BANCADA DIRECTA: Fragmentos e Opiniões sobre a recente Cimeira Europeia (2). O nosso cronista Luis Pessoa é o autor do texto.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Fragmentos e Opiniões sobre a recente Cimeira Europeia (2). O nosso cronista Luis Pessoa é o autor do texto.

Fragmentos e Opiniões sobre a recente Cimeira Europeia (2)

Devido à extensão desta crónica dividimo-la em dois posts. Hoje publicamos a 2ª parte da mesma


Luis Pessoa é o autor da crónica

DECISÃO GREGA?





Mas a cimeira ditou mais: DECISÃO sobre a Grécia

Finalmente?

Vejamos as parangonas dos jornais e das aberturas de telejornais, cantando loas à decisão sobre a Grécia, que a nós, portugueses quase nos fez vir para a rua festejar, por aliviar a pressão!!! A decisão, aparentemente, foi de perdão de 50% da dívida! Com o reconhecimento explícito de que era impagável!


Ora abóbora, os movimentos europeus independentes já andavam a dizer há mais de 2 anos que a dívida grega, como a portuguesa, como a espanhola, como a italiana, como a irlandesa, com todas as outras, incluindo a americana, não podem ser pagas, JAMAIS!



Os governantes (leia-se Merkel e Sarkozy) só agora lá chegaram, atrasados e desfasados, no nosso entender, voluntariamente desfasados! Não podiam ser tão burros!
Com o perdão de metade da dívida grega, a Europa vai entrar nos eixos, os mercados vão recuperar, qualquer dia estamos tão bem como estávamos?

Ora bem, esse perdão, não o é, na prática! Esse perdão já na cimeira de Julho foi avançado, nessa altura na ordem dos 21%, mas nada se fez. Agora é na ordem de 50%, mas é, “voluntário”! Isso quer dizer que só perdoa quem quiser e o principal credor, o BCE, que devia ser o banco salvador das economias europeias, coloca-se imediatamente de fora, reforçando que não aceita perdões. E agora há mais a questão judicial alemã com a oposição do Supremo à decisão do parlamento sobre a concessão!

TROCA DE LIXO POR 50 MIL MILHÕES?


Sabendo que a maioria dos credores gregos são bancos, o que nos leva a pensar que eles vão alinhar nos perdões? Numa primeira abordagem, eles não aceitarão, porque vão perder muitos dos seus activos, certo?

Numa análise mais profunda, a realidade é outra, são cerca de 100 mil milhões de euros que os bancos vão refazer, livram-se de 100 mil milhões de lixo, porque a dívida grega é absolutamente incobrável e como tal deitam fora lixo e recuperam 50 mil milhões (50%) por capitalização. Dinheiro limpo.

Capitalização feita por quem? Pelos respectivos estados! De dinheiros dos cidadãos, dos cortes salariais, de subsídios
, de participações em medicamentos, de pensões e reformas, de aumentos de impostos! Os estados, entidades criadas para defenderem e apoiarem os cidadãos, vão roubá-los nos seus bens e direitos, para capitalizarem os responsáveis pelos desfalques, pelas políticas demolidoras, pelas especulações, enfim e em suma, os responsáveis pela própria crise!

Há dois anos, todo este cenário foi traçado por pessoas independentes. Que também referiram que a pobreza vai invadir a Europa, a miséria vai grassar se estas políticas não forem alteradas e revertidas.

Hoje, é o nosso primeiro-ministro, quem refere que vamos empobrecer. Apesar de se tratar de um indivíduo sem credibilidade, tanto por essa Europa como intramuros, podemos ter a certeza de que isso vai mesmo acontecer, porque ele vai, pessoalmente, assegurar-se de que é assim mesmo.
Quando se prossegue uma política de pilhagem interna, com impostos incomportáveis, confiscando salários e subsídios, conduzindo à miséria interna, para capitalizar instituições financeiras que praticaram abusos (para ser simpático), nada de bom se pode esperar.

A Grécia já está! Nem com um perdão efectivo de 99% poderia escapar, porque não tem crescimento para pagar, sequer o 1% sobrante!

Portugal está a seguir os mesmíssimos passos e portanto entrará em incumprimento a breve prazo, porque não havendo crescimento (e não poderá haver com o roubo dos recursos internos da sua população), nenhuma dívida poderá ser paga, quando já nada houver para roubar aos cidadãos.

EMPOBRECIMENTO?Cabe aqui mais uma achega ao primeiro-ministro e ao seu governo, por já admitirem recorrer àquele mecanismo que tanto repudiaram, chamado “reestruturação” da dívida, para acudirem ao financiamento das empresas públicas! Mais uma irrealidade reveladora de falta de carácter e de conhecimentos básicos, para não chamar incompetência. Diziam-nos, em coro com o senhor de Belém, que os mercados deixariam de acreditar em nós se entrássemos no circuito da reestruturação da dívida, lembram-se? Pessoas clarividentes e conhecedoras sempre disseram que esse era o único caminho.

Decididamente Passos Coelho só fala verdade quando diz que vamos empobrecer. E todo o seu esforço está canalizado nesse sentido.

É ver a sua alegria quando os seus parceiros de incompetência lhe dizem que vai no bom caminho, para logo lhe dizerem que se prepare para mais medidas drásticas! Certamente para correr o tal caminho do empobrecimento!

APRENDIZES?

Estamos nas mãos de aprendizes, ainda para mais incompetentes.

Luis Pessoa.

Marinhais. Outubro. 2011. 29




1 comentário:

luis pessoa disse...

Não é possível manter actualizados os acontecimentos que ocorrem em velocidade vertiginosa, rumo ao abismo!
Este escrito foi elaborado logo após a cimeira, quando a paz dos anjos descia sobre a Europa...
Muita gente foi iludida - uma vez mais - mas a realidade que já hoje se verifica, dá-nos razão. Os inúmeros mails que recebi, alguns a roçar o insulto, por defender a derrocada iminente quando os sinais euripeus eram de "franca recuperação", ou por considerarem que insultei o governo e o seu primeiro ministro, têm na situação actual (de hoje mesmo) a resposta.Com as bolsas em queda, com os cidadãos à beira da miséria, com a Grécia, finalmente, a tentar referendar a sua perda de soberania, com os dirigentes à deriva, a cena final aproxima-se, doa a quem doer.
E se havia um tema em que gostaria de ter de me penitenciar por falhar redondamente, este seria um deles! Só que...
Não guardo ressentimentos a quem fez questão de me insultar. No fundo, vamos todos ser vizinhos no mesmo buraco onde nos querem meter...
Quais as soluções que se vislumbram?
Será o texto que tentarei numa próxima oportunidade.

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