BANCADA DIRECTA: Cronicando à quarta-feira. Uma troca de ideias entre dois amigos sobre possíveis troços de vias rápidas a portajar. Com o demo do Salazar a espreitar

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Cronicando à quarta-feira. Uma troca de ideias entre dois amigos sobre possíveis troços de vias rápidas a portajar. Com o demo do Salazar a espreitar

Cronicando à quarta-feira. Uma troca de ideias entre dois amigos sobre possíveis troços de vias rápidas a portajar. Com o demo do Salazar a espreitar este debate.

Caro amigo Luís
Sabendo o meu caríssimo amigo que vou dividir esta nossa troca de ideias em 3 pontos, comecemos pelo aspecto comportamental negativo que norteia as nossas lusitanas gentes.

Respigo a sua ideia de que
“O problema é que se optou pelo novo riquismo de se considerar que ter um pópó é que é fino e que ter um desses objectos poluentes é um direito! E contra isso não há nada a fazer!”

Claro que se para alguns ter um automóvel à porta é um novo riquismo e se é uma verdade absoluta, também temos de considerar que qualquer pessoa activa (que tenha uma actividade normal para sobreviver a si e à sua família), com o frenesim de vida diária que grassa nos nossos tempos, não ter um meio de transporte próprio é estar desajustado com a realidade. Concordo com o meu amigo de que há muitas pessoas que utilizam diariamente o seu automóvel em regime individual, não cuidando de que seria muito mais económico se o mesmo fosse posto à disposição da família num colectivo de utilização. E, francamente, reconheço que no IC19 os exemplos proliferam. Mas a condição humana é mesmo assim.

O meu caríssimo amigo tece este conceito: num país miserável, de pessoas que vivem em condições deploráveis, quem não tem um carro? A verdade tem que ser dita: um carro é um objecto de ricos, que consome mais recursos que um filho, que é absolutamente inviável e improdutivo, pelo que apenas deveria ser usado em último recurso e como objecto de luxo que é, deve ser taxado como tal, pelo menos nos locais onde há alternativas….

Vamos lá ver. O sistema de vida actual para um casal de extracto médio consiste em cada membro ter um automóvel próprio, ter casa própria e no caso de haver filhos, há logo a preocupação de eles obterem a licença de conduzir aos 18 anos. E de imediato tem de se comprar um popó para o menino ou menina. Claro que esta filosofia de vida tornou-se inviável economicamente na generalidade das famílias. Surge o endividamento, assegura-se mais um crédito para pagar as dívidas já existentes e o total do endividamento cresce como uma bola de neve. Mas todas estas verdades não invalidam que muitas pessoas precisam do seu automóvel como de pão para a boca.

São os tempos actuais. E como era dantes?
Vamos recuar ao tempo da Ditadura que assolou este país quarenta e oito anos. Já nesse período de tempo António Oliveira Salazar definia desta maneira a generalidade do povo português: "O português é eivado de individualismo e toda a regulamentação da sua actividade privada lhe é molesta. Penso que tem de refazer neste ponto a sua educação e que o seu modo de ser não se ajusta às necessidades dos tempos." In Discursos de AOS em 1949

"Para a formação da consciência pública, para a criação de determinado ambiente, dada a ausência de espírito crítico ou a dificuldade de averiguação individual, a aparência vale a realidade, ou seja: a aparência é uma realidade política"

1960. Salazar de férias com Christine Garnier

As citações de Salazar vem a propósito de acentuar que as características de individualismo e egocentrismo dos portugueses não é só dos tempos actuais mas que já vem de muito longe. Salazar sabia das fraquezas comportamentais deste povo, da sua pouca cultura, da sua iliteracia e aproveita-se para o dominar e fazer da sua vida uma autêntica escravatura. A máquina de repressão salazarista actuava com eficiência e para o ditador nunca lhe interessou que este povo evoluísse culturalmente e tivesse consciência dos seus direitos cívicos.

Ora isto só quer dizer ao meu amigo que este comportamento individualista deste povo já não é de agora mas já vem de longe. Mas provocado por terceiros. E contra este mal, batatas.
Veio o 25 de Abril e houve um tempo de felicidade colectiva.
Quem não aprecia a liberdade? Viva a democracia!
Porém, depressa se viu que as santas e amplas liberdades seriam quase um exclusivo para alguns desgovernantes, que se enriqueceram, se aliaram aos economicamente poderosos e empobreceram o país.
A Nação carece de justiça, escasseia em segurança, desconhece o equilíbrio social, sente-se deprimida perante a incompetência e os abusos de quem tem detido o poder.

Os sentimentos de liberdade depressa deram em abusos das mais variadas formas, onde a falta de respeito pelo seu semelhante era uma das piores situações. Alastrava o conceito de que a minha liberdade só era efectiva se não prejudicasse a liberdade dos outros, Mas depressa caiu em saco roto.

O povo convenceu-se de que isto passaria a ser um Éden de maravilhas. Aburguesou-se com as liberdades e mais algum dinheiro nos vencimentos. Com a entrada na EU em 1986 convenceu-se de que era rico e endividou-se. A corrupção alastrou como os tentáculos de um polvo. Os políticos marimbaram-se para o que o povo esperava deles e cada um começou a governar-se da forma mais habilidosa. O povo em vez de reprovar estes comportamentos dos corruptos ainda os venerava a aprovava as suas habilidades. Era um fartar vilanagem. Começou a tomar efeitos de verdade absoluta a geração “casa dos pais”.

A Finlândia recentemente para aprovar o empréstimo a Portugal hesitou bastante, mas não se coibiu de afirmar o que o povo português queria era praia e sol e trabalhar nickles.
Falarei a seguir das especificidades do IC19. É que o IC19 não existe só para as gentes que vivem nos grandes centros urbanos da Linha de Sintra. (Amadora, Queluz, Massamá, Cacém, Rio de Mouro, Tapada, Algueirão e Mem Martins). Serve toda uma comunidade envolvente que vai muito além do seu eixo de percurso. Para Sul vai até Leceia, Aboboda, Trajouce, Albarraque, Linhó etc. Para Norte é impressionante o tráfego que vindo da IC19 se dirige para a zona da Várzea de Sintra, Colares, Fontanelas, Zona do Magoito, São João das Lampas, Assafora, Terrugem até Santa Susana. E no outro eixo viário temos Pêro Pinheiro e Montelavar

Por hoje fico-me por aqui. Logo que possa continuarei o tema

Creia-me com amizade

Adriano Rui Ribeiro

Sintra. 2011. Outubro.25

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