O Clube Desportivo de Boliqueime, que actua na 1 Divisão Distrital da Associação de Futebol do Algarve, tem O PIOR ATAQUE DE TODOS OS CAMPEONATOS, com apenas sete golos marcados em 26 jogos. E a defesa também rivaliza com as mais batidas. Saiba mais sobre as dificuldades desta equipa cujos treinos bissemanais só começam depois de o treinador levar os iniciados a casa.

A equipa de futebol do Clube Desportivo de Boliqueime prepara-se para iniciar mais um jogo. O 26.° de uma época para esquecer. Antes do embate, contra o Castromarinense, o Boliqueime somou 22 derrotas, três empates e uma única vitória na 1 Divisão Distrital da Associação de Futebol do Algarve. Tem 65 golos sofridos contra apenas sete marcados, o que a toma na pior equipa de todos os campeonatos em termos de golos apontados nas redes adversárias.
O Boliqueime tem apenas 14 jogadores para este jogo. O 11 titular e três suplentes no banco. E entre eles não está qualquer guarda-redes. “Uma equipa, na primeira divisão distrital, só com um guarda-redes... diz tudo”, refere, resignado Vtor Figueiredo, o terceiro treinador a ocupar o cargo esta época, que acumula com as mesmas funções na equipa de iniciados. “Isto agora é tentar chegar ao fim sem que o grupo se desfaça. Foi o que me pediram, porque quando peguei na equipa, há cerca de um mês, já não havia nada a fazer”, desabafa, resignado. Pelo caminho ficou o primeiro treinador da época. Estava há mais de 10 anos no clube e foi o responsável pela subida da II para a I Divisão Distrital.
Um feito inédito, nos 19 anos de história do Boliqueime. Só que os maus resultados motivaram a sua saída, O técnico que se lhe seguiu durou pouco. Não se adaptou. “Ele queria fazer quatro treinos por semana e os jogadores não gostaram disso"explica Inácio Pacheco, vice-presidente do clube algarvio.
Actual Treinador multifacetado até faz de motorista

Como também treina os iniciados, quando assumiu as funções na equipa principal, Vítor Figueiredo decidiu juntar os dias de treino destes com os seniores. Os
mais velhos devem começar a treinar quando os mais novos terminam. Mas não pode ser logo. Isto porque é preciso esperar que os iniciados tomem banho para, depois, Vítor Figueiredo levar alguns deles a casa. Só quando regressa é que se dá início ao treino.
Não há motivação
O treinador Vítor Figueiredo a dar a palestra aos jogadores antes do jogo
O comando da nau foi então entregue a Vítor Figueiredo, com os treinos a fixarem-se em dois por semana, às terça e quintas — os mesmos dias em que treinam os iniciados. Em média, há 10 a 12 jogadores por treino. Na quinta-feira, 12 de Abril, e por decisão democraticamente tomada entre a equipa técnica e os jogadores, o treino de quinta-feira foi antecipado para quarta.
A razão? O Benfica jogava com o Espanyol para a Taça UEFA. E mesmo assim, nem todos apareceram. Um dos ausentes foi o único guarda-redes do plantel, Sérgio Dias.
Contratação de Inverno, chegou ao Boliqueime em Dezembro. “Vim com o objectivo de ajudar a equipa a safar-se”, esclarece, mas, assume logo a seguir: “A malta falta muito”.

