BANCADA DIRECTA: “Crime das Escadinhas dos Baldaques”. Uma novela colectiva de Tempicos e Companhia. 2º capítulo

sábado, 19 de novembro de 2011

“Crime das Escadinhas dos Baldaques”. Uma novela colectiva de Tempicos e Companhia. 2º capítulo

“Crime das Escadinhas dos Baldaques”. Uma novela colectiva de sete (maus) escritores coordenados por um tal de Tempicos.
Um detective ao serviço dos cidadãos para quase todo o serviço…..
“ Crime das Escadinhas dos Baldaques”
2º Capítulo desta extraordinária novela:

Para Tempicos o Céu era o limite!

Um original do Detective Tempicos

Até que um dia…..a coisa deu para o torto. Tempicos andava desconfiado e desta vez apanhou o casalinho com a boca no trombone. Zeca Maluco estava com a Kátinha, no patamar da escada numa grande “marmelada”.

O nosso detective perdeu a cabeça, apanhou a primeira coisa que lhe surgiu – uma bota ferrada – e atirou-a à cabeça do abusador. Zeca caiu redondo, cabeça rachada a sangrar. Katinha desatou aos berros e em menos de um fósforo todo o prédio veio acudir e ver o que se passava.

Do andar de cima surgiu Fafá, viu a cena, voltou atrás e regressou com uma seringa já preparada. Ali mesmo no chão baixou-lhe as calças e zás, deu-lhe uma injecção contra o tétano. A bota ferrada e conspurcada seria um perigo para a vítima. Zeca mantinha-se desmaiado e nunca mais acordava, até que Adrianov que ia entrar ao serviço, resolveu mete-lo, a custo, no banco de trás do seu táxi. Surgiu, não se sabe de onde, o cónego Novena de crucifixo em riste, pronto para a extrema-unção. Fafá entrou de pendura para o caso da vítima precisar de respiração boca a boca – disse ao motorista. No passeio a vociferar em russo ficou Trioska, com pena de não ter espaço para mais um passeio de táxi, à Baixa.

E aí vão eles, a tocar a buzina, para o Hospital de S. José. Noninoni.
Mas, a vida continua e o padrinho Tempicos pôs a sua afilhada Kátinha de castigo. Naquele dia não haveria telenovela para ninguém.
Tempicos sabia que Zeca era um abusador. Um dia assistiu na “União” a uma cena pouco edificante.

A menina do bar, a Marilete, tinha, pelo Zeca uma paixão assolapada só que ele não sabia. Zeca Maluco era um grande freguês das chamuças picantes e das “bejecas” geladinhas da sua apaixonada. A cena era sempre a mesma: Zeca, aos poucos, ia-se metendo dentro do balcão e –aproveitando-se dos conhecimentos de massagista – pois fora ajudante do grande “Mão de Pilão” do Benfica, começava a trabalhar a cervical da menina, suavemente, apertando as cartilagens entre o polegar e o indicador, continuando até descer até à 5ª dorsal. Aí de mão fechada e dedos flectidos aplicava a técnica do parafuso chinês, de grande eficácia.

No salão da Sociedade União, como música de fundo, exibia-se o conjunto de músicos da Associação Luís Braille. Tocava-se “La cumparsita” e na sala volteava com novo engate o galã Salvattore. Por detrás do balcão do bar a música era outra.

Normalmente, antes de chegar ao cóccix, a menina Marilete começava a ruborizar e a iniciar respirações longas e profundas. Zeca sabia onde e quando parar. O seu lado de profissional de massagista vinha à tona. Era altura de dar o salto e deixar Marilete esbaforida, mas feliz, esquecida da conta da chamuça e da bejeca.

Tempicos porém andava preocupado com o que fizera ao Zeca. Os remorsos toldavam-lhe a razão. Será que o homem ficaria em condições, depois de passar pela urgência do hospital? Será que lhe iriam aplicar uma chapa metálica na cabeça? Pensativo meteu-se no seu quarto com a garrafa de whisky e despachou-a em meia hora,

Ficou meio zonzo. É sempre nessas alturas que o nosso detective consegue reunir as últimas e escassas células cinzentas e inicia um longo período divagatório. Foi então que lhe veio à cabeça uma ideia genial.

Como uma centelha imaginou um simples jogo, mas aliciante. que lhe iria dar a independência económica que tanto perseguia e necessitava como de pão para a boca.
Já se estava a ver na Quinta do Lago, de shorts e charuto. Chapéu de palhinha, esparramado numa cadeira de balanço à beira da piscina onde boiava feliz a sua afilhada Kátinha num reduzidíssimo bikini azul às bolinhas amarelas.

Numa mansão de 10 quartos e 15 casas de banho, jacuzzi e algumas palmeiras a decorar a cena. Um casarão maior do que o do seu “amigo” Duarte Lima. A sua casinha custou-lhe os olhos da cara: 15 milhões de euros e estava registada em Gibraltar por causa dos impostos exorbitantes.

Ali estava Tempicos – junto à fina flor da ladroagem – do pessoal fino e colunável que saltitava de bar em bar para ser fotografado para a revista Caras e que tinham umas coisinhas lá fora nos chamados paraísos fiscais passando a vida na praia a trabalhar para o bronze. Ele seria o Ali-Babá entre os quarenta ladrões.

Tempicos – diziam as más-línguas viperinas -toda a vida fora um pequeno oportunista. Ninguém dava nada por ele, excepto uma ou outra inglesa cheia de celulite e na terceira idade. Essas davam-lhe tudo: o coração e algumas notas de libra.

Em breve saberiam quem era Tempicos. Um respeitado Mister com M grande. Um novo “special one” com brasão comprado em leilão mas de mármore de Carrara. Lá estava, lustroso, no topo da escadaria de pedra com tapete vermelho, que levava aos aposentos do primeiro piso, onde repousava habitualmente e onde escrevia as memórias e as suas apreciadas histórias policiais. O pessoal pelintra das Escadinhas dos Baldaques que tivesse muita saúde!

Ele para aquela gente já tinha dado. E já não tinha paciência. Aliás, já os esquecera, pois os vapores do whisky fizeram-no entrar no Céu.

Para Tempicos o Céu era o limite.

Nota: o próximo capítulo será publicado na quinta-feira 24/11 e o (mau) autor é Onaírda. Seguir-se-à a Detective Jeremias, já alinhada para o efeito com a seringa a jeito.


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