BANCADA DIRECTA: Fragmentos e Opiniões. Em entrevista, António Vitorino considera que a queda da Grécia pode acarretar o colapso do euro e este à desagregação da União

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Fragmentos e Opiniões. Em entrevista, António Vitorino considera que a queda da Grécia pode acarretar o colapso do euro e este à desagregação da União

Fragmentos e Opiniões.

Em entrevista, António Vitorino considera que a queda da Grécia pode acarretar o colapso do euro e este à desagregação da União Europeia.

Numa entrevista ao Expresso, o antigo comissário europeu diz que os efeitos de tal acontecimento seriam devastadores para o mercado interno - o verdadeiro coração da União - na medida em que o contágio de um incumprimento grego seria imediato e não apenas para os pequenos países como Portugal e Irlanda

Em causa estariam logo a Itália e a Espanha que, juntas representam 27% da economia europeia. Com tudo isto, diz António Vitorino, "já estamos a falar de mais de um terço da economia europeia afectado pela pressão dos mercados com base na questão da dívida". Só a banca francesa detem 600 mil milhões de euros dos países sobre-endividados.

António Vitorino também se manifesta contra a via federalista - se bem que considere fundamental discuti-la - e diz que perdeu as ilusões da refundação da União Europeia quando a Europa passou de 15 para 27 membros e se fez o Tratado Constitucional: "O caminho não é por aí".

O "pesado encargo" português

"Desconfio muito das lógicas de excesso de zelo. Tal como na culinária, os ingredientes têm de ser misturados na justa proporção"

Mas António Vitorino defende que existem soluções para a actual crise e que elas já estão aí: os programas de assistência financeira aos Estados e a reformulação do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF). O problema, considera, é o ritmo da política, que está desadaptado ao dos mercados, neste tempo de globalização financeira.

Quanto a Portugal, o político socialista, que se afirma retirado da política activa, diz que tem um "pesado caderno de encargos" a cumprir, mas mostra-se desconfiado em relação ao que chama "as lógicas de excesso de zelo".

"É fundamental por em ordem as finanças públicas (...) mas se não se acrescentar a componente de crescimento económico, não há saída".

Segundo António Vitorino, este ano a Europa (incluindo a Alemanha) irá entrar em recessão.

Votos cruciais

A entrevista de António Vitorino surge numa altura em que uma série de países vão votar nos seus Parlamentos a reformulação do FEEF, que lhe permitirá, nomeadamente, a compra de títulos da dívida dos países em situação difícil no mercado secundário.

Sem o acordo de todos os 17 Estados-membros da zona euro, essa reformulação - peça chave das decisões tomadas a 21 de Julho para resolver o problema da dívida soberana - não pode entrar em vigor.
Dos 17 Estados oito já votaram, mas faltam alguns considerados cruciais, na medida em que têm colocado muitos problemas: a Finlândia, que vota hoje, e a Alemanha, amanhã, onde o voto está a ser objecto de dura luta política dentro do próprio partido da chanceler Angela Merkel.
O último a votar será a Eslováquia, no 11 de Outubro, cuja primeira-ministra encarava a possibilidade de pôr a votos igualmente uma moção de confiança do seu Governo de coligação. A Eslovénia, a Estónia e a Áustria também têm planeado votações nos próximos dias.

No fim-de-semana foram divulgados planos de que estaria na forja um grande aumento da capacidade do FEEF (para dois biliões de euros dos actuais 440 mil milhões).

2 comentários:

Anónimo disse...

Oh pá|!
Este fadista está cheio de grana à custa da politica.
Não é de fiar qualquer opinião sua.
Carlos Silva

Anónimo disse...

Luis Pessoa diz
Tudo isto é curioso numa Europa que tudo tem feito nas costas dos seus cidadãos. Estes só podem ser ouvidos quando não interessa para nada. Os tratados que foram recusados pelos cidadãos, foram de pronto aprovados pelos parlamentos! Assim se criou uma estrutura europeia completamente às escondidas daqueles que deviam ter uma palavra em tudo o que mete soberania, política, qualidade. A loucura de chamar mais e mais países à UE, para "dar uma lição" aos americanos, fez com que a Europa se transformasse a todo o gás numa amálgama de países sem nada para dar, mas sem levantarem ondas, também. As sucessivas gerações de governantes nunca foram mais do que executores dos projectos e planos de economistas virados para os números, não para as pessoas. O pior é que continuamos na mesma senda, convencidos (??) que vamos no bom caminho! No bom caminho dos bons alunos da Europa, fazendo aquilo que esses economistas falhados ditam como "únicas soluções"!! Soluções? Quais? Criar e desenvolver miséria? Reduzir direitos e poderes soberanos? Sempre referimos que a eleição de Cavaco Silva era um erro histórico que havia de ser pago multiplicado por um elevado factor! Cavaco Silva foi o pai desta crise em Portugal e será o seu principal dinamizador, calando as denúncias que um Presidente da República deve fazer e apontando as soluções que ele não foi capaz de fazer. Este senhor António Vitorino é um dos eternos segundos, terceiros, etc, mas nunca se chegando à frente. Foi comissário desta Europa, comeu no prato desta Europa, contribuiu tanto para este descalabro como muitos outros e quase tanto como Cavaco, mas agora dá entrevistas. Ele sabe! Só que nós não sabemos o quê! Só novas ideias, novos rumos, novas pessoas poderão acrescentar alguma coisa a esta miséria intelectual, a este deserto.
Luis Pessoa

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