Com dois golos (II),
Davidson é o melhor marcador do Boliqueime
Ele próprio, que
não foi a qualquer treino na semana antes do jogo contra o Castromarinense, reconhece as culpas no cartório: “A gente aqui não ganha nada. Andamos só
por desporto e às vezes não há motivação”. Sem qualquer ordenado ou prémio de jogo, a única compensação que
os jogadores recebem é o almoço e o jantar nos dias de jogo. Cortesia de dois restaurantes que patrocinam o Boliqueime. “As
ajudas são poucas e cada vez as coisas estão mais caras”, diz José Cardoso, presidente do clube. Ele bem como os outros dirigentes não recebe um tostão “Se a gente tivesse ordenados, isto fechava”, esclarece.
Com dois golos (II), Davidson é o melhor marcador do Boliqueime. Natural de Cabo Verde, tem 19 anos, e desde os nove que joga futebol , apesar de só estar há dois em Portugal. “Eu estava nos juniores do Portimonense, mas o
Diamantino [ex-treinador do Portimonense] não
quis apostar nos jovens”, acusa. Sobre a época que está a terminar, reconhece que “isto está mal” e fala em “
falta de jogadores”, “falta de condições” e “faltas aos treinos”. Muitas faltas, portanto. Davidson é o
melhor marcador da equipa. Ele que se assume como trinco
(médio defensivo) e é também utilizado como central. O vice-presidente, Inácio Pacheco explica a opção: “É
um dos melhores e, se calhar, se jogasse noutra posição, marcava mais golos. Mas
se o treinador o tira de um lado, fica a fazer falta lá”.
Além dos dois restaurantes, o clube conta com o apoio da Câmara Municipal de Loulé, da Associação de Futebol do Algarve. Há ainda cerca de 300 sócios pagantes (a quota é um euro por mês) e “alguns amigos que pagam para terem placards de publicidade no campo”, continua o presidente do Boliqueime. Só que o clima algarvio também tem os seus preços, como explica José Cardoso: “Tínhamos quatro ou cinco placards, mas com o sol partiram-se."
Inácio Pacheco e José Cardoso,
respectivamente vice e presidente do Boliqueime,
ainda estão a pensar se vão recandidatar-se
A actual direcção do Boliqueime está prestes a terminar funções. Para Maio está marcado o acto eleitoral que vai eleger os novos dirigentes. José Cardoso ainda não sabe se há-de assumir uma recandidatura: “Também é preciso descansar”. lnácio Pacheco, ao lado, desdramatiza a situação: “Aconteça o que acontecer, o futebol há-de continuar”. Depois, num discurso a preparar o futuro, acrescenta: “Esta direcção conseguiu muito. No hóquei masculino estamos na segunda divisão, no feminino na primeira, no futebol conseguimos, pela primeira vez, participar na primeira divisão distrital. Para o ano logo se vê”.
Também sob os raios de sol algarvio ficaram estilhaçadas as esperanças do Clube Desportivo Boliqueime nesta sua
primeira participação na 1 Divisão Distrital. E os sinais chegaram logo de início. Duas derrotas por 5-0 a abrir o campeonato, não auguravam nada de bom. Só à 4. jornada surgiu o primeiro golo. E também a primeira (e única) vitória, por 1-0, frente ao Aljezurense. Foi a 21 de Outubro e marcou outro feito: O clube saiu da última posição. Uma situação que durou quatro jornadas e outras tantas derrotas. Quando voltaram a somar pontos, em Dezembro, na 12. jornada, com um empate a zero frente ao Castromarinense, já era tarde para inverter o destino. A equipa conseguiu, ainda, mais dois empates no início de Janeiro. Mas foi muito pouco, até porque, depois, só houve derrotas.
E assim chegamos à tarde de 14 de Abril. Agora já às 18h00. Sem apelo nem agravo, o Castromarinense “vingou-se” do empate cedido na primeira volta e venceu o jogo por 3-0. Mas nada que abale o moral da equipa. “A equipa bateu-se bem”, resume Vítor Figueiredo. “
O grupo é bom, faltam é dois ou três jogadores. E
se estes fossem mais aos treinos...”. A equipa algarvia, entretanto, já tomou banho e os jogadores entram para os carros (alguns particulares) que os trouxeram até Castro Marim. Rumo ao jantar a que têm direito. A resignação dá finalmente lugar à boa disposição. Afinal, foi só mais uma tarde de sábado de futebol. E, como diz Vítor Figueiredo, “
é preciso é acabar isto de cabeça erguida”.
Muitas taças... mas de petanca!Além do futebol (iniciados e seniores), o Clube Desportivo Boliqueime tem ainda escolinhas de futsal, equipa masculina e feminina de hóquei em patins e participa nos campeonatos de petanca — modalidade em que os jogadores enviam bolas de ferro na direcção de uma, mais pequena, em madeira e ganha o que ficar mais próximo. “Aí temos muitas taças mas, também, sempre que vão a um torneio,
recebem uma, nem que seja
por participação”, brinca lnácio Pacheco. José Cardoso apressa-se a corrigi-lo: “Também não é assim, já temos alguns
títulos nacionais de petanca”.
Em último é não ficam!

Curiosamente o Boliqueime já tem
garantido que não fica em último lugar no campeonato. Isto porque, há duas semanas, o
Algarve United foi desclassificado pela Associação de Futebol do Algarve,devido a falta de comparência.
O resultado Algarve United tinha sido uma derrota por 2-O (o da segunda volta ainda não se tinha realizado quando se deu a desqualificação). Agora, com a desclassicação daquela equipa na tabela oficial, o Boliqueime conta com menos dois golos sofridos e menos uma derrota.
Fonte 24 Horas
Quando uma equipa da I divisão distrital, tem os jogadores que mandam quantas vezes querem treinar, em que dia, e se querem treinar, muitas vezes nem isso, onde um dos melhores jogadores, vem dizer que anda por carolice e não tem motivação, eu pergunto se não é preferível apostar nos jovens que pelo menos tenham motivação e provavelmente muitos já se davam por satisfeitos com uma simples sandes ou jantar, ao mesmo tempo que dava a oportunidades a esses jovens de evoluir e competir, de certeza com melhores resultados, nem que fossem pelos mesmos
...
Quando se tem jogadores assim, por favor, sem vontade sequer de competir, com uma direcção que por muitas dificuldades que tenha, nunca pode perder mão do clube e seus valores, é difícil, onde mais uma vez se comprova que a mudança de treinador nestes clubes, não resolve nada e muitas vezes ainda agrava, quando o problema não está aí...
Mas que sirva de exemplo para o futuro, e que reflictam com estes erros, para que possam pelo pelo menos competir com motivação...
Histórias de um futebol puro, mas muitas vezes desprezados por muitos e aproveitados para interesses por outros, onde muitas destas equipas reflectem, o que se passa no país e suas políticas, onde destaco algumas frases do texto, para explicar que um clube que tem estes predicados todos, em parte negativos, não pode aspirar a mais do que aquilo que tem, e reflecte muitas equipas de Norte a Sul do país, infelizmente...
Bem hajam