BANCADA DIRECTA: Desta nem o Salazar se lembrou...Portajar a A2 entre Almada e o Fogueteiro nem lembrou ao diabo, perdão ao Salazar.....

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Desta nem o Salazar se lembrou...Portajar a A2 entre Almada e o Fogueteiro nem lembrou ao diabo, perdão ao Salazar.....

Disse o sorridente Alvarito: Há vida para além da austeridade. Dizemos nós que a seguir às portagens nas “scuts”, outras vias rápidas se seguirão.

É consenso geral que o Governo quer “portajar” mais vias rápidas, para além destas scuts portajadas na actualidade.

Uma verdadeira tempestade popular surgiu quando se alvitrou a hipótese da IC 19 - ligação Lisboa/Sintra - passar a ter portagens. Realmente seria a ideia mais estúpida que serve milhares de pessoas diariamente e que não tem alternativas fosse imposta com portagens. Mas ainda não houve fumo nem fogo por parte de quem manda. Mas o balão já foi para o ar.

Um estudo qualquer, que agora não posso referir a origem, alvitrava que a VCI no Porto e a Segunda Circular em Lisboa estavam na calha para levar com o pagamento de portagens. Outras vias estão pensadas tais como a Cril17 de Algés a Sacavém, o IC32 de Alcochete a Quinta do Conde estão nos pensamentos dos estrategas das finanças.

Mas uma questão de importante de portagens a aplicar refere-se ao troço que vai do final da Ponte 25 de Abril até ao Fogueteiro. São 10 quilómetros de via. Claro que as reacções não se fizeram esperar por quem de direito na defesa das populações atingidas - Almada e Seixal.

Eis estas reacções:
O Presidente da Câmara Municipal do Seixal Alfredo Monteiro (CDU) disse há dias, sobre a hipótese do troço entre a Ponte 25 de Abril e o Fogueteiro (na A2) ser portajado , que nem ao “Salazar lembraria esta ideia” Esta crítica do Presidente da Câmara do Seixal foi acompanhada pouco tempo depois pela Presidente da Câmara Municipal de Almada(CDU), Maria Emília de Sousa, a qual considerou que se esta ideia se fosse para a frente “mataria” quaisquer investimentos na Zona Sul.

Alfredo Monteiro considerou esta medida “como um roubo descarado, absolutamente inqualificável, cega, sem qualquer sentido” e que representaria uma penalização absolutamente impensável para milhares de pessoas desta Margem Sul. “Estamos em grande dificuldade, mas há coisas não se fazem e nem se pode pensar em fazer. Esta medida terá efeitos adversos muito significativos. Mais uma portagem porá em causa investimentos na Margem Sul”. O autarca lembrou ainda que esse troço de Auto Estrada foi construído como complemento da Ponte 25 de Abril, ao tempo clamada Ponte Salazar e inaugurada em 1966. Pois é verdade que Salazar nunca se lembrou de portajar esse troço. Este troço está mais do que pago. Não causa despesa ao país.

Por sua vez, Maria Emília de Sousa, Presidente da Câmara Municipal de Almada, afirmou que esta cidade nem quer acreditar que o Governo pondera portajar este troço da A2. De certeza que esta intenção não passa do papel. A autarca mostrou-se preocupada com o impacto de uma nova portagem, que a verificar-se prejudicaria o desenvolvimento do Distrito. “Rejeitamos absolutamente essa hipótese. Há investimentos previstos para as envolventes destes territórios. Portajar este troço da A2 era matar completamente qualquer novo investimento gerador de milhares de postos de trabalho".

A autarca revelou que está em cima da mesa há muitos anos a criação de um eixo de distribuição entre estes dois pontos. “Estamos perante um contínuo urbano”. A solução passa por tornar mais fluida a circulação e não por cobrar mais uma portagem.

Finalmente Maria Emília de Sousa lembrou que Almada, Seixal e Barreiro continuam a aguardar uma reunião pedida em Agosto ao Sr. Álvaro Santos Pereira, ministro da economia “para que se retome um conjunto de dossiers que estavam em curso com o anterior Governo no que respeita a mobilidade e transportes".

