BANCADA DIRECTA: Esta Lisboa que eu amo. Varinas de Lisboa

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Esta Lisboa que eu amo. Varinas de Lisboa

O meu tributo a uma pessoa especial

Esta Lisboa que eu amo. Varinas de Lisboa

Recorda-me a minha infância. As varinas do meu tempo saíam em grupos da Ribeira e espalhavam-se por esta Lisboa.

Passavam pelo Cais do Sodré, Rua do Arsenal e percorriam a Rua dos Fanqueiros. No Largo do Martim Moniz espalhavam-se, umas para a Mouraria e Escolas Gerais, outras subiam a Almirante Reis até ao Anjos, onde a freguesia era tanta que por lá ficavam até por volta do meio dia e depois cada uma regressava a sua casa. Nesta zona dos Anjos um símbolo do fascismo dos tempos do Estado Novo assentava arraiais: era o famoso policia "Nove Dedos" um verdadeiro especialista nas perseguições implacaveis a quem andava nas ruas a ganhar a vida honestamente. E muitas destas varinas moravam longe, ali para as zonas da Graça, da Penha de França, do Alto do Pina e Alto de São João. Coloriam esta Lisboa com os seus pregões tradicionais. Desde o “carapau fresquinho” até “á boa sardinha linda da costa”.

Hoje ainda se ouve, por alturas das Marchas Populares, os marchantes gritarem: èh, èh, èh, Marvila ou Graça é que é!.... Mas nada com a beleza dos pregões das varinas.

A senhora minha sogra, a Dª Glória, que Deus lá tem, tinha um pregão maravilhoso! E nunca me esqueci dele.

Adriano Rui Ribeiro

Contribuições para a minha ideia deste post



Esta foto retrata maravilhosamente pelo seu enquadramento de luz e sombra uma varina de Lisboa a sair da lota da Ribeira. O fotógrafo é Gerard Castello Lopes

Gérard Castello-Lopes (1925-2011) foi o lídimo representante da geração de ouro da fotografia portuguesa – a que emergiu nos anos 1950. Na companhia de Sena da Silva, Carlos Afonso Dias e de vários outros, Castello-Lopes acertou a fotografia portuguesa com o que, de melhor, se fazia lá fora. No entanto, a maior parte destas obras permaneceram desconhecidas até à sua revelação pela Galeria Ether (Lisboa), em plenos anos 1980. Ao ...contrário dos seus colegas, Gérard Castello-Lopes retomou gloriosamente a fotografia em 1982, e continuou a fotografar e a expor até 2008.

Nascido em Vichy (França), em 1925, Castello-Lopes morreu em Paris a 12 de Fevereiro de 2011. Com uma vida dividida entre Portugal e França, marcou não só o cinema (como crítico, actor, assistente de realização e administrador de Filmes Castello Lopes), mas também a fotografia e o jazz (foi co-fundador do Hot Clube de Portugal em 1948), em Portugal. No ano da sua morte, o BES Arte & Finança, em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, homenageia esta grande figura da cultura portuguesa com uma grande exposição retrospectiva – a maior que alguma vez lhe foi dedicad


A fonte deste texto é do Lisboa SOS

1 comentário:

CLARA QUEIROZ disse...

Bom dia,
Gosto muito das suas publicações.
Pode informar-me de quem é a autoria da ilustração da varina com a Torre de Belém em fundo? É antiga ou contemporânea. Agradeco-lhe muito a informação.
O meu mail:
clara.queiroz.lopes@gmail.com

Clara Queiroz Lopes

Obrigado Pela Sua Visita !