BANCADA DIRECTA: O saber não ocupa lugar. Temas de Medicina. A esclerose múltipla

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O saber não ocupa lugar. Temas de Medicina. A esclerose múltipla

O mistério da substância branca.
Parece o nome de um filme, mas não o é!
A realidade da esclerose múltipla


O saber não ocupa lugar. Temas de Medicina.
A esclerose múltipla (2ª parte do tema e conclusão).

Os dois primeiros dias são os mais críticos, tendendo a inflamação a desaparecer após varias semanas, embora a recuperação não seja completa. É, por isso que, num quadro de stress, de cansaço ou de febre, a visão pode turvar-se novamente, sem que isso corresponda a um surto novo de esclerose múltipla.
A função motora é uma das principais vitimam desta doença. O que se explica pelo facto do sistema nervoso conter um grande número de fibras que controlam os movimentos. O que acontece é que há uma perda de forças muscular nos braços e nas pernas, a qual pode oscilar entre dificuldade em mover os dedos até à paralisia.

Pode mesmo não haver possibilidade de recuperação. Os membros inferiores são os mais afectados, pelo que é comum o recurso a auxiliares de marcha (bengala) muletas ou até cadeira de rodas.

Agarrar pequenos objectos pode ser uma tarefa árdua para os doentes escleróticos: este cenário significa que a inflamação se instalou no cerebelo, a parte do cérebro que controla o equilíbrio e a coordenação de movimentos. Resultado: as mãos tremem, os passos são atabalhoados. E quando são danificadas as fibras nervosas que comandam o tacto é como se houvesse um encortiçamento nas pernas parecendo que se caminha sobre algodão. Formigueiro, picadas, corpo dormente são outras das consequências possíveis.
Entre os músculos afectados pontuam os da bexiga e dos intestinos, dois órgãos que estes doentes têm dificuldades em controlar. Assim, sentem com frequência aquilo a que se chama “incontinência urinária” – a necessidade de expelir a urina aos primeiros sinais de que a bexiga está quase cheia. E como têm pouca mobilidade, podem sofrer de obstipação.

A dor acompanha a esclerose múltipla: nos músculos das costas e das pernas, devido à dificuldade em caminhar, nas pernas e nos braços devido à contractura dos respectivos músculos, bem como na face.

Fadiga, dificuldades em pensar e em recordar. Alterações de humor e disfunções sexuais completam este quadro de sintomas de esclerose múltipla.

Viver com a doença é possível

A esclerose múltipla é uma doença crónica, o que significa que é para toda a vida. Não tem cura, mas não é fatal. O tratamento existe e permite lidar com os surtos, embora não faça regredir a doença. Entre os medicamentos mais usados incluem-se os corticosteróides, devido à sua capacidade para combater a inflamação. Têm, no entanto, efeitos secundários e não são adequados a todos os surtos. Há mesmo alguns que requerem apenas repouso e paciência até que os sintomas diminuam.
Mais recentes são os interferões, proteínas libertadas pelo corpo quando ocorre uma inflamação e que contribuem, nomeadamente, para reduzir a inflamação. Diminuem, pois, a probabilidade de surtos, bem como a gravidade dos mesmos, além de aternuarem os danos na mielina.

O tratamento passa também por actuar sobre os sintomas específicos da esclerose múltipla. Tais como o cansaço, a rigidez muscular, as alterações do tacto, as disfunções urinarias ou os problemas intestinais.

E é complementado com alguns cuidados que os doentes podem adoptar. Assim o repouso é essencial, de forma a poupar os músculos. Quem sofre de esclerose múltipla sabe que há dias que qualquer esforço, por mínimo que seja, é sentido como um esforço hercúleo. E sabe também que a exaustão, tanto física como mental pode agravar o seu estado. Estes doentes devem, pois, ter consciência das suas limitações e não tentar ultrapassá-las.

Por ser uma doença de evolução imprevisível, a esclerose múltipla é geradora de muita ansiedade. Não raro os doentes deixam-se cair em depressão ou tornarem-se intolerantes e agressivos para com os próximos. Não raro também foge do convívio social, isolando-se, porventura envergonhados pelo estado de dependência em que vão ficando.

A instabilidade comportamental mina as relações familiares e sociais, conduzindo, por vezes a situações de um isolamento total. Daí que sejam aconselhados a procurar apoio ao nível da psicoterapia, daí também que as associações que os representam prestam aconselhamento às famílias e demais cuidadores. Pode ser difícil lidar com a esclerose múltipla, mas é possível e desejável não ceder às limitações que a doença impõe.

Codificação dos conceitos


A esclerose múltipla é uma doença do sistema nervoso, crónica, desmielinizante e degenerativa. Vejamos o que significa cada um dos conceitos:

1- Chama-se esclerose múltipla porque, devido à doença, se forma um tecido semelhante a uma cicatriz, que endurece, deixando uma placa em algumas áreas do cérebro e da espinal-medula.

2- É múltipla, na medida em que afecta áreas do sistema nervoso, com sintomas que tanto podem ser leves como severos, que aparecem e desaparecem, total ou parcialmente, de uma maneira imprevisível

3- É desmielinizante porque causa uma lesão na mielina que envolve as fibras nervosas.

4- É degenerativa pois há também lesões das próprias fibras nervosas, as quais podem evoluir de uma forma irreversível.

Contribuições

O dia 4 de Dezembro é a data em que se assinala o “Dia Nacional da Esclerose Múltipla”. É que nesta data, mas em 1984, que nasce a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, uma instituição particular de solidariedade social que visa apoiar doentes e seus familiares.

Com esse objectivo, propõe-se intervir junto dos Organismos competentes, transmitindo a melhor informação disponível sobre a natureza da doença e a terapêutica no sentido de os doentes beneficiarem do apoio necessário.

Colabora igualmente com as unidades de saúde com a finalidade de sensibilizar os profissionais, de melhorar o acesso ao diagnóstico e vigilância por especialistas qualificados, promover um rastreio nacional que permita estabelecer prioridades para a abertura de consultas e centros de recuperação.

A SPEM intervém ainda junto da indústria farmacêutica no sentido de serem desenvolvidas pesquisas para o aperfeiçoamento dos tratamentos. Junto da opinião pública desenvolve acções de sensibilização para a doença.

No que respeita aos doentes, apoia-os em todas as vertentes, nomeadamente através de cuidados de saúde preventivos, curativos e de reabilitação

Para melhor alcançar estas metas associou-se em 200\ à Plataforma Saúde em Dialogo, uma aliança solidária de promotores de saúde e associações de doentes.

Com delegações na Beira Interior, Coimbra, Évora, Faro, Leiria, Porto, Santarém, Setúbal e Viseu, a SPEM tem sede em Lisboa na Rua Zófimo Pedroso nº 66, 1950-291.

Podem consultar o site: www.spem.org

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