Fragmentos e Opiniões. O nosso cronista Luís Pessoa analisa a questão grega e as nossas assimetrias politicas

sábado, 5 de novembro de 2011

Fragmentos e Opiniões. O nosso cronista Luís Pessoa analisa a questão grega e as nossas assimetrias politicas

Fragmentos e Opiniões.
O nosso cronista Luís Pessoa analisa a questão grega e as nossas assimetrias politicas

A GRÉCIA DOS (NOSSOS) FILÓSOFOS
BERÇO DA DEMOCRACIA!

Um trabalho do nosso cronista Luis Pessoa




Extraordinário!

Num mesmo dia, três espantosas afirmações fazem-nos pensar que afinal os anjos ainda existem e andam por aqui.
A primeira: “Estabilidade do euro é mais importante que permanência da Grécia”;
A segunda: “Grécia fez um mau serviço à Europa e Portugal”;
A terceira: “A Europa que cumpra as suas tarefas, que nós cumprimos as nossas”.
Vamos ver:
A primeira foi dita pela sr.ª Merkel e diz tudo. Uma senhora que andou a brincar e a humilhar um dos membros europeus, empurrando-o para um abismo onde, pelos vistos, o quer meter em definitivo, que tem a responsabilidade plena de não tomar qualquer medida para salvá-lo, antes pelo contrário, veio reagir da forma mais infame e desvalorizadora do orgulho de um país que representa uma sabedoria que a Alemanha jamais terá. Nos seus túmulos, todos os grandes filósofos da antiguidade se revolveram pela infâmia produzida.

Esta senhora, também principal responsável pela instabilidade do euro, que fomentou e continua a fomentar, consegue produzir uma frase cheia de rancor e xenofobia, que deveria merecer uma resposta firme dos restantes membros, se não fossem os “yes men” sem coluna vertebral que são.
A segunda tem o valor que tem e foi produzida por Marcelo Rebelo de Sousa, o “comentador-bombardeiro” que aqui revela a sua faceta “democrática”. Um comentário produzido após o anúncio de que a Grécia ia referendar a permanência na zona euro, numa atitude democrática que devia ter sido seguida desde sempre e agora merecia, mesmo tarde e a más horas, ser saudada. Por cá ainda há ecos dos episódios da aprovação do chamado Tratado de Lisboa em que os cidadãos de alguns países, que foram chamados a pronunciarem-se, recusaram e logo foram as suas vontades desvalorizadas pelos “democratas” europeus que decidiram levar “aquela coisa” aos parlamentos nacionais, para, “vozes dos seus donos” aprovarem sem questionarem. Os cidadãos, esse lixo asqueroso, não percebia nada do assunto e portanto os “iluminados” decidiram. Marcelo, como iluminado, tinha de dizer uma coisa como esta…

A terceira é de autoria do senhor de Belém, que nunca se engana e raramente tem dúvidas, daquele que assiste ao corte impune de salários e pensões, que assiste à miséria a que vai ser votada a classe média, que assiste às diatribes sucessivas de um primeiro-ministro sem qualidade nem nível. Este homem vem dizer à Europa que cumpra a parte dela que por cá ele e o seu primeiro-ministro vão dar cabo do país e dos cidadãos, para agradar aos seus parceiros de incompetência! Ficamos todos a saber o que é para este senhor a tarefa a cumprir e que vai ser cumprida: Cortes, miséria, empobrecimento dos cidadãos.

O espelho desta Europa mostrou-se agora:

A Grécia avançou para um cenário de democracia pura: Querem mais austeridade, querem que matemos os nossos cidadãos, então vamos ouvi-los, vamos saber o que eles querem realmente, se querem que seja esta Europa a matá-los com as políticas destrutivas e impróprias que estão a impor há anos, sem qualquer resultado; ou se querem eles mesmos percorrer o seu caminho, mesmo que o destino final seja o mesmo, morrer, mas sem a pata dos agressores em cima! (o morrer, aqui, é figurado, porque um país milenar como a Grécia, com uma cultura ímpar, jamais morrerá!).
Era isto que estava em jogo, nada mais!

A Europa não deu uma única resposta, foi matando o país, foi empobrecendo os cidadãos, foi destruindo todo o aparelho produtivo, arrasou tudo com políticas restritivas e no final de cada uma das medidas aplicadas, o estado da Grécia estava pior! Resumindo, ninguém fazia nada de útil, de saída para os problemas. A única receita era “mais austeridade” e miséria sem fundo. Sem qualquer saída, a pergunta é óbvia: Se vamos morrer às mãos desta gente que nos meteu cá, com promessas de futuro que não querem cumprir, antes nos vão empurrando para fora, então antes de nos porem fora, VAMOS NÓS SAÍR! Pelo nosso próprio pé, mas com o aval e apoio do Povo, que vai decidir!

Com esta atitude que enche de orgulho a Democracia, o governo grego OBRIGOU todos estes indivíduos que lidam – sempre lidaram – muito mal com essa mesma Democracia, (que gostam de directórios e de decisões tomadas “nas instâncias próprias”, ou seja em locais onde podem livremente aprovar tudo o que quiserem, com batalhões de seres cuja profissão e vida é o “levantar e sentar” nos parlamentos) a tomarem decisões!

É claro que o governo grego vai recuar. É claro que aquele primeiro-ministro vai sair.
Mas vai forçar que haja muitas mais afirmações patéticas como a da sr.ª Merkel, à medida que vão aparecer, finalmente, algumas medidas que tardam há, pelo menos, dois longos anos e que não passam por perdões fictícios.

Luís Pessoa

Marinhais, 2011.11.04

2 comentários:

dbo disse...

Car amigo, gosto deste seu post e subscrevo-o a toda a linha.
Grécia, berço da Democracia, está nas mãos de usurários, tal como este pobre recanto ocidental (além doutras vítimas, na forja).
Merckel que de angélico só tem o nome, parece-me um pequeno Hitler de saias que procura mandar na Europa sem utilizar os tanques de guerra, mas sim a guerra do Euro.
Marcelo, um sabe-tudo que afinal nada sabe, terá sifrido uma virose de "Sapiência Absoluta" na altura em que mergulhou nas águass do Tejo. Fala...fala...num psitacismo oco e balofo, mas de útil pela sua Pátria, nada faz, nada fez...e nada fará, acredito.
Cavaco, o "piedoso", de humor sorumbático, ar macambúzio, realmente só teve um engano: tornar-se político. É que em 15 anos de carreirismo activo, enriqueceu à custa do povo, tornou-se um exemplo a não seguir. Não deixa de ser, na minha opinião, um Ali-Babá, gerindo uma corja de ladrões que se apoderaram do poder e delapidaram o tesouro nacional e empobreceram um Povo que merecia melhor sorte.
Bem haja, caro Luís, e continue a escrever, mantendo os princípios e ideais que professa.
Um abraço de admiração, não só pelo policiarismo, mas também pelos seus princípios morais.

Adriano Ribeiro disse...

Caro amigo dbo
O que Luis Pessoa demonstra nos seus escritos é uma autentica preocupação pelos destinos desta nossa patria. De certeza que não é uma voz a clamar sozinha no deserto. Mas as outras vozes têm de aparecer
Obrigado pelo seu comment
Adriano Rui Ribeiro (Sintra)
Pedro Sousa (USA)

Obrigado Pela Sua Visita !