BANCADA DIRECTA: “Crime das Escadinhas dos Baldaques”. Uma novela colectiva da autoria de Tempicos e Companhia. 3º capítulo

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

“Crime das Escadinhas dos Baldaques”. Uma novela colectiva da autoria de Tempicos e Companhia. 3º capítulo

“Crime das Escadinhas dos Baldaques”. Uma novela colectiva da autoria de Tempicos e Companhia. 3º capítulo

Titulo episódio de hoje:
Para Tempicos o Céu era o limite.

Autor: Onaírda


Mas para Adrianov o seu limite nem era um Céu qualquer e nem um qualquer offshore onde pudesse colocar uns cinco milhões de euros conseguidos num virtual empréstimo bancário para compra de terrenos baratos mas lucrativos, onde quadros e estatuetas de duvidosa origem eram a garantia.

Outros o conseguiram, mas ele era superior a esta volúpia financeira, porque às vezes Deus ( o ortodoxo, claro) dá as voltas e o que hoje parecia ser um bom negócio dá mas é para ter ralações. Era pobre, vivia da sua profissão de motorista de táxi, com licença de condução obtida na Ukrânia de uma forma algo liberal. O Estado protege os seus cidadãos que querem emigrar. Entendem?

Trioska integrava um núcleo feminista na Ukrânia. Nesta foto empunhava um "putativo" cartaz: a "Ukrânia não é um bordel

O limite real para Adrianov era o amor que dedicava à sua mulher Trioska, pensando, erradamente, que era correspondido na mesma proporção. Mulher escultural, bonita de cara e corpo de menina solteira, despertava a cobiça, mal disfarçada, dos “machos” residentes no prédio das Escadinhas dos Baldaques. Se os homens do prédio a cobiçavam, as duas senhoras de seus nomes Arnezinha e Fafá desdenhavam a bela eslava, melhor detestavam-na.

Adrianov e Trioska vieram para Portugal porque já não tinham possibilidades de viver na Ukrania. Ele não tinha colaborado muito com a independência do seu país e ficou mal visto. Ela pertencia a um grupo de feministas que tentavam moralizar os costumes. Fez parte de manifestações, nuzinha em pelota, foi identificada pela KGB de lá do sítio e só lhes restou vir para Portugal, arrendando o casal uma casa no rés-do-chão esquerdo daquele prédio nas Escadinhas dos Baldaques.
Trioska era eximia em dançar a Kalinka. Sabe-se que Tempicos pretendia que ela lhe ensinasse os segredos dos volteios da dança eslava.

Adrianov era o oposto de Tempicos quanto a conviver com os residentes do prédio. Enquanto Tempicos se desfazia em salamaleques com os residentes, mais com as senhoras, Adrianov pouco falava com eles e só os saudava com um breve “Привіт витрачені не даремно? Nada mais. Em certa altura Tempicos e Adrianov desentenderam-se, trocaram palavras azedas entremeadas com ameaças do eslavo para Tempicos. O que tinha motivado esta situação ninguém sabia, mas o certo é que reinava uma certa tensão no ar e que poderia mais tarde originar consequências graves. O Zeca Maluco, o Salvattore, o Mendinho e a Fafá esfregavam as mãos de contentes com a evolução dos acontecimentos. O cónego Novena andava entretido a salvar almas do pecado e não ligava às paixões terrenas

Adrianov era um pobre no meio de ricos do prédio, trabalhava num táxi pertença do presidente do clube União, emprego que fora arranjado pela Arnezinha, a qual não perdia um baile no União, o qual presidente se deleitava a vê-la dançar e a moça tinha consciência disso, meneava as ancas e fazia-lhe olhinhos. Por isso não foi difícil ela arranjar o emprego ao Adrianov. Tráfico de influências, foi o que o foi. Ilícito penal, claro. Ela tinha pena da situação do ucraniano, que não de Trioska.

Falava-se em surdina que o Adrianov lidava diariamente com muitos portugueses, mas não assimilava muito a nossa língua, enquanto que a Trioska, apesar de não trabalhar falava o português correctamente. De certeza que tinha um bom mestre. Adrianov andava desconfiado. E tinha razão para isso. As paixões estalavam rapidamente no prédio. Tempicos esmerava-se em ensinar o português a Trioska e aproveitava-se claro

Quando Tempicos descobriu a Katinha na marmelada na escada com o Zeca Maluco soube-se depois que foi a Trioska que o informou. A eslava não gostava da Katinha e constava-se que Tempicos era possuidor de vários apartamentos no Algarve e que explorava um campo de golfe em Vilamoura. O plano de Trioska era que Tempicos deixasse a Katinha e se enrabichasse com ela. Como Tempicos já era entradote, no futuro ela seria a dona da sua fortuna. Adrianov ficava para segundo plano e fora da vida dela.
A Arnezinha e o Salvattore alegravam com as suas danças de salão os Sabados à noite no Clube União. O presidente do clube cada vez que via dançar a Arnezinha ficava com os olhos mais torcidos.

Mas o amor de Tempicos pela Katinha era enorme e perdoou-lhe o seu devaneio com Zeca Maluco. Claro que Trioska não passou e nem entrou no coração do detective, foi posta de lado e jurou vingança.

Adrianov e Trioska reconciliaram-se. Juraram que uma vingança serve-se a frio……

Tempicos nem sonhava no sarilho em que se tinha metido.

.A Arnezinha continuava a ser a estrela dos Sábados à noite no Clube União com os seus passes de boleros e tangos que volteavam a cabeça do presidente do clube.

Passada uma semana…

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