BANCADA DIRECTA

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Depois de dar quatro voltas ao mundo a passear neste ano de 2014, Nuno Crato enfrenta agora o doloroso caminho da sua recta final como ministro.. Mais do que certo!.....

Depois de dar quatro voltas ao mundo a passear neste ano de 2014, Nuno Crato enfrenta agora o doloroso caminho da sua recta final como ministro.
Mais do que certo!.....

No trágico legado de Nuno Crato evidencia-se o desamparo da escola pública.

O ainda ministro, e escrevi-o antes de o ser, revelava duas características decisivas: desconhecimento do sistema escolar e associação, por ideologia (penso eu), ao lado pior das cooperativas de ensino.

Está tudo, infelizmente, comprovado. O desconhecimento do sistema escolar levou-o a não defender a escola pública dos preconceitos e das inverdades da forte agenda "tudo está mal numa escola pública dominada por sindicatos".

Nunca se tinha visto um ministro assim e mais ainda num tempo de troika com a escola pública como alvo primeiro duma administração central controlada por "gaspares e rosalinos".

  Os preconceitos de Crato levaram-nos a deixar em roda livre o tal núcleo das cooperativas que, por manifesta incompetência técnica, derrubou a pouca credibilidade que restava a Nuno Crato. Fica a ideia, para animar a consciência dos optimistas iniciais, que AirCrato acordou tarde para o vírus do experimentalismo.

O que resta é penoso. Nunca um ministro da Educação se arrastou no lugar com tanta desconsideração mediática.

Este texto é da autoria do Dr.  Paulo Trilho Prudencio  (Correntes)

Incompetente até dizer chega. Mas é um ás a viajar de avião em grande escala. Crato acusado de viajar em demasia quando o seu ministério vivia momentos de crise. Rir-se-à quando deixar a função

Incompetente até dizer chega.
Mas é um ás a viajar de avião em grande escala.
Crato acusado de viajar em demasia quando o seu ministério vivia momentos de crise.
Rir-se-à quando deixar a função

As ausências do ministro da Educação no estrangeiro são motivo de crítica interna no Governo.

Em plena crise da colocação dos professores, o facto de Nuno Crato ter saído do país - para participar num encontro informal, em Milão, sobre Telecomunicações - levantou vários sobrolhos ministeriais. Com o Ministério a arder, foi considerada "estranha" a ausência do "responsável político" por um dos piores arranques do ano letivo da história.

A viagem a Itália apanhou de surpresa a própria equipa da Educação. E, dentro do próprio Governo, houve quem questionasse Crato sobre a necessidade de manter a deslocação, sobretudo quando esta coincidia com o arranque da segunda tentativa de colocação de professores, depois do desastre ocorrido com o primeiro concurso.

Em vésperas de um dia D, a saída do ministro para o estrangeiro caiu mal. Mas Crato não cedeu e foi mesmo para Milão. As críticas às ausências de Crato não são, porém, de agora. Em plena sétima avaliação com a troika, quando o Governo preparava o corte de 4 mil milhões de euros na despesa, o ministro foi criticado por fazer "uma autêntica volta ao mundo".
Esteve no Chile, no Brasil e na China, numa ausência que se estendeu por três semanas. As Finanças não esconderam o seu desagrado por não poderem contar, nos trabalhos de preparação dos cortes, com o responsável do Ministério com maior peso na despesa com pessoal de toda a Administração Pública.

A equipa de Vítor Gaspar ficou "furiosa" e, na altura, fê-lo saber. Preparava cortes e programas especiais de rescisão de funcionários e o ministro que representa um quinto dos trabalhadores no Estado estava fora. Pior, as notícias mostravam-no a inaugurar um radiotelescópio a "2635 m de altitude", o que lhe permitiu observar "a região desértica e um pôr do sol único".

sábado, 18 de Outubro de 2014

A minha cronica de Fim-de-semana. É um caso de ter vertigens ou não….Antonio Pedro Vasconcelos diz que os seus “Os gatos não têm vertigens”. Certo e concordo. Mas o meu gato, o senhor Neves, só tem vertigens no regresso a casa, porque na ida tudo bem. É um caso de uma má (ou boa) influencia feminina para saltar da varanda.

A minha cronica de Fim-de-semana.
É um caso de ter vertigens ou não….
Antonio Pedro Vasconcelos diz que os seus “Os gatos não têm vertigens”. Certo e concordo.
Mas o meu gato, o senhor Neves, só tem vertigens no regresso a casa, porque na ida tudo bem.
É um caso de uma má (ou boa) influencia feminina para saltar da varanda.

Eu conto a historia com mais ou menos salero da minha vizinha roquetana. É a Consuelo, nome igual ao que usam as muitas espanholitas andaluces. Já “senhor Neves” é um apelido nada comum a um gato de origem asiática, mas não tão parvo assim.

Gosta do que é bom e atraente tal como a Consuelo. E é correspondido. Também não sei qual o tipo de comida que ela lhe dá, mas que ele gosta lá isso é verdade. Vem sempre a lamber-se. E eu fico admirado com tanta traição na nossa amizade. A minha mulher ri-se com graça. Diz ela que o gato tem amigas brancas e loiras e eu tenho amigas negras de pele e cabelo caídos até à cintura.
Senhor Neves. Em carne e osso. Com vertigens no regresso a casa. Na ida tudo bem. A Consuelo espera-o

A minha varanda dista uns dois metros da da minha vizinha. Como a varanda é virada a norte, mais protegida pela chuva vinda do meridião e que é muito comum entre Abril e Julho, é lá que está o caixote das necessidades do gato e uma das portas da varanda está sempre entreaberta. De noite o bichano dorme na cozinha, quando se lembra de ficar em casa.

