BANCADA DIRECTA: Esta Lisboa que eu amo. Os antigos cinemas da Almirante Reis

sábado, 26 de junho de 2010

Esta Lisboa que eu amo. Os antigos cinemas da Almirante Reis

Esta Lisboa que eu amo (Recordar é Viver)

Os antigos cinemas da Almirante Reis

Faço a viagem numa directa de 9 horas e chego a casa por volta das 19h00. Ainda publíco o vídeo do convívio da TPL e de uma manifestação sindical. Vejo resumos do Portugal/Brasil, dado que não assisti em directo. Uma pequena refeição e deito-me cêdo. Nem o barulho desafinado e tosco do conjunto musical que actuava no bailarico da colectividade aqui perto me consegue acordar. Neste Sabado acordo e levanto-me cêdo e vou de manhã à Agriloja de Mafra comprar uma saca XXXL de carvão (que é excelente). Amanhã há sardinhada para a familia.

Já de tarde resolvo trocar de carro. O C2 precisa de dar umas voltas. Se não vai-se abaixo. E qualquer dia tem a inspecção obrigatória a jeito. E, ainda por cima, o Clio precisa de descansar uns dias até à próxima semana. Desloco-me para Azeitão. Tive de passar pela Elias Garcia e depois optei por descer a Avª Almirante Reis, seguir pelo renovado Terreiro do Paço para atingir Alcântara e depois a Ponte 25 de Abril. Ao passar pela Alameda D. Afonso Henriques vejo o antigo cinema Imperio, ora transformado numa Igreja de proveitosas receitas fiduciárias. Parece que lhe chamam dízimos e dizem que quem investe em Deus tem retorno garantido. Se o Jorge Jesus tem seguido esta ideia, hoje não se lamentava. Mas ele está bem!

Ao descer a Avenida vejo os antigos cinemas e a ideia deste post surge-me.....

Logo na esquina da Alameda D. Afonso Henriques surge-nos o edifício do antigo cinema Império.

INAUGURAÇÃO DO CINEMA IMPÉRIO
Decorria o ano de 1953 e Lisboa passava a dispor de mais uma sala de cinema.

O novo grande fórum apresentava-se com a frente para a Alameda D. Afonso Henriques.

Quem sobe a Avenida Almirante Reis, ainda hoje pode ver, imediatamente à esquerda, antes de atravessar a grande artéria, o majestoso edifício a fazer esquina.

Poderá ainda reparar-se no grande Café do mesmo nome, com a entrada virada para aquela Avenida, criado certamente com intuito de apoio aos cinéfilos, ao mesmo tempo constituía uma das referências da zona como tertúlia, pois tinha também um espaço de bilhar.

Actualmente renovado, continua ainda e sempre a ser um espaço lúdico a servir o bairro habitacional subjacente.

Em 1953/10/07, deu-se a estreia de grande sala, com o filme “MÁSCARAS DE CERA”, tendo como protagonistas principais Vicente Prince, Frank Lavejoy, Pkyillis Kirk, Carolyn Jones e Paul Pircerny.

Seguiu-se “MISS ITÁLIA”, protagonizado pela famosa beldade Gina Lollobrígida.

Quatro anos após a sua inauguração apareceu a televisão. Foi o início do descalabro das salas de cinema por todo o lado. O Império não resistiu O mundo do cinema não terá sido afectado de imediato, porém depois os seus gestores tiveram a necessidade de o adaptar, mormente no que diz respeito às grandes salas de exibição.

Foi o caso do “IMPÉRIO”, actualmente ao serviço de um organismo dito religioso, igual a muitos dos que o homem tem criado, como se não houvesse apenas um único Deus e tivesse passado a haver deuses para todos os gostos e sensibilidades.


O Cinema Império, por seu turno, foi adquirido no começo dos anos 1990 pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que fez do edifício na Avenida Almirante Reis a sua sede em Lisboa.

Dos filmes que vi no Império lembro-me de “Trapézio”, (Burt Lancaster, Gina Lollobrigida e Tony Curtis), “Piquenique” (Willian Holden e Kim Novak), “ O gigante” (James Dean) e muitos outros.

Passo pela Praça do Chile e numa rua paralela, a Rua Francisco Sanches (onde residia o saudoso Fernando Peiroteo, um dos cinco violinos do Sporting) existia o Imperial, ex Pathé. Foi um dos cinemas da minha infância

Na primeira metade dos anos 20 abriu em Arroios um novo cinema de bairro com o nome Pathé. No Verão de 1931 são efectuadas obras de beneficiação que incluem uma modernização dos equipamentos e instalação de um sistema sonoro. Desde essa data a sala passou a chamar-se Imperial, nome que recebeu logo de início uma aceitação muito maior por parte dos seus frequentadores. O Imperial tinha capacidade para 732 espectadores.

