BANCADA DIRECTA: Fragmentos e Opiniões sobre a confiança que nos merece a moeda Euro e uma verdadeira coesão nesta União Europeia a dar sinais de crise

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Fragmentos e Opiniões sobre a confiança que nos merece a moeda Euro e uma verdadeira coesão nesta União Europeia a dar sinais de crise

Fragmentos e Opiniões sobre a confiança que nos merece a moeda Euro e uma verdadeira coesão nesta União Europeia a dar sinais de crise

O falso resgate do Euro

A crónica de Stephan Kaufmann do Berliner Zeitung de Berlim

Os políticos europeus gostariam de celebrar as decisões da cimeira de 26 de Outubro como um marco histórico. Mas a crise do euro acompanhar-nos-á ainda por mais uns tempos. Porque o paradoxo fundamental – o de querer comprar a confiança dos investidores com dinheiro que não têm – não pode facilmente ser escamoteado.

Quem se tenha afeiçoado à crise do euro tem pouco com que se preocupar: ela vai ficar por cá por mais uns tempos. Nem as decisões da última cimeira europeia a vão afastar. Por um lado, estão correctos os que culpam os políticos pela crise. Por outro, fogem à compreensão de que os políticos estão a braços com uma contradição gigantesca do mundo real, que brota da lógica do próprio sistema e não pode ser facilmente banida.



O ponto de partida é a constatação de que os Estados da zona euro estão a braços com um endividamento excessivo. Esse é o veredicto transmitido pelos Estados credores e pelos mercados financeiros, de acordo com os seus invariáveis critérios de investimento: segurança e rendimento.

Os Estados têm pedido muitos empréstimos: mas pode-se sempre apreciar a situação por outro ângulo e dizer que os mercados financeiros é que emprestaram de mais. O que permite aliviar a culpa pela presente desgraça de cima dos investidores e apontar o problema subjacente: as dívidas dos Estados são os activos de bancos, seguradoras e fundos.

A riqueza financeira do mundo consiste em grande medida nas promessas de pagamento dos governos, e é a validade dessas promessas que agora está em causa. Isto significa que os mercados financeiros arrecadaram demasiada dívida pública. Em suma, têm demasiado capital nas mãos – muito mais do que são capazes de transformar em dinheiro que possam gastar.

Opção nuclear
Tais situações são comuns no capitalismo. A indústria também produz regularmente mercadorias que não consegue vender. A solução para este problema continua a ser a mesma: a depreciação dos produtos, o que leva bens e fábricas a serem vendidos ou destruídos.

Porém, na crise actual, é precisamente esse tipo de desvalorização que deve ser evitado. Uma redução de capital financeiro em grande escala atiraria – é um risco – Estados e bancos para o abismo. "Contágio" é o nome da ameaça que paira sobre nós, enquanto os mercados financeiros estiverem assustados.

Para acalmar os mercados, os políticos avançam em passo acelerado para outra solução. Por um lado, fomentam programas radicais de austeridade, para recuperar os países para esferas de investimento viável e para restaurar a solidez da montanha de dívida nacional acumulada.

Estão a fazer isso para garantir aos credores em dúvida que os seus investimentos estão garantidos – ainda que os fiadores sejam precisamente aqueles cuja qualidade de crédito está a ser posta em dúvida. E assim, com o dinheiro que não têm, os governos pretendem resgatar Estados, apoiar os bancos e comprar a confiança perdida na sua solidez financeira.

Esta contradição há meses que dura. A crise de confiança está a transformar-se num círculo vicioso que talvez só pudesse ser quebrado a curto prazo se o Banco Central Europeu avançasse como fiador. Porque só o BCE pode, em teoria, reunir montantes ilimitados. A recusa da Alemanha, em particular, em atribuir ao BCE essa função resulta da esperança de que a crise ainda possa ser controlada sem recurso a uma tal "opção nuclear".

Zona euro não está fora de perigo
E assim, cortes de despesa, perdão da dívida à Grécia, aumento das reservas de capital dos bancos e um maior FEEF são intervenções que se supõe instilar confiança na capacidade de crédito da Europa. Se isso vai resultar, é duvidoso. É provável que cada uma dessas medidas aumente ainda a desconfiança.

Porque, com o corte da dívida, os políticos evidenciam estar a rever a sua posição anterior de que os programas radicais de austeridade estariam mesmo a funcionar. A recapitalização dos bancos contradiz a garantia anterior de que o sistema bancário tinha robustez suficiente. Ao autorizar o FEEF a apoiar os bancos, estão a abandonar a afirmação de que a tal recapitalização seria suficiente para os proteger contra a crise.

Ao aumentar o FEEF, estão a demolir o seu veredicto de que a crise era apenas um problema de alguns pequenos Estados que não souberam manter a tesouraria em ordem. Alavancando o FEEF para montantes cada vez maiores, na casa dos milhares de milhões, estão a refutar a sua tese de que a zona euro está fora de perigo.

E com a disputa em curso sobre o preço do resgate do euro, com as preocupações em relação às obrigações europeias (eurobonds) e a obstrução a qualquer envolvimento mais amplo do BCE, com severas restrições de medidas de emergência – em suma, com as constantemente salientadas condições de combate à bancarrota, contradizem a sua própria afirmação de estar a fazer o máximo possível para salvar o euro.




Stephan Kaufmann

2 comentários:

luis pessoa disse...

Extremamente meigo, este senhor!
A realidade é muito, mas mesmo muito mais negra, quanto o é a mentira e a falta de soluções apresentadas.
Para ajudar, o Supremo Tribunal alemão rejeitou a aprovação efectuada pelo parlamento alemão da proposta de resgate!! Estava na cara que tal iria acontecer, porque por lá a Justiça funciona, não é como cá que um pseudo tribunal chamado constitucional trucida tudo e todos, declarando constitucional o que manifestamente não é!
E agora? Onde fica o chamado resgate da GRÉCIA?

luis pessoa disse...

Não perca os próximos episódios!

Quem pagará a crise grega? O PERDÃO DE PELO MENOS 50% DA SUA DÍVIDA VAI RECAÍR NA BANCA QUE DETÉM A SUA DÍVIDA (se a Justiça alemã deixar)!

Mas ATENÇÃO! MUITA ATENÇÃO!

Os bancos detentores das dívidas gregas(por cá os BCPs, os BPIs...)vão ser recapitalizados! Para compensar as perdas no perdão da dívida e para poderem financiar a "economia".
MAS QUEM OS VAI RECAPITALIZAR É O ESTADO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Com quê?
Adivinhem, adivinhem...

BINGO! Com o dinheiro que roubam aos cidadãos! Com o produto do roubo dos salários! Com o produto do roubo das pensões! Com o produto do roubo dos impostos!!!!

Ou seja, rouba-se os cidadãos para "recapitalizar" os deus próprios algozes!
Brilhante!

Em nome da salvação da Pátria! Em nome de não sermos "incumpridores" (o país, dizem eles!) lá fora!

Cá dentro? Cá dentro podem cometer os crimes que entenderem, roubarem o que quiserem, porque é a Bem da Nação!

PS: O nosso primeiro (mentiroso) já admite a "renegociação" da dívida! Como é que diz! Como é que diz? Então há semanas isso era impensável, impossível, coisas de esquerdistas, etc. e agora...
Meus caros, a Economia não tem segredos! Nenhuns! Só para esses incompetentes! Uma "renegociação" para financiar as empresas públicas? Ninguém tem meios para mandar esta gente para o infantário?

Obrigado Pela Sua Visita !