Para este modesto escriba deste blogue Bancada Directa fica-lhe atravessado se nem Salazar se lembrou de portajar este troço da A2, se esta hipótese se vier a concretizar, alguém responsável quer tomar o seu lugar, quanto ao seu modo de governar em ditadura.




Adriano Rui Ribeiro

4 comentários:

luis pessoa disse...

Sou cvompletamente suspeito para falar deste tema porque sempre defendi que as vias de acesso a Lisboa e ao Porto deveriam ter sempre portagem e bem dura.
Vivi duas décadas na Linha de Sintra, apanhei com a célebre Estrada de Sintra, com uma via para cada lado e um combóio de relíquia. Mas assisti também à modernização da linha de caminhos de ferro e não entendo como é possível referir hoje que não há alternativas! Composições de 20 em 20 minhtos em ambos os sentidos a pararaem no Rossio e em Entrecampos, não seráo alternativas?
E um combóio bem confortável pela Ponte 25 de Abril, não será alternatica capaz?
O problema é que se optou pelo novo riquismo de se considerar que ter um pópó é que é fino e que ter um desses objectos poluentes é um direito! E contra isso não há nada a fazer!
Os governantes apoiaram tudo, acharam o máximo ir dizer lá para fora que cada português tem um pópó e 4 telemóveis. Casas onde 3 pessoas saiem de casa em 3 automóveis, para o mesmo destino, porque um entra às 8, outro às 8.15 e o outro às 9!
Infelizmente, por cá, a opção foi simples: As pessoas não andam de transportes, estes dão prejuízo, aumentam-se os bilhetes e os passes, para reduzir os prejuízos! Ao invés, construiram-se auto-estradas, se 4 vias não davam, metiam-se mais 2 ou mais 4 e assim por diante (o IC19 é gritante!), pagos pelos cidadãos (sem portagens)! Sinal para as pessoas, venham de pópó que fica quase ao mesmo preço que andar de combóio!
Ninguém pensa: quanto se gastou com alargamento das vias? quanto se gasta com manutenção? quanto se consome de combustíveis inúteis? quantas horas, dias, meses, anos se perdem nas infindáveis filas? quantos milhões de horas de trabalho se perdem por ali?
Num país miserável, de pessoas que vivem em consições deploráveis, quem não tem um carro?
A verdade tem que ser dita: um carro é um objecto de ricos, que consome mais recursos que um filho, que é absolutamente inviável e improdutivo, pelo que apenas deveria ser usado em último recurso e como objecto de luxo que é, deve ser taxado como tal, pelo menos nos locais onde há alternativas,
Um governo em condições já deveria ter apostado forte numa rede eficaz de transportes GRATUITOS ou muito perto disso e taxar demolidoramente os transportes particulares.
Assumo-me como utilizador diário de viatura própria, vivo a cerca de 70 Km do meu local de trabalho e aí sim, alternativas: ZERO! Como eu, certamente centenas de milhares, por isso não me venham com os mártires do IC19! A maioria são mártires voluntários, masoquistas, para quem a suprema ofensa será entrar num combóio!
Para esse peditório, não, obrigado!

O carro particular deve ser severamente taxado, com impostos, com taxas, com portagens, com o que quiserem, o quer não pode é ser transformado num objecto de culto, numa necessidade que não deve ser.

Claro que esta minha posição não é aceite pela imensa maioria de ecológicos seres que separam os lixos (muito bem!), defendem a natureza (muito bem!), mas passam a vida ao volante, em paralelo com combóios!
Assim não!

Podem vir as "pedras", mas cuidado com os vidros dos pópós, que estão por todo o lado!

PS: Ó carissimo Adriano, os seus escritos e respectivos visuais de carros mal estacionados em todo o lado, coincide com as autênticas cloacas que despejam carripanas nos meios urbanos, sem que estes estejam preparados para isso! Se há uma auto-estrada gratuita que vai para uma aldeia, não será lógico que todos os proprietários de pópós vão neles? E quando lá chegam e notam que não há onde estacionar... Pois é!
O estacionamento selvagem não se trava com multas, tal como os acidentes nas estradas não se reduzem com mais multas, mas sim, uns e outros, com tirar carros das estradas e das urbes, doa a quem doer! E isso só se faz com uma aposta decidida e decisiva no transporte colectivo, que por sua vez apenas pode cumprir capazmente a sua missão com a retirada dos milhões de carros particulares da sua frente!
Uma pescadinha de rabo na boca que só deixará de o ser quando aparecer um estratega!

