BANCADA DIRECTA: Recordar Carlos Paião numa emocionante sessão que decorreu hoje de tarde no Auditório da Casa de Cultura D. Pedro V em Mafra.

sábado, 30 de maio de 2009

Recordar Carlos Paião numa emocionante sessão que decorreu hoje de tarde no Auditório da Casa de Cultura D. Pedro V em Mafra.


Recordar Carlos Paião numa emocionante sessão que decorreu hoje de tarde no Auditório da Casa de Cultura D. Pedro V em Mafra.
A mesa dos trabalhos com José Fanha ao centro ladeado pela Dr.ª Maria do Deserto e por Luis Arriaga.

Com a sala do auditório completamente cheia realizou-se esta tarde uma sessão em que se pretendeu recordar a figura de Carlos Paião, enquanto compositor e cantor, mas também como homem bom e solidário.

A apresentação do livro “Inspirada na minha paixão” Carlos Paião 1957/1988 da autoria da Dr.ª Maria do Deserto foi o pretexto para a realização tão do agrado dos mafrenses admiradores do cantor popular cujas músicas lhes tocava o coração.

Na mesa de honra estiveram presentes para além da escritora Maria do Deserto, José Fanha e o grande companheiro da altura de Carlos Paião, o Luís Arriaga.

José Fanha abriu a sessão fazendo uma retrospectiva dos movimentos musicais desde a época dos baladeiros que surgiram logo após o 25 de Abril e uma geração posterior da cantores/compositores entre os quais se integrava o Carlos Paião.

A Dr.ª Maria do Deserto dissertou sobre a feitura do seu livro, que durou dois anos a realizá-lo, período este em que morre o seu marido. Este facto não impediu que concluísse a obra, parecendo que lhe deu mais força, pois falou o seu coração, que para além de admiradora de Carlos Paião, contou que quando soube da morte estupida do cantor apenas exclamou: este homem não podia ter morrido pois tinha muito para dar.

O companheiro de muitos trabalhos, dessa altura, de Carlos Paião, o Luís Arriaga, contou como era o feitio do cantor e da alegria que dele emanava quando em contacto com os seus colegas. Contou algumas particularidades do feitio de Carlos Paião e emocionou-se quando revelou à assistência que Carlos Paião era o padrinho de nascimento do seu filho. Momento dramático que se viveu pelo estado em que ficou o grande companheiro de Carlos Paião.
Momento dramático da sessão quando Luis Arriaga se emociona ao recordar o seu amigo Carlos Paião. Baixou a cabeça, chorou e não disse mais nada, aliás, não conseguiu dizer

A biografia da Carlos Paião
Nasceu acidentalmente em Coimbra, passando toda a sua infância e juventude entre Ílhavo (terra natal dos pais) e Lisboa. Licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa (1983), acabando por se dedicar exclusivamente à música. Desde muito cedo Carlos Paião demonstrou ser um compositor prolífico, sendo que no ano de 1978 tinha já escritas mais de duzentas canções. Nesse ano obteve o primeiro reconhecimento público ao vencer o Festival da Canção do Illiabum Clube, com o tema Play-Back.

Em 1981 decide enviar algumas delas ao Festival RTP da Canção, numa altura em que este certame representava uma plataforma para o sucesso e a fama no mundo da música portuguesa. Playback ganhou o Festival RTP da Canção de 1981 com a esmagadora pontuação de 203 pontos, deixando para trás concorrentes tão fortes como as Doce. A canção, uma crítica divertida, mas contundente, aos artistas que cantam em play-back, ficou em penúltimo lugar no Festival da Eurovisão de 1981, que se realizou nesse ano em Dublin, na República da Irlanda. Tal classificação não "beliscou" minimamente a popularidade do cantor e compositor, pois Carlos Paião, ainda nesse ano, editou outro single de sucesso e que mantém a sua popularidade até hoje: Pó de Arroz. O êxito que se seguiu foi a Marcha do Pião das Nicas, canção na qual o cantor voltava a deixar patente o seu lado satírico.

Algarismos (1982) foi o seu primeiro LP, que não obteve, no entanto, o reconhecimento desejado. Surgiu entretanto a oportunidade de participar no programa de televisão Foguete, com António Sala e Luís Arriaga. Num outro programa, Hermanias (1984), Carlos Paião compôs a totalidade das músicas e letras de Serafim Saudade, uma caricatura criada por Herman José, já então uma das figuras mais populares da televisão portuguesa.

Em 1983, cantava ao lado de Cândida Branca Flor, com quem interpretou um dueto muito patriótico intitulado Vinho do Porto, Vinho de Portugal, que ficou em 3.º lugar no Festival RTP da canção.

Em 1985, concorreu ao Festival Mundial de Música Popular de Tóquio (World Popular Song Festival of Tokio), tendo a sua canção sido uma das 18 seleccionadas em mais de 2000 representativas de 58 países.

A editora EMI - Valentim de Carvalho tinha inclusive chegado a encomendar a Carlos Paião canções para outros artistas, entre os quais o próprio Herman José, que viria a alcançar grande êxito com A Canção do Beijinho, e Amália Rodrigues, para quem escreveu O Senhor Extra-Terrestre (1982), cuja letra chegou mesmo a constar dum manual para alunos de escola primária.

A 26 de Agosto de 1988, a caminho de um espectáculo em Penalva do Castelo, morre em um violento acidente de automóvel, na antiga estrada EN1, actual IC2. Na altura, surgiu o boato de que na ocasião de seu funeral não estaria morto, mas sim em coma, porém a violência do acidente por si nega o boato, pois a sobrevivência a este seria impossível. No entanto, o boato sobre o artista ter sido sepultado vivo permanece até os dias actuais. Por ter morrido, no dia seguinte ao incêndio do Chiado, a sua morte passou de certa forma despercebida. Nesta altura, estava a preparar um novo álbum intitulado Intervalo, que acabou por ser editado em Setembro desse ano, e cujo tema de maior sucesso foi Quando as nuvens chorarem.

Compositor, intérprete e instrumentista, Carlos Paião produziu mais de quinhentas canções, tendo sido homenageado em 2003, com um CD comemorativo dos 15 anos do seu desaparecimento - Carlos Paião: Letra e Música - 15 anos depois (Valentim de Carvalho).
Fotos Bancada Directa

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