BANCADA DIRECTA: O Hot Clube de Portugal ficou sem sede. Uma perda irreparável para a cidade e para o Turismo

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O Hot Clube de Portugal ficou sem sede. Uma perda irreparável para a cidade e para o Turismo

Hot Club: encerrada a sua sede
O Jazz está mais pobre!

O prédio da Praça da Alegria, em Lisboa, onde está instalado o Hot Clube de Portugal ardeu esta madrugada. Segundo o presidente da Junta de Freguesia de S. José, o edifício ficou sem condições para voltar a albergar aquele que se orgulha de ser um dos mais antigos clubes de jazz do mundo.
O Hot Clube fez no ano passado 60 anos de existência. “Eram cerca de 3h00 quando vi uma nuvem de fumo e alertei os bombeiros”, conta Vasco Morgado Junior, que mora no prédio contíguo. “O fogo começou na cobertura do edifício e veio por ali abaixo”. À excepção do Hot Clube, de um restaurante e de uma tertúlia, que funcionavam entre o rés-do-chão e a cave, o edifício não tinha mais ocupantes, encontrando-se devoluto nos andares superiores. Ignora-se a origem das chamas, embora seja possível que sem-abrigo se tenham introduzido de forma clandestina no prédio, entrando pelas traseiras.
JNPDI esteve hoje na Praça da Alegria para testemunhar os danos causados pelo incêndio que ocorreu esta madrugada no prédio onde funciona desde 1954 o Hot Clube de Portugal.
De acordo com Luís Hilário, responsável pela direcção artística do clube, o espaço não foi atingido directamente pelo incêndio, mas sofreu colateralmente com a água utilizada pelos bombeiros. E embora o Hot pudesse funcionar depois de limpo e seco, o estado geral do prédio - que neste momento não tem sequer telhado - compromete a sua continuidade neste edifício. Afectados de forma mais grave foram sobretudo o restaurante vizinho do Hot e a Tertúlia Festa Brava, espaços também definitivamente comprometidos com este sinistro.
Para amanhã está agendada uma reunião da direcção do clube com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, entidade detentora deste imóvel. Informalmente, circulam rumores de que a CML poderá propor a transferência do Hot para o Cinema S. Jorge, solução que, em nosso entender, está muito longe de ser ideal por poder constituir um “provisório definitivo” tão comum em Portugal... Bancada Directa não concorda com esta solução por tirar o ambiente tradicional à musica e aos musicos de Jazz. E em Portugal o que é provisório acaba por ser definitivo, desculpem lá a repetição da expressão.

No momento em que se especula se o incêndio terá tido origem num curto-circuito ou numa ocupação ilegal do espaço, uma equipa da CML fechou hoje a tijolo a porta da entrada do prédio. Assim se prova uma vez mais a sabedoria do ditado popular: “Depois de casa arrombada, trancas à porta”.

Neste momento triste e de fim de ciclo do Hot, é importante que a comunidade do jazz se una, por uma vez que seja, para impedir que o edifício venha a ser simplesmente entaipado pela CML e o Hot caia no esquecimento e pereça juntamente com ele. Compete à detentora do edifício, a Câmara Municipal de Lisboa, dar ao Hot os meios necessários para sobreviver a esta crise, certamente a mais grave da sua história, e poder renascer das cinzas.
Importa levar às instâncias de poder o conhecimento da importância do Hot também ao nível da economia de dezenas de músicos que aí actuam regularmente e ensaiam novos projectos. A nível da Freguesia de S. José, que tantos imóveis devolutos apresenta já, as consequências do encerramento do Hot são dramáticas, contribuindo para desqualificar e desertificar ainda mais o bairro...

1 comentário:

José António Baptista disse...

QUERO O HOT DE VOLTA !!!

J.A.B.

Obrigado Pela Sua Visita !