Adriano Ribeiro disse...

Caro amigo Luís Pessoa
Agradeço o seu comment” que está excelente.
Mas o meu caríssimo amigo cai na tentação de confundir, generalizando, e acaba por tomar o todo pela parte.
As suas ideias (criticas, no fundo), merecem ser debatidas, mas não nesta caixa de comentários. Programámos para a semana que vem o post “Cronicando à quarta-feira” onde tentarei escalpelizar o seu pragmatismo de virtualidades comportamentais negativas dos cidadãos. Na maioria dos casos estou de acordo consigo, mas se há culpados neste comodismo urbano, as responsabilidades já vêm de muito longe e começam praticamente quando nós deixámos de receber “as vantagens económicas” que vinham das ex-colónias. O Povo “aburguesou-se com a Revolução, julgou que era rico com a entrada na EU e não teve mãos nas dívidas que acumulou. E a Banca aproveitou-se disso.

Três pontos fundamentais a serem debatidos:
1-As vias rápidas e sua utilização como factor de desenvolvimento económico ( o que se pretende de uma boa “Circulação Rodoviária”.)
2-A especificidade de utilização do IC19 considerando os pontos rodoviários de Queluz/Masssamá, Cacém/Agualva e desde Rio de Mouro até Mem Martins.
3-O troço da A2 entre o Pragal e o Fogueteiro se não existisse como é actualmente não prejudicaria significativamente um Distrito onde a pobreza abunda, por falta de apoio de estruturas sociais?

Tenha um Bom Fim-de semana e dê um passeiozito até ao Escaroupim. Passa-se lá uma boa tarde.

Abraço. Adriano Rui Ribeiro

luis pessoa disse...

Meu caro Amigo, estarei atento ao debate.
Reconheço que a minha posição sobre o assunto é um bocado "fundamentalista" e daí o todo pela parte e a parte pelo todo.
Para mim não há espaço para a justificação ou não de pequenas vias ou troços, mas sim o principio básico em que deve assentar a aposta numa política de sustentação rodoviária de mobilidade.
Não é importante para mim o argumento de que se constrói uma via porque há 1000 pessoas sem outro acesso, mas sim, se não haverá uma política mais ambiental, mais correcta, mais honesta para as pessoas e para o ambiente, que passe por montar uma estrutura de transpostes colectivos para essas 1000 pessoas. Aí é que está, para mim, a questão principal.
Falo, claro, do transporte privado. A questão das mercadorias é outro problema.
Claro que, subjacente a tudo isto, temos o problema base de tudo: A ausência de planeamento e ordenamento territorial, que terá de ser SEMPRE o primeiro passo de qualquer solução, na minha modesta opinião.
E até hoje só vi serem reivindicadas e tomadas decisões casuísticas,apoiadas em coisa nenhuma ou com argumentos muito próximos e desprovidos de olhares à distância e para o futuro. Isso é que mais me preocupa, quando se fazem estradas e túneis para servir meia dúzia de casas, incentivando-se que essa dúzia passe a centenas e depois a milhares, até os autarcas "serem obrigados" a fazer mais vias, porque aquelas não chegam. Ou seja, o planeamento não existe e todas as medidas são tomadas como consequência.

Obrigado pela sugestão, que se calhar vou mesmo seguir, se a chuva não vier perturbar este domingo, como parece ser o caso. Um abraço

Anónimo disse...

Senhor Adriano
Estou de acordo com as preocupações daqueles dois autarcas da Margem Sul
Mas não acredito que vão taxar aquela estrada e nem a da Caparica
Cumprimentos para a sua familia
Maria de Lourdes Bonito. Amadora

Obrigado Pela Sua Visita !