BANCADA DIRECTA: Fragmentos e Opiniões: Nós, europeus? No minimo apenas uma interrogação. Nada mais.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Fragmentos e Opiniões: Nós, europeus? No minimo apenas uma interrogação. Nada mais.


Nós, europeus?

Um candidato ao Parlamento Europeu, Vital Moreira, está a apresentar um cartaz propagandístico com a frase “Nós, europeus”. A frase, que não é interrogativa, suscita diversas interrogações.

A frase destina-se, obviamente, a sublinhar que todos nós somos europeus.. Portugueses, espanhóis, franceses, alemães….mas todos europeus. Um toca a “reunir” europeu. Toca a reunir”? Na verdade, é o próprio candidato a fazer desde logo uma primeira divisão.

Lá por ser português não temos de apoiar a candidatura de Durão Barroso a Presidente da Comissão Europeia - defende Vital Moreira. E com razão…de um ponto de vista “nós europeus”.

Com efeito, por que é que o nacionalismo há-de sobrepor-se ao partidarismo? Por que é que o facto de Durão Barroso ser português há-se ser mais importante do que o facto de ele não ser socialista?

Assim também pensa o benfiquista que prefere que o Porto perca com estrangeiros (e vice versa) porque ser-se benfiquista é mais importante do que ser-se português.

Choca? Sim, de facto choca porque continuamos a ser, ainda, muito nacionalistas. Quase todos nós (com honrosas excepções, como Vital Moreira) continuamos sentimentalões e a gostar do que é português. Continuamos a gostar do Cristiano Ronaldo e do Mourinho e a que ganhem, por exemplo, porque são portugueses.

E até Jorge Sampaio não passou de um antiquado e sentimental nacionalista ao aconselhar o então primeiro-ministro Durão barroso a aceitar o lugar de Presidente da Comissão Europeia, porque a “oportunidade de um português poder ocupar um lugar destes não se pode perder”.

Nós europeus? Sim, claro que somos europeus, mas primeiro portugueses. Pode ser que os nossos filhos ou os nossos netos já consigam primeiro ser europeus e depois portugueses. Nós, por enquanto, ainda continuamos a sentirmo-nos ao contrário (como, aliás, todos os outros povos europeus).

E é por isso que as eleições europeias nos parecem tão distantes e desinteressantes. Injustamente, talvez (os senhores da Europa mandam mais nas nossas vidas do que aquilo que nós julgamos) para a maioria de nós as eleições europeias são uma oportunidade de os políticos “chutarem para cima” um qualquer adversário que se quer ver longe, de presentear um amigo a quem se deve favores ou ainda proporcionar uma reforma dourada a uma personalidade veterana.

Por isso é que Vital Moreira “não aquece nem arrefece “ mas lamenta-se por Paulo Rangel, porque se vai perder (repare-se “perder”) um bom líder parlamentar. A verdade custa a dizer mas é a verdade.

Nas actuais circunstancias politicas nacionais (crispação partidária e calendarização de três eleições seguidas, sendo a primeira as europeias) o próximo acto eleitoral assume uma importância de que por si não tem. A importância destas eleições europeias advém de razões…nacionais.

Nós, europeus? No mínimo uma interrogação.
Dr Rogério Bueno de Matos

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