O médio francês Simarana Dembelé, que chegou a ser apelidado pelos adeptos vitorianos de "Makelelé do Sado", teve uma passagem fugaz pelo futebol português. Contratado ao Nîmes
no início da temporada, o jogador pagou do seu próprio bolso a rescisão com o clube francês.
Agora, diz-se ludibriado e desiludido com dirigentes do Vitória de Setúbal por estes não
terem cumprido as promessas feitas. Do futebol português prefere guardar apenas as boas recordações.
Quando decidiu aceitar o convite do Vitória de Setúbal para ingressar no futebol português, estaria longe de imaginar que iria passar por tantos problemas?
Dembelé Tive um mau pressentimento logo no dia em que assinei contrato em Marselha.
Os valores que me apresentaram eram bem diferentes daqueles que havia acordado num
pré-contrato. Logo aí fiquei desconfiado.
R Norton de Matos incentivou-me a vir para Portugal. Tinha a minha vida estabilizada em França e estava longe de pensar que iria passar por todos estes problemas. Quando nos encontrámos, olhei-o nos olhos e confiei nele. Acreditei que iria dar um passo em frente na minha carreira, o que, apesar de tudo, acabou por se verificar com esta contratação pelo Standard de Liège. O Norton é uma pessoa justa e falou-me sempre a verdade, o que não aconteceu, por exemplo, com o presidente do Vitória.
R Sinto-me ludibriado. A minha vida foi bastante condicionada devido aos problemas que
passei em Setúbal.
Fui eu que paguei do meu bolso a rescisão com o Nîmes. O Vitória não me queria contratar, porque o meu vínculo ao Nîmes tinha a duração de mais um ano, mas, como o meu desejo era jogar em Portugal, paguei para poder jogar. Na altura, os dirigentes do Vitória prometeram
que iam pagando em prestações os 35 mil euros da rescisão, juntamente com o ordenado,
mas faltaram à promessa.
Ainda hoje sou eu quem está a pagar ao Nîmes esse valor, em prestações mensais.
Quais as razões que o levaram a rescindir contrato e a faltar à convocatória para o jogo com o Marítimo?
R Estava farto de ouvir tantas promessas por parte do presidente, sem que nunca as tivesse cumprido. Uma vez surgiu no balneário com o sr. Carlos Costa, a prometer pagar-nos - e nada. Outra, foi ao balneário acompanhado do Luís Lourenço, dizendo que, se não houvesse dinheiro dentro de três a quatro dias, se demitia - e não o fez. Após o triunfo alcançado em Braga, foi dizer que havia dinheiro - e não houve. Já estávamos fartos de ser enganados com falsas promessas. A minha família estava a passar por dificuldades e decidi bater com a porta.
Mas os responsáveis do clube alegam que o Dembelé tinha dinheiro na sua conta desde a véspera da ida para a Madeira...
R É falso que, antes de ter apresentado a minha rescisão, tenha sido depositado na minha
conta qualquer vencimento. Posso prová-lo através do extracto bancário.
Além disso, como poderia isso acontecer se, no Vitória, não sabem o meu número de conta?
Numa me pagaram através de transferência bancária, foi sempre por cheque...
Os jogadores deixaram de ter confiança no presidente a partir de quando?
R Os jogadores deixaram de acreditar no presidente desde o dia em que ele veio a público afirmar que tinha o seu próprio vencimento em dia. Isso caiu mal no balneário.
A partir daqui, a confiança no presidente acabou!
Agora tem um novo desafio pela frente. De que forma está a encará-lo?
R Vou tentar agarrar esta nova oportunidade. Para mim, é um sonho poder jogar ao lado de jogadores como o Sérgio Conceição ou o Jorge Costa, que apenas conhecia das transmissões televisivas.
Um ano de crises
2005 já era e ficará recordado pelo futebol português como um dos anos mais negros
de sempre, aquele em que os problemas financeiros levaram à asfixia quase total de alguns clubes.
O maior desafio dos dirigentes é, no novo ano, ressuscitar algumas mortes anunciadas.
Imagine-se a perplexidade de um jogador de futebol a quem os dirigentes falam de tectos salariais e os senhorios ameaçam de ficar sem tecto, porque o incumprimento já leva meses.
Um desespero, não é? Juntem-se as contas do supermercado, da água e da luz, até mesmo
da farmácia.
Há uns anos, quando esse jogador era pago a peso de ouro, dois ou três meses sem salário deixavam mossas ligeiras no orçamento familiar; agora, com os tectos a caírem-lhes em cima,
os futebolistas tentam agarrar-se a quem lhes paga certo, mesmo que não seja muito, e qualquer falha é imediatamente notada.
Se até aqui, em praticamente todos os casos, clubes e SAD deixavam arrastar anos e anos
de dívidas aos seus profissionais, a fiscalização mais apertada e a mediatização das
dramáticas situações que estes vivem (o Sindicato de Jogadores apareceu forte na defesa
dos seus representados) passaram a constituir um obstáculo grande para quem não paga.
As autarquias estão apertadas e deixaram de poder camuflar os cheques com subsídios, os mecenas estão quase todos mortos e o Fisco - que chatice! - quer dinheiro todos os anos.
Restam os direitos de transmissões televisivas e alguns patrocinadores como fontes de
receita que vão cobrindo as despesas correntes. É assim que sobrevivem, na medida
do possível, os clubes da Liga, aqui e ali vendendo também este ou aquele activo.
Os primeiros a cair foram os da Liga de Honra e outras divisões secundárias, mas ou a crise
é travada por orçamentos mais realistas do que ilusionistas, ou 2006 e os anos seguintes
serão ainda mais drásticos do que foi 2005. E mesmo na primeira Liga, onde as soluções parecem que ainda vão surgindo, pode começar a cair gente.
