Cronicando à segunda-feira
Deixo a minha viatura em Rio de Mouro e “apanho” o comboio para o Rossio. No escaparate do quiosque da estação lobrigo um título de um jornal desportivo “Tudo a favor do Benfica”. Já dentro do comboio um utente desfolha um jornal gratuito do dia e lá vem em parangonas no interior “ Benfica recebe a Naval em jornada de brindes”. Curioso é que os passageiros, quase todos se embrenham, a ler estes jornais de uma forma apressada, tal como se deduz pela passagem rápida pelas folhas. Não quero entrar em conceitos analíticos do estado psíquico das pessoas que enchem uma carruagem, pois os seus semblantes podem revelar muitos sentimentos, mas nunca o de alegria de estarem vivos neste dia, a avaliar pela tristeza que se lhes nota nos seus rostos. País triste, gente triste. Reparo que muitos rapazes de cor, negros, passam de carruagem para carruagem, mochilas às costas, todos com telemóveis de 3ª geração a debitarem musicas personalizadas ou não. Modernices, mas que não deixam de ser sinais. Para eles a vida é uma alegria telefónica. E o inseparável aparato é sempre mais leve que um tijolo
Saio no terminal ferroviário e passo pela 1º de Dezembro e na volta pelo Rossio. Reparo que os passeios estão inundados de folhas de jornais gratuitos deste dia, espalhadas desordenadamente pelo chão. Triste espectáculo e indiciador de que as pessoas, depois de lerem um jornal gratuito, não têm a hombridade de deitar esse jornal num qualquer recipiente de papeis usados.
Mas que importa falar desses temas, quando o assunto do dia será o “Glorioso”. Até dá para esquecer este tempo de crise, que os combustíveis aumentaram meio cêntimo já de manhã, que o Paulo Portas afirma peremptoriamente que o Governo vai aumentar os impostos. E que o Prof Marcelo bate o Passos Coelho nas sondagens. Nem vejo que esta sondagem seja importante, aliás, já nem sei para que se refere…,Fala-se do Benfica e pronto. No Rossio entre a Casa da Sorte e a Ourivesaria Portugal um agente de autoridade está a fazer compenetrado uma acção de vigilância. Dinheiro e ouro combinam. Um pouco mais à frente perto da Pastelaria Suíça vejo um jornal todo espalhado no passeio, e tenciono recolhê-lo para o meter num caixa de lixo. Está aberto numa folha. Espreito casualmente e lá se fala no Benfica com o título Jesus, Benfica. O João Malheiro tem uma coluna. Meto o jornal no recipiente, mas guardo a folha que me interessa. E a crónica transcreve-se.

O País desportivo partiu-se em dois. No Benfica e no não Benfica. No Benfica de Jesus e no Benfica do ai-Jesus. O Benfica é a medida actual da bola doméstica. O Benfica do ai-Jesus é a antítese. E por que é que é? O Benfica de Jesus tem sido diferente? Diferente e, provadamente melhor. Até lancinantemente melhor.
O Benfica venceu o Campeonato de 2004/2005, sob a tutela de Trapattoni. Foi melhor, mas não tão melhor quanto isso. O Benfica venceu nas duas últimas duas décadas, outros campeonatos? Foi melhor, mas não tanto melhor quanto isso. Até quando o Benfica , esse Benfica de Vítor Paneira, de Rui Costa, de Paulo Sousa, de João Vieira Pinto, de Paulo Futre, esse Benfica não venceu, talvez, que até o não tenham deixado vencer.
Este Benfica, o Benfica de Jesus, lembra outro Benfica, o Benfica de Erikson, bi-campeão em 81/82 e 82/83. Esse Benfica foi melhor, mas muito melhor que a concorrência. Este Benfica remete para esse Benfica. Um Benfica melhor acicata a porfia. Um Benfica dinâmico assusta a contradita. Um Benfica adormecido, um Benfica murcho, um Benfica sem o glorioso hábito da vitória era um Benfica apenas bicado pela sua incomensurável grandeza histórica. Um Benfica corrigido, um Benfica impositivo, um Benfica com o glorioso hábito da vitória é um Benfica sempre bicado pela sua incomensurável grandeza competitiva.
Este Benfica é mesmo melhor que os antagonistas? Este Benfica tem sido até agora, melhor que os antagonistas. Se as coisas continuarem assim, teremos o Benfica de Jesus versus o Benfica do ai-Jesus. Vence o Benfica de Jesus ou o do ai-Jesus?. Os próximos tempos, nada cristãmente, só podem aguçar os ímpetos. Haverá ainda mais Jesus e mais ai-Jesus. Se Jesus ganhar vira, ele sim, o ai-Jesus da Catedral Vermelha
Que nesse caso, quererá dizer o predilecto, o mais querido do povo. E vira solenemente.
E logo a seguir lá vem. João Malheiro. Escritor e comentador desportivo.
No Rossio apanho o Metro para o Parque das Nações. Ainda não conhecia o “Campus da Justiça”. Nada mal. Óptimas instalações.
Da Gare do Oriente por Metro e comboio dirijo-me para Sintra. Neste percurso li o artigo do João Malheiro umas sete/oito vezes. Cada vez ficava mais embaralhado. Não admira que os passeios do Rossio estejam cheios de folhas de jornais desprezivelmente atiradas como um desperdício inútil. Com artigos deste clubismo snob!!!!!! E que não dizem nada, absolutamente zero.
E com tantas repetições que até faz dó. É um autêntico Ai-Jesus da má escrita.
Adriano Ribeiro












"Triste época em que vivemos, na qual é mais
fácil desintegrar um átomo do que
quebrar um preconceito."
( Albert Einstein )





































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