Fragmentos e Opiniões. Apesar de navegar em aguas instaveis, o Euro conseguirá chegar a bom porto e sobreviverá!
Reflectindo sobre a “força “ do Euro
Leio o “Le Monde” de Paris e preocupa-me, sem ter bases concretas, o futuro do Euro, uma moeda que parecia tão forte e intocável
A opinião do jornalista Alain Frachon
Alain Frachon é diretor editorial do diário Le Monde, do qual foi, nomeadamente, correspondente em Washington e chefe de redação. É autor de vários livros, entre os quais L’Amérique des néoconservateurs, (ed. Librairie académique Perrin, novembro de 2010).
O tom é de comiseração, as palavras são as das grandes tragédias: é preciso salvar o euro, então! A "criatura" está doente e é capaz de morrer. Bem vos tínhamos prevenido: não se pode criar uma zona monetária sem uma união política. Na sua ambição faustiana, na insana pretensão de fazer da Europa um dos atores globais do século XXI, os eurocratas criaram um monstro: a zona euro.
Esta não é sustentável, é fruto de uma vontade política e não de uma realidade económica; contraria os bons costumes liberais – portanto, vai explodir. Se não for amanhã, será depois de amanhã, por contágio, sob o peso das dívidas públicas ou bancárias da Irlanda, a seguir de Portugal, depois da Espanha...
Ah! Neste momento, não há nada como ler a imprensa britânica para melhorar o nosso estado de espírito. Uma delícia matinal. Sobre esta matéria, o brilhante e ultra conservador Daily Telegraph é obrigatório: cada uma das suas linhas quase não consegue esconder a alegria por enunciar as desgraças do euro.E do Financial Times a The Economist, embora os comentários sobre a crise irlandesa sejam mais sofisticados, o registo é idêntico: a moeda única não se vai aguentar, alguns dos seus membros vão abandoná-la. Estamos para além do comentário de imprensa, do wishful thinking do editorialista: trata-se de uma batalha ideológica.
Organizações contra-atacam
O que o míssil antiaéreo vindo de Londres tem de preocupante é ser também o reflexo do que pensam muitos operadores nos mercados. Por isso, como aconteceria na Debating Society, da London School of Economics, organizemos o contra-ataque.Assinalemos que os problemas da Irlanda resultam de uma política económica delirante e não do facto de a ilha pertencer à zona euro. Observemos que o Reino Unido, que não está no euro, tem, em termos de finanças públicas, uma situação mais degradada do que a França, país fundador da União Monetária. Resta uma realidade: a zona euro tem atravessado crises recorrentes, induzidas pelo peso da dívida dos seus membros mais débeis.
Infelizmente, os mercados não vão deixar de testar a solidez da união monetária. Enquanto tiverem dúvidas, vão fazer aumentar as taxas de juro sobre os empréstimos aos Estados periféricos da zona euro. Será preciso fazer-lhes frente, ou seja, obrigar os outros Estados da zona a dar garantias – in fine, o dinheiro dos contribuintes – para socorrer os membros mais débeis? Trata-se de uma questão política. Resposta também política: o euro merece essa batalha.
Os europeus retiraram lições da crise grega. Dotaram-se de um pneu suplente duplo: o Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira (MEEF, 60 mil milhões de euros), e o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF, 440 mil milhões de euros). A estes junta-se o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI), disposto a conceder uma ajuda suplementar, que pode ir até 50% da soma proveniente da União Europeia (UE). No total, poderão ser mobilizados fundos da ordem dos 750 mil milhões de euros. O acordo entre Dublin, a UE e o FMI incide sobre um plano de ajuda de 85 mil milhões de euros, o que deixa uma boa margem.

















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