A pré-história da crise
O ano de 2002 pode ser apontado como o momento em que a actual crise que se vive
no futebol português deu os seus primeiros sinais.
O Campomaiorense foi a primeira vítima, mas seguiram-se outros.
São vários os exemplos de clubes com grandes tradições no futebol português que, se não
se extinguiram, vivem com muitas dificuldades.
Uns foram obrigados a terminar com as equipas seniores, outros tiveram de reduzir os seus orçamentos a praticamente nada, o que obviamente se reflectiu numa queda abrupta
no campo desportivo. Clubes que se destacam no acumulado histórico da primeira divisão,
como Farense (11º na história das 71 épocas de campeonato), Salgueiros (13º),
Tirsense (32º), Campomaiorense (38º) ou Académico de Viseu (45º),
desapareceram de vez das provas profissionais, fazendo esquecer um passado em que
enchiam de alegria sócios e simpatizantes.
Texto de RICARDO NUNO FIDALGO/PEDRO PEREIRA
Pode ver esta notícia na sua Integra no jornal O Jogo do 1º dia do Ano Novo.
É vergonhoso que estes dirigentes estejam ainda a comandar clubes com historiais tão grandes, por esta e outras razões similares que o Futebol em Portugal está como está, sem público nos estádios, sem dinheiro nos cofres dos clubes, com confusões na liga de clubes em que todos lutam desmesuradamente pelo poder, pelas incógnitas arbitragens que quase todas as semanas são vergonhosas a todos os capítulos, pelas lutas intensas que até se revestem de violência (ex.: caso Moretto), pela transferência de jogadores, para além das rescisões megalómanas que se têm assistido no futebol português.
E todos continuam em funções como se nada de grave se passe e, onde tudo e todos metem a cabeça na areia para fingir que está tudo bem.
Devenish diz:
"Os clubes portugueses estão com graves desequilíbrios financeiros, muitos
estão endividados e outros ainda à beira da falência. Entretanto, está aí um
novo período de abertura do mercado e, se verificarmos com atenção o que se
tem passado, facilmente se conclui que esta fase tem sido de vacas magras.
À parte de um caso ou outro de compra ou troca, apenas temos assistido a um jogo de xadrez, mudando-se uma ou outra peça no exíguo tabuleiro nacional.
Os responsáveis dos clubes começam, finalmente, a ter noção da sua
preocupante situação financeira e ganham juízo, gastando só o que podem ou o que devem.
Mesmo que o espectáculo saia prejudicado, como vai sair, mais vale assim do
que assistirmos aos exemplos tristes dados pelo V. Setúbal, Ovarense ou Estoril.
Mas também aqui torna-se indispensável lançar, de novo, o alerta:
porque não agem as instituições?
" The Revolution "acrescenta:"Maia, Marco, Ovarense e Estoril não pagam
há 4 meses o ordenado aos jogadores.
No Marco o presidente já afirmou que ficar na 2º Liga é um miragem,
na Ovarense os jogadores rescindem, o Estoril já perdeu jogadores e no Maia
os resultados demonstram o estado de espírito dos jogadores.
Mas outros clubes estão também com problemas financeiros, que podem
agravar-se.
O que fazer aos clubes da 2º Liga?"
Duro_e_Puro diz: "É sabido de todos que o Vitória de Setúbal atravessa uma gravíssima situação financeira. Mesmo assim, foi possível revelar uma equipa composta de jogadores muito interessantes. Desde sempre, Porto e Sporting recusaram-se a acolher jogadores em conflito com o seu anterior clube. Já o Benfica não tem qualquer contragimento em tirar vantagem de clubes enfraquecidos. Agora parece que o clube da Invicta também não!
Será que um clube com a dimensão do Benfica ou do Porto, necessita de "esquemas" para recrutar jogadores?"
E não me venham dizer que o Setúbal vai receber algo financeiramente, pois receberia o preço justo se não estivesse nestas circunstâncias e o Porto dizer
que estava interessado só não chega, pois para quem diz que não está
interessado em jogadores em conflito com seus clubes, ter um pré-acordo é
o bastante para ser grave demais, pois leva a crer que o que os dirigentes do
Porto dizem é tudo para inglês ver e por isso deixam de ter também
credibilidade neste assunto e que sirva de lições para alguns clubes que acreditam nas palavras destes dirigentes.
Tudo o resto são tretas de fanáticos...
Já que falamos em vergonhas, também tenho que falar em mais uma, desta vez protagonizada pelo Jornal A Bola em que elegeu como “ Homem do Ano”
imagine-se o Nuno Gomes.
Dá vontade de rir um Jornal tão cómico como este em que elege não pelo merecimento, mas sim pelos lucros que uma 1ª página desta possa
proporcionar aos seus administradores, talvez pensando nos 6 milhões de adeptos (só os loucos acreditam nisso) do clube deste jogador, que apesar
não ter nada contra o dito, até conheço qualidades no Nuno mas, até
considerá-lo “Homem do Ano” não lembra a ninguém, pois pergunto o
porquê desta eleição e o que fazer a outros que tanto fizeram para poder
serem considerados como tal.
Dou dois ou três exemplos: que tal novamente Mourinho,
Vanessa Fernandes ou até Tiago Monteiro, mas vender (lucros) é mais importante que ser honesto nas suas análises ou notícias, e é por estas e
outras que grande parte dos portugueses já dá por barato a estes jornais desportivos e jornalistas (nem todos) sem crédito ou credibilidade.
Mas podem ler em Terceiro Anel ou Livre Indirecto mais sobre este capítulo.
E assim começámos 2006.