
Bem vistas as coisas, depois de ter visto os "Prós e Contras" da RTP, fiquei ainda mais consciente que estou a tomar a atitude correcta, pois quando um Treinador na qualidade pessoal, bem dizer que defende a despenalização, mas depois vota não, sem argumentos plausíveis para tal só por conservadorismo.
Parece do estilo, que mesmo estando a sua equipa sempre a perder com uma determinada estratégia que pode não ser a melhor solução, só por teimosia, prefere continuar a perder do que mudar de táctiva.
Quando um Deputado vota na assembleia pela despenalização e depois vota Não, só por moralidades e porque a questão está mal formulada (já questões patidárias pelo meio) no referendo.
Faz lembrar todos os políticos que diz nas eleições uma coisa, e quando chega ao "poleiro" faz outra, e sempre com contra-argumentos sem fundamento na maior parte das vezes. E foi este ministro de um governo e logo da JUSTIÇA, por sinal...mau demais para ser verdade.
Marcelo também vai pelo mesmo caminho e, num vídeo até se contradiz da sua própria análise do seu sentido de voto, pois, garante que é pela despenalização e não compreende como pode uma mulher ser presa, mas que vota Não porque é...conservador e assim foi educado, mesmo a lei sendo injusta...tem cabimento?
E queria ser primeiro Ministro do nosso país!
Mas pelo menos com esse, já não levamos muito a sério na politica, pois só na sua leitura de bons livros...
O que não consigo perceber é como todas as semanas consegue ler tantos livros, para aconselhar? Tem tempo e lê rápido....
Mas isso para este assunto, não interessa...
Quando uma cantora defende Não pelo direito a uma vida (feto), mas não defende a outra vida (mulher), e muito mais que sem argumentos, só votam não, porque entendem que vão aumentar os Abortos...penso que está tudo dito.
Muito mal estamos servidos de inteligência, de pessoas que estão numa posição social preveligiada e, deviam de dar os exemplos de maturidade e de justiça social, pelos mais desprotegidos, que esta lei actual confere, temos o inverso, por isso este país está como está e não admira.
Eu sou a favor da vida, como acho que uma grande maioria das pessoas o é, mas também concordo que a pergunta ao refendo está controversa, mas não podemos deixar de cair em tentação, de deixar que uma lei arrogante, tendenciosa para os mais desprotegidos, possa continuar metendo mulheres na cadeia normalmente em deficiente condição psicológica e sem apoios da nossa comunidade, que as condena por tal actos, sem as ajudar a resolvê-los, para não falar nas que morrem em condições miseráveis e clandestinamente, por medo da repressão da socieadade e da perseguição da justiça.
Em oito anos aquando do último referendo, eu pergunto a todos os que defenderam o Não na altura e, os que actualmente defendem, o que fizeram, para que se envertesse o aborto, e que condições foram dadas as vítimas para terem aconselhamento médico e psicológico, aliás tenho sérias dúvidas, que qualquer mulher com a actual lei, tente tal prioridades salvas atrás, sem o medo da perseguição e de ser considerada uma criminosa, até pelo simples facto de o pensar fazer.
A pergunta pode estar mal feita, mas só porque somos a favor da vida de um feto, não pensamos na vida de milhares de mulheres que metem em causa a sua própria vida, praticando tal acto clandestinamente sem condições e metendo a saúde também de todos as que a rodeiam em causa.
Defendemos uma vida e as outras?
Temos o direito de atentar a liberdade de cada um ou das mulheres?
Temos o direito de julgar?
Acho, que devemos pensar e metermo-nos no lugar das famílias que sofrem com as filhas, muitas adolescentes, netas , mulheres, e até os próprios maridos que viram a sua esposa, já mãe por vezes, numa prisão, sofrendo e pagando por um crime que todos os graus sociais da nossa sociedade comete, e nada se pode fazer.
Pois o Aborto sempre existirá, por muito que lutemos por ele, pois as desigualdades são tantas, e a longo prazo caminham para um fosso maior, e o que devemos perguntar é a nós próprios o que queriamos se um dos nossos familiares estivesse numa situação dessas, pois sabemos que é um mal que não tem educação, étnia, posição social ou religião, e muitas vezes são feitas às escondidas dos que os mais amam e lhes dariam a segurança necessária, para reflectirem de tal acto.
E será que é preciso ir ao país vizinho para abortar, só porque o nosso não acolhe todos os portugueses nas suas decisões, antes disso os persegue, prende e depois tenta julgar, sem antes, já serem culpados pelo povo mais inferior de espírito?
Bem, já me alonguei demais, não resisti, pois acho que é uma situação que me preocupa e por Portugal ser dos últimos na Vanguarda do moralismo no mundo, e dos primeiros da Clandestinidade e (in)Justiça só para alguns.

Pergunto para terminar, e para deixar reflectir todos os que ainda têm dúvidas, não querendo interferir com a inteligência de ninguém, se tivessem uma filha, neta ou familiar muito próximo preso, ou a ser julgada em tribunal e pela socieadade, só porque num acto de fraqueza e medo cometeu um aborto, achava justo e ficava feliz?
Quem sabe, talvez com 3 anos de prisão?
Não será melhor abolir tremendo erro, e encontrar soluções para que não se pratiquem tal actos,pondo a disposição aconselhamento médico e psicológico antes de o fazer, sem o medo de ser perseguida, julgada e reprimida pela nossa sociedade, e dar condições que não o façam?
Não será melhor dar educação sexual aos nossos jovens, criar alternativas e promover o acolhimento em vez da perseguição e humilhamento?
PS*É uma grande hipocrisia afirmar, como fazem muitos defensores do Não, que não querem a alteração da lei, mas também não querem a prisão das mulheres. Nada de mais falso. Para não haver prisão de mulheres é preciso alterar a lei. E essa é de facto a única decisão a tomar no próximo referendo.
E assim vos deixo a pensar.
Bem Hajam
PSousa