BANCADA DIRECTA: Esta Lisboa que eu amo. Campo de Santa Clara. Estatua do médico Bernardino Gomes vandalizada

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Esta Lisboa que eu amo. Campo de Santa Clara. Estatua do médico Bernardino Gomes vandalizada

Lisboa. Jardim Botânico. Estatua do médico Bernardino Antonio Gomes. Monumento respeitado pelos visitantes.

Tal não acontece com outra estátua deste médico localizada no Campo de Santa Clara e que está vandalizada conforme mostram as fotos.

Esta situação mereceu uma tomada de posição da Presidente da Liga dos Amigos do Jardim Botânico.


«Exmo Director do DMC-DPC,
Lisboa, 27 de Novembro de 2011
Assunto: Monumento a Bernardino António Gomes no Campo de Santa Clara
Exmo. Arq. Jorge Ramos de Carvalho,
A Liga dos Amigos do Jardim Botânico (LAJB) vem por este meio chamar atenção para o mau estado de conservação em que se encontra há já vários anos o Monumento ao Dr. Bernardino António Gomes no Campo de Santa Clara.
Muito nos preocupa ver este, assim como grande parte dos monumentos e estatuária da nossa cidade, sem devidos cuidados de protecção e de conservação.
Estamos conscientes da tarefa complexa e difícil que é gerir, manter e recuperar os monumentos de Lisboa.
Mas esperamos que brevemente seja estudada e executada a limpeza deste monumento que homenageia um ilustre Botânico do nosso país.
Enviamos em anexo imagens para que possam constatar o terrível estado em que se encontra o monumento.
Com os nossos melhores cumprimentos
A Presidente da Liga dos Amigos do Jardim Botânico,
Manuela Correia
LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO
Rua da Escola Politécnica, 58
1250-102 Lisboa»


Contribuições

Bernardino António Gomes (Paredes de Coura, 1768 – Lisboa, 1823) foi um médico e botânico português que actuou na primeira metade do século XIX. Estudou várias plantas oriundas do Brasil e isolou a cinchonina.

Estudou medicina na Universidade de Coimbra, onde concluiu o doutoramento em 1793. Foi o primeiro dermatologista Português. Após o doutoramento, foi médico em Aveiro, onde se manteve até 1797, ano em que foi nomeado médico da armada real. Ainda nesse ano, embarcou para o Brasil, onde permaneceu até 1801. Em 1802 foi encarregado de debelar uma epidemia de febre tifóide a bordo de uma esquadra portuguesa, no estreito de Gibraltar. Ao fim de dois meses tinha conseguido resolver o problema. Em 1810, na sequência de uma nova epidemia de tifo que atingiu uma esquadra portuguesa em Gibraltar, foram transportados para o Lazareto, na Trafaria, 445 doentes que tratou com sucesso. Do serviço no mar, passou a trabalhar no Hospital da Marinha e no Hospital Militar de Lisboa. Deixou a carreira de médico da armada, em 1810. Em 1817, foi nomeado Médico da Câmara Real. Foi eleito membro efectivo da Academia Real das Ciências de Lisboa, em 1812. Nesta Academia promoveu, em 1812, a criação da Instituição Vacínica, que se dedicava à vacinação antivariólica. Em 1817, o número de inoculações atingia 17 mil. Em 1817, foi designado para prestar serviços médicos à princesa Leopoldina da Áustria, noiva de Dom Pedro, futuro Imperador do Brasil, quando esta se deslocou de Livorno para o Rio de Janeiro. Permaneceu seis meses no Rio de Janeiro, após o que regressou a Lisboa. Não se deve confundir com o seu filho Bernardino António Gomes, do mesmo nome, que nasceu em Lisboa, em 1806 e se formou em Medicina, em Paris e em Matemática, em Coimbra.

Durante as suas longas estadas no Brasil, que na altura era uma colónia portuguesa, Bernardino António Gomes estudou várias espécies de plantas medicinais. No período de 1798 a 1822, publicou (em Portugal e no Brasil) vários relatórios a descrever a morfologia e propriedades farmacêuticas de plantas brasileiras e portuguesas, assim como relatórios sobre a incidência e terapia de doenças infecciosas. Em 1812, foi fundada a Instituição Vacínica, em Lisboa, da qual B.A. Gomes foi o primeiro director e que tinha como objectivos generalizar a vacinação em Portugal e promover o progresso das ciências e do bem-estar público. Assim, em conjunto com outros médicos, B.A. Gomes iniciou a vacinação em Portugal. Os trabalhos que publicou tiveram um grande impacto ao nível da comunidade científica internacional. Destes trabalhos, destaca-se o isolamento por cristalização da denominada cinchonina, a substância activa presente na casca de quina. A cinchonina foi utilizada, desde o século XVII, como antipirético. Grande parte dos seus trabalhos foi desenvolvida no Laboratório Químico da Casa da Moeda, em Lisboa.

As fotos da estátua no Campo de Santa Clara são do nosso amigo Paulo Ferrero e que agradecemos

Sem comentários:

Obrigado Pela Sua Visita !