Fragmentos e Opiniões. Em mar revolto o PS está quase a ir ao fundo
Clara Ferreira Alves chama-lhe "naufrágio"
Quando o navio se afunda convém que o capitão e a tripulação não abandonem o leme, controlem o pânico e salvem o que há a salvar. O que não convém é que desatem aos berros, cada um para seu lado. O grande barco socialista começou a meter água. Soube-se pelos jornais que a eurodeputada Ana Gomes exige uma remodelação que afaste o ministro das Finanças. Que os soaristas e outros 'sectores' socialistas andam, como Diógenes, à procura de um homem que substitua José Sócrates.
Esta figura é quem mais pede a remodelação
É, por grosso, um quadro político de grande serenidade, capaz de nos acalmar e, sobretudo, de acalmar os irrequietos mercados que nos esfolam vivos todos os dias, ou por causa da Grécia, ou por causa da Espanha, ou por causa da Irlanda. E nunca, evidentemente, por causa deste Portugal e deste quadro político pitoresco em que todos falam e ninguém sabe o que diz. Depois da entrevista que deu, Amado deveria ter, parafraseando Durão Barroso quando foi primeiro-ministro e teve insubordinação grave, umas horas para adoecer e 24 horas para se demitir.
Desautorizando o primeiro-ministro, o Governo e o país nas instâncias internacionais - acudam-nos, estamos a afundar-nos e não há escaleres - e contribuindo não modestamente para um retrato confuso de um país endividado e desorientado, Luís Amado teve, como ele diz, "um desabafo". Público. E nós que pensávamos que o ministro dos Negócios Estrangeiros, chefe da diplomacia portuguesa, representante da dignidade nacional, seria o último a perder a graça sob pressão, como diria Hemingway. E, mais confuso ainda, o primeiro-ministro, correndo maratonas a oriente, ou numa dessas viagens oficiais que o poupam ao vexame europeu, mandou dizer primeiro que "compreendia a posição de Luís Amado" e que a culpa era do PSD, que não queria "responsabilidades governativas". E mandou dizer em seguida que tinha ficado "muito irritado" com Luís Amado.
Será que esta figura perfila-se para suceder a Sócrates?
Temos assim um Governo que deixou de governar. Um primeiro-ministro irreconhecível. E ministros cansados. Governantes que estão fartos. E uma situação financeira explosiva que nos empurra para o fundo, num remoinho de culpas e rancores. Não seria o momento mais adequado para perder a cabeça nem para assacar ao PSD as responsabilidades próprias, acusando o outro partido da falta de coesão intrínseca do partido do governo. Vagueamos numa mole resignação.
Será esta figura o pomo da discórdia?
















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