BANCADA DIRECTA: Vale a pena ler...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Vale a pena ler...

Li esta crónica no "jornal a bola" escrita pelo jornalista Vitor Serpa que como sabemos é benfiquista de gema, mas vindo dele este texto vale ainda mais a pena transcrever aqui o que lhe vai na alma....






Todos iguais, todos diferentes

O Sporting, talvez porque não tenha a dimensão universal do Benfica, e porque não terá a dimensão arrebatadoramente regional que caracteriza a cultura portista, encontrou um registo de relacionamento que nunca põe em causa o patamar de dignidade que é devido ao trato de cidadãos numa sociedade civilizada.

SEI bem que este texto pode ser não apenas politicamente pouco correcto, como institucionalmente inconveniente. Por isso gostaria de dizer, e de escrever, que neste espaço me obrigo a menos responsabilidade institucional. Primeiro, porque se trata de uma rubrica e não de um editorial. Uma rubrica que, curiosamente, tem um título de croniqueta que, de resto, recuperei das boas memórias de A BOLA e que sempre foi livre, por vezes irreverente, não raras vezes provocadora.
Não chego, hoje, a tanto, porque não é, de facto, de provocação que aqui se trata. Apenas de um importante reconhecimento da diferença de atitude e de comportamento nas relações profissionais a que me obrigo com algumas das figuras mais responsáveis dos três grandes clubes portugueses. Escrevo sobre o tema, porque ele envolve para mim, enquanto jornalista (e só nessa condição simples, mas também naquela em que melhor me revejo) uma responsabilidade que não quero, nem devo deixar de assumir sem constrangimentos.
É de facto diferente o trato e o tacto nas gentes do Sporting. Dizem-me, por vezes, que é da condição própria da base de elite em que o clube nasceu. São pessoas mais polidas, mais diplomáticas, mais políticas. Acho que não tem nada a ver com isso. Pode ter a ver, isso sim, com uma base cultural e de educação diferente, mas não, necessariamente, com um género de casta aristocrática. O Sporting, talvez porque não tenha a dimensão, quase diria, universal do Benfica, e porque não terá a dimensão arrebatadoramente regionalista que caracteriza a cultura portista, encontrou, ao nível dos seus principais dirigentes, e desde há muitos anos, um registo de relacionamento que pode, num ou noutro momento, ser distante, mas nunca põe em causa o patamar de dignidade que é devido ao trato de cidadãos numa sociedade moderna e civilizada. Sei bem que há excepções, muitas delas assentes em preconceitos tão irracionais como ancestrais, mas a regra é a do respeito, bem para lá dos interesses particulares, ou até mesmo dos interesses do universo leonino.
Há muito que me sentia tentado a afirmar esta constatação de anos. Evitei-a, algumas vezes, devo reconhecer, mais para me precaver das ideias sórdidas de alguns, do que por dúvida de natureza humana. Porém, para mim é cada vez mais claro que a necessária transformação do futebol português não depende apenas de uma questão geracional, o que já seria bastante, mas depende, isso sim, da consistência cultural e social dos cidadãos que ocupam lugares de responsabilidade em clubes onde, pela sua ordem de grandeza, tem de haver a noção dobrada da função que exercem.
Vítor Serpa

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