Nos anos 50 com o surgimento das grandes salas o Imperial tinha forçosamente que se modernizar. Na década de 70 foi tomada a decisão de demolir o edifício e construir outro novo e mais moderno no seu lugar. A nova sala regressou ao nome de origem mas depressa recuperaria o nome Imperial com que os lisboetas sempre se identificaram.

Localização: Rua Francisco Sanches nº 154

Já na zona dos Anjos, paredes-meias com o Intendente aparece o antigo edifício do cinema Lys.

Situado na Avenida Almirante Reis, nº 20, teve a sua inauguração a 11 de Dezembro de 1930. Propriedade de Abraão de Carvalho, era seu gerente Aníbal Contreiras, fundador da Lisboa Filme. Com uma capacidade de 553 lugares, caracterizou-se por uma afluência nunca antes vista, quer pela sua dimensão, quer por ser um cinema de “reprise”, para onde eram levados os maiores êxitos, imediatamente após a sua estreia.

A sua abertura, ficou marcada pelos filmes, “O Dominó Preto”, uma comédia alemã da UFA, interpretada por Harry Liedke, o drama “Águas de Tormenta”, a farsa “Caixeiro Viajante”, o filme português “Os Camelos” e um documentário nacional.
Em 1931, Joaquim Pedro dos Santos passa a ser o seu gerente, conseguindo fazer do Lys um cinema concorrido e com um público fiel.


Como tantos outros cinemas, também este espaço passou por importantes obras interiores, passando para cinema de estreia e adoptando o nome de Cinema Roxy. Esta nova fase teve a sua inauguração a 26 de Junho de 1973 com o filme “Alfredo, Alfredo”, de Pietro Germi.
Ao longo dos anos, a sua programação foi decaindo, tendo encerrado as suas portas no início de Abril de 1988, com o filme "Noite Infernal".

Lembro-me que vi lá um grande filme que até hoje ainda não me esqueci: trata-se do “O criado” (The servant, com Dirk Bogard, Sarah Miles e James Fox). Enredo impressionante em que um criado pernicioso e viciado consegue dominar o seu amo, faz com que este adopte os seus vicios e leva-o à desgraça. Para cúmulo ainda lhe rouba a mulher e a própria casa.

Depois de terminar a Almirante Reis entra-se na Rua da Palma e, logo, logo, aparece o edificio daquele que foi o Cine Rex.

O edifício do Cinema Rex, na hoje degradada zona lisboeta do Intendente, foi sede da Federação Espírita Portuguesa, fundada em 1925. Ficava ao lado do Real Coliseu onde depois abriu a garagem Auto Lis, junto ao belo chafariz do Desterro. Quando a Ditadura Nacional se transformou, por obra e graça do referendo de 1933, em Estado Novo, a Federação seria perseguida pelo regime e, em 1939, a sede passou a ser um cinema – o Rex.

A propriedade do edifício continuou a ser da Federação Espírita, mas a exploração foi atribuída a um particular, o senhor Eduardo Ferreira, um «industrial», como o classificam os documentos, que procedeu às obras de adaptação e construiu um belo cinema com capacidade para 478 espectadores.

Por cima da sala de cinema, equipada com um palco que podia funcionar para espectáculos teatrais, havia um grande salão onde se celebravam carnavais e réveillons. O cinema encerrou em 1967, reabrindo em Dezembro do ano seguinte com o nome de Teatro Laura Alves. Actualmente, implantado na zona mais degradada do centro de Lisboa, está transformado numa feia superfície comercial.


E depois de terminar a Rua da Palma entra-se no Martim Moniz e ainda se vê o representante máximo dos cinemas muito populares, o Salão Lisboa, mais conhecido pelo "Piolho".
O Salão Lisboa abre as suas portas em 1916.
Em 1928, iniciam-se obras de melhoramentos no seu interior, como forma de corresponder às exigências do público e ao aparecimento de novas salas.

Em 1932 efectuam-se novas alterações, principalmente na fachada. A sua lotação era de 510 espectadores.
Em 1972, o Salão Lisboa suspende a sua exploração cinematográfica, passando aí a funcionar um armazém de revenda que, no entanto, continuou a manter na frontaria o nome de Salão Lisboa.


O edifício do Salão Lisboa ainda lá está mas toda a zona do Martim Moniz foi alterada e hoje em dia o centro da praça possui quiosques e fontes. Em cada lado da praça encontram-se os Centros comerciais da Mouraria e do Martim Moniz enquanto no topo sul da Praça existe actualmente um Hotel. À volta do Salão Lisboa também tudo mudou, com as demolições de tudo à sua volta. Nada escapou, nem mesmo marcos históricos da cidade como a igreja do Socorro e o Arco do Marquês de Alegrete. É uma sorte o Salão Lisboa ter escapado até hoje à fúria demolidora da modernidade e especulação imobiliária.


Localização: Rua da Mouraria

Textos parciais e fotos retirados da net.

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