BANCADA DIRECTA: Fragmentos e Opiniões. Lembra-me um amigo meu, que de vez em quando será preciso tomar uma vacina contra a raiva!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Fragmentos e Opiniões. Lembra-me um amigo meu, que de vez em quando será preciso tomar uma vacina contra a raiva!

Fragmentos e Opiniões.

Lembra-me um amigo meu, que de vez em quando será preciso tomar uma vacina contra a raiva!


Mais do que coerência politica, nota-se que existem sentimentos de raiva nos partidos da Oposição nos seus comportamentos diários e reacções, não só em relação ao partido vencedor das eleições, mas também em relação ao Chefe do Governo. Os outros adversários para eles não têm valor ou importância. Quer sejam da esquerda ou da direita, mesmo com sentimentos comuns de governação possível.

Antes de entrar no tema vamos lá a definir a raiva nas duas vertentes, para não haver mistura de análises.
Raiva como sentimento:

Raiva é um sentimento de protesto, insegurança, timidez ou frustração, contra alguém ou alguma coisa, que se exterioriza quando o ego sente-se ferido ou ameaçado. A intensidade da raiva, ou a sua ausência, difere entre as pessoas. Joanna de Ângelis aponta o desenvolvimento moral e psicológico do indivíduo como determinante na maneira como a raiva é exteriorizada.

A raiva também pode ser um sentimento passageiro ou prolongado (rancor) e a expressão da irritabilidade e agressão humana. Outros nomes como fúria, ira, cólera, ódio, crueldade, etc. aplicam-se à distintas formas ou modulações desse sentimento que enquanto expressão do instinto de agressão é extensível aos demais vertebrados.

A Raiva como doença

A rábia ou raiva (também conhecida impropriamente como Hidrofobia), é uma doença infecciosa que afecta os mamíferos causada por um vírus que se instala e multiplica primeiro nos nervos periféricos e depois no sistema nervoso central e dali para as glândulas salivares, de onde se multiplica e propaga. Por ocorrer em animais e também afectar o ser humano, é considerada uma zoonose.

A transmissão dá-se do animal infectado para o sadio através do contacto da saliva por mordedura, lambida em feridas abertas, mucosas ou arranhões. Outros casos de transmissão registados são a via inaladora, pela placenta e aleitamento e, entre humanos, pelo transplante de córnea. Infectando animais homeotérmicos, a raiva urbana tem como principal agente o cão, seguido pelo gato; na forma selvagem, esta se dá principalmente por lobos, raposas, coyotes e nos morcegos hematófogos.
Mesmo sendo controlada nos animais domésticos em várias partes do mundo, a raiva demanda atenção em razão dos animais silvestres. Em saúde pública gera grande despesa para seu controle e vigilância, mesmo nos locais onde é considerada erradicada ou sob controlo, já que é uma doença fatal em todos os casos que evoluem para a manifestação dos sintomas. Até 2006 apenas 6 casos de cura entre humanos foram registados, dos quais 5 haviam recebido o tratamento vacinal e somente um, em 2004, parece não haver recebido estes cuidados.

A sua incidência é global, salvo em algumas áreas específicas em que é considerado erradicado, como a Antárctida, Japão, Reino Unido, e outras ilhas.

Confesso solenemente que sempre gostei de ouvir falar Francisco Louçã. Ainda me lembro das suas crónicas na TSF, final anos oitenta, aí pelas 8 da manhã, onde apontava criticamente o que estava mal na política da altura e dos políticos que a ela presidiam. Não era só a sua justeza das palavras e orações que empregava, mas sobressaía o tom afável e sereno como as pronunciava. Eram palavras suaves mas atingiam os alvos de uma forma impiedosa. Nele respirava-se "Democracia comportamental". Mas os tempos mudaram e o seu Partido passou de um simples arremedo a um grande partido com representação parlamentar acentuada.

E as suas atitudes e as suas palavras mudaram de tom, tornaram-se agressivas, que não atingem os desideratos que pretende e dá mostras de no seu comportamento habitual, frequente, e como imagem de marca, ter uma raiva pessoal contra o primeiro-ministro, toldando-lhe, por vezes, a fluência para atingir os seus pontos de vista. Ou melhor, mostra uma fluência tal, que qualquer pessoa nota que não é espontânea mas sim já preparada cuidadosamente. Sibilinamente, a roçar o que a ética proíbe aos deputados.

A raiva é uma das principais emoções que moldam o espaço político. E ela tem sempre o mesmo significado: impotência. É o momento em que o adversário se transforma em inimigo, passando a valer tudo menos o respeito pela sua legítima e bondosa diferença. Nesse sentido, a falta de controlo emocional é antidemocrática, pois a democracia depende da racionalidade discursiva para ser eficaz e eficiente. A democracia precisa da retórica para sobreviver, é a sua língua – sendo a Lei o seu corpo. A retórica é neutra, qual talher ou bisturi. Podemos comer, podemos tratar, podemos ferir, podemos matar com os mesmos instrumentos. É a mesma mão que os segura.

Em todas as democracias encontramos expressões de raiva. É endógena à oposição. E serve de critério para reconhecer agentes políticos em combate. Por exemplo, um jornalista. Formalmente, pode estar a representar o suposto papel de mediador e divulgador, simulando ser parte do processo de comunicação entre a realidade noticiável e a audiência. Porém, as manifestações de raiva, bastas vezes em modo de sarcasmo, dão conta da sua militância e disfunção deontológica.
PCP e o BE rangem os dentes em fúria contra todo o sistema político e económico que lhes frustra a utopia. E PSD e CDS enchem o peito de ódio contra o PS que lhes frustra a ida ao pote. O resultado viu-se em Setembro de 2009 e ver-se-á em todas as eleições seguintes, com ou sem Sócrates. Porquê? Porque a maior parte do eleitorado que gera riqueza sabe que é pobreza social o que nasce da pobreza intelectual.

Enfim: Vacinem-se!

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