BANCADA DIRECTA: O saber não ocupa lugar: Temas de Medicina. Um tema recorrente muito importante. Falamos da diabetes (post 1)

sábado, 27 de dezembro de 2008

O saber não ocupa lugar: Temas de Medicina. Um tema recorrente muito importante. Falamos da diabetes (post 1)

Nota introdutória ao tema: quando o clínico que apoia estes “Temas de Medicina” soube da nossa intenção de introduzirmos este tema da “diabetes” no Bancada Directa, teve uma reacção imediata de apoio à publicação, porque no seu entender há um interesse sempre crescente da população em tomar conhecimento mais profundo desta doença. E reconhece que o interesse é grande e compreensivo!
Bancada Directa faz votos para que todos possam beneficiar substancialmente com a divulgação deste tema: “A Diabetes”.

O saber não ocupa lugar: Temas de Medicina. Um tema recorrente muito importante. Vamos falar da diabetes (post nº 1)

Caros amigos leitores do Bancada Directa

O título impressiona: Para toda a vida. O controlo da diabetes.

Viver com diabetes exige um compromisso para toda a vida: manter a doença controlada é o desafio que enfrentam muitas crianças, a braços com o seu tipo 1. Por falta de insulina ou resistência do organismo à acção desta hormona essencial ao equilíbrio do açúcar no sangue.

Diabetes mellitus é o seu nome científico, um nome com sabor a mel, a evocar a ligação íntima ao açúcar que caracteriza esta doença. Mas apenas o nome é doce, porque a doença, se não controlada, pode ter consequências muito amargas.

Esta é uma doença do sistema endócrino, por envolver uma glândula – o pâncreas – e uma hormona – a insulina. O que está em causa é a forma como o organismo utiliza a glucose, açúcar produzido e armazenado pelo fígado, mas também fornecido pelos alimentos e que constitui a principal fonte de energia do corpo humano.

Numa pessoa saudável, após cada refeição, o organismo decompõe os diversos nutrientes, que são absorvidos pelos intestinos e daí libertados para a corrente sanguínea. O que acontece com a glucose é que a sua entrada no organismo desencadeia a intervenção do pâncreas, fazendo-o fabricar insulina e lançá-la no sangue. É esta hormona que vai facilitar o acesso da glucose às células, funcionando como uma chave. À medida que a insulina circula, vai diminuindo a quantidade de açúcar no sangue (glicemia), o que por sua vez, faz diminuir a actividade do pâncreas.



Mas sem insulina, ou com insulina em quantidade insuficiente, a glucose permanece no sangue – e níveis de açúcar mais elevados do que o normal podem abrir caminho a um vasto conjunto de problemas de saúde. É isto que acontece na diabetes. Na do tipo 1, também designada por insulino – dependente (antes designada por diabetes juvenil), verifica-se que o pâncreas perde a capacidade de fabricar insulina. A responsabilidade é do próprio sistema imunitário – as defesas do organismo – que ataca e destrói as células produtoras da hormona, inactivando-as. Não se sabe, exactamente porquê, com os cientistas a inclinarem-se para a influência da genética associada à exposição a vírus que funcionará como detonador do ataque às células.

De olho nos sintomas

A diabetes tipo 1 pode manifestar-se em qualquer idade, mas é mais frequente entre crianças e adolescentes. Com sintomas que tanto podem declarar-se gradualmente como de uma forma súbita. Nem sempre são óbvios, mas há alguns indícios típicos da doença a que os adultos devem estar atentos.

Assim, uma criança com diabetes sente uma extrema vontade de urinar. É assim que os rins reagem ao excesso de açúcar no sangue, eliminando-o através da urina. Há uma maior perda de fluidos, o que causa uma sede invulgar: a criança, alem de urinar mais e em maior quantidade, bebe mais água do que o habitual, numa tentativa de repor o equilíbrio. Se assim não acontecer há o risco de desidratação.

Comum é também uma fome excessiva: é que a falta de insulina impede o açúcar de penetrar nas células e de aí se transformar em energia. Mas, apesar de comer mais do que o habitual, uma criança acaba por perder peso: na ausência de glucose, o organismo aproveita as reservas de gordura para abastecer as células.

O resultado de todo este esforço é a fadiga, outro dos sintomas comuns da doença. Mas há mais. A diabetes pode manifestar-se de uma forma mais subtil: a criança pode, por exemplo, voltar a molhar a cama durante o seu sono.

Complicações à espreita

Reconhecer os sinais precoces da diabetes e iniciar o tratamento é fundamental para prevenir as complicações associadas à doença. Algumas são de curto prazo e requerem cuidados imediatos, sob pena de causarem convulsões e até perda de consciência. É o que se verifica com a hipoglicemia: numa criança diabética, saltar uma refeição ou um esforço físico excessivo podem fazer descer os níveis de açúcar no sangue, originando sintomas como suores, tremores, fraqueza, fome, tonturas e náuseas.

Pode acontecer também o contrário – os níveis de açúcar subirem (hiperglicemia) porque a criança está doente ou comeu demais. Vontade de urinar, sede extrema, boca seca, visão nublada, fadiga e náuseas são os sintomas a vigiar.

Outra complicação possível é a acumulação de acetona no sangue: trata-se de um ácido tóxico produzido pelo organismo quando começa a utilizar a gordura armazenada para obter energia. Perda de apetite, náuseas, vómitos, febre, dores de estômago e um hálito com odor a doce e frutado são sintomas desta condição.

A prazo são outros riscos, envolvendo o coração e a rede de vasos sanguíneos, os nervos, os rins, os olhos, os pés, a pele e os ossos. Sem a diabetes controlada, os órgãos e tecidos vão sendo danificados progressivamente, mas as consequências podem ser incapacitantes ou até pôr em causa a própria vida.

No que respeita ao coração, podem surgir problemas cardiovasculares, nomeadamente doença arterial coronária (angina de peito) acidente vascular cerebral e aterosclerose. Quanto aos nervos, as principais vitimas são os capilares que irrigam os nervos, cujas paredes vão sendo destruídas pela circulação de sangue com açúcar a mais. Os efeitos começam por ser notar nos dedos dos pés e das mãos, com “formigueiro” e dormência, sensação de queimaduras e suor. Sem tratamentos, o resultado da neuropatia – assim se chama esta condição – pode ser a perda de sensibilidade.

Nota: este tema continua com a 2ª parte na próxima 3ª feira, 23/12

4 comentários:

Anónimo disse...

Tinha uma ideia completamente diferente desta doença. Gostava de saber se a doença tem condições para aparecer num adulto?
Obrigado. Luis Carlos

Onaírda disse...

Amigo Luis Carlos
Responder à sua questão de uma forma personalizada, por este meio, não está dentro da ética de actuação do blogue Bancada Directa. Para uma resposta, à sua pergunta, de uma forma
tecnicamente consistente e credível, terá de consultar um médico, de preferencia o seu medico de família.
Obrigado pelo seu "comment". Onaírda

Anónimo disse...

Penso que faço a pergunta sem a personalizar, porque entendo que interessa a muita gente. Também já me disseram que esta doença é hereditária.Infelizmente com este sistema de saúde nem médico de familia tenho.
Luis Carlos (aborrecido)

Onaírda disse...

Caro amigo Luis Carlos
O seu segundo comment não é susceptivel de fazer alterar a minha resposta inicial,ou melhor, posso repeti-la "ipsis verbis".
Abraço Onaírda

Obrigado Pela Sua Visita !