As varandas situam-se no 7º piso e um salto de 2 metros de distancia é um figo para o senhor Neves. E ele quando salta da minha varanda para a da Consuelo vertigens é uma coisa que ele não tem. Os cristais existentes no cerebro bastante desenvolvido nos gatos, ficam indiferentes ao salto do senhor Neves. O pior é quando ele quer regressar pelo mesmo caminho.

Aqui já funciona o sindrome de Prosper Meniére, os cristais bailam quando ele mede a altura, os ouvidos a estalarem de uma surdez agressiva e a sua cabeça gira tanto como a roda do programa “O Preço Certo”.

Naturalmente não regressa a casa. A Consuelo ouve os seus miados de desespero, recolhe-o e só o entrega depois da minha mulher ir lá falar com ela. Eu não tenho ordem. Não vá eu ter alguma vertigem……..
Uma vez quando a minha mulher lá foi buscar o gato, a Consuelo mandou-a entrar e pensou que o bichano estava na varanda. Qual foi o seu espanto quando passou pelo quarto de dormir e viu que a cama ainda estava desfeita e o senhor Neves dormia todo descansado no meio dos lençóis. Posteriormente a Consuelo contactou-me para ver se eu lhe vendia o senhor Neves. Claro que eu recusei.

O senhor Neves já não vai voltar a Roquetas. Vai ficar hospedado num hotel canil/gatil na Ericeira quando eu estiver ausente. Não morre pela certa pelo exiguo tamanho da jaula.

Com respeito à Consuelo também eu gostava de ter vertigens quando regressasse de sua casa.

Se ele tivesse, não digo vergonha na cara, mas sim um pouco de caracter e ética, mandava tudo para as urtigas: Passos, Coligação, Luisinha da cara magra (só) e tudo o que lhe liga a esta governação que só envergonha os militantes do CDS

Era, melhor, é inevitável.
O que é que ele estava à espera?
Depois de tantas cambalhotas

Por estas terras e gentes minhotas de que eu tanto gosto. A nossa selecção de eventos que vão decorrer a partir deste Sabado.

O Desporto (?) no Bancada Directa. Se o homem for atacado no Dragão é a mesma coisa que faz o OE2015 aos portugueses.. Também não é precisio chegar a tanto. Deixem lá viver o homem. Os sportinguistas também têm que se divertir com alguém



sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Vila de Mafra. No próximo dia de São Martinho a água-pé será a rainha das comemorações tradicionais. Mas hoje vamos falar da “Revolução da água-pé” no seu 1º centenário. Um evento cultural a ter lugar amanhã na Sala Diana do Palácio Nacional de Mafra. 15 horas. 2014. 10. 18

Vila de Mafra.
No próximo dia de São Martinho a água-pé será a rainha das comemorações tradicionais.
Mas hoje vamos falar da “Revolução da água-pé” no seu 1º cemtenário.
Um evento cultural a ter lugar amanhã na Sala Diana do Palácio Nacional de Mafra.
15 horas. 2014. 10. 18

EVOCAÇÃO DO 1.º CENTENÁRIO DA REVOLTA DA ÁGUA-PÉ

Numa organização da Câmara Municipal de Mafra, José Medeiros e João Azeiteiro apresentam uma conferência, alusiva à "Revolta da Água-Pé", no dia 18 de Outubro, pelas 15 horas, na Sala de Diana do Palácio Nacional de Mafra.

A entrada é gratuita. Destinatários: Público em geral.

A Revolta da Água-Pé insere-se num contexto de movimentos e incursões monárquicas cujo objectivo era derrubar a República, regime político recém-implantado em Portugal a 5 de Outubro de 1910.
A "intentona" de Mafra, popularmente intitulada de "Revolta da Água-Pé", ocorreu a 20 de Outubro de 1914, tendo sido judicialmente implicados 68 réus, entre os quais ilustres personalidades mafrenses, com sentença proferida pelo Tribunal Militar de Mafra no dia 9 de Janeiro de 1915.

Os presos políticos da "conspirata realista" estiveram detidos na cadeia do Tribunal da Comarca de Mafra, ao tempo sediada no Palácio Nacional de Mafra.

PROGRAMA

José Medeiros "Duas famílias no contexto da Revolta da Água-Pé".
João Azeiteiro "Monárquicos e republicanos de Mafra na conjuntura da Revolta da Água-Pé".

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Avé Maria Luís eu te saúdo! Deste ao portugueses com o teu Orçamento 2015 uma mão cheia de nada. E andaste a estudar tanto e a dar aulas de economia para isto! Em nome do Pai (PR), do Filho (PM) e do Espirito Santto ( aqui já é loiça da fina)

Avé Maria Luís eu te saúdo!
Deste ao portugueses com o teu Orçamento 2015 uma mão cheia de nada.
E andaste a estudar tanto e a dar aulas de economia para isto!
Em nome do Pai (PR), do Filho (PM) e do Espirito Santto ( aqui já é loiça da fina)

Há muito que o Orçamento do Estado deixou de ser o que sempre havia sido: o principal instrumento de política económica do Governo. Mas nunca foi tão vazio, e nisso inútil, como este.

Nunca vi coisa assim: uma reforma fiscal ficar fora do Orçamento. Ao dizer que não faz mal, pois basta que os números do IRS e da fiscalidade verde batam certo, a ministra das Finanças está a confessar que o Orçamento não é resultado de políticas públicas. É uma folha de caixa que as define. E ainda há quem ache isto normal.
Uma mão cheia de nada (1)

É só promessas para outros suportarem A receita do IRS e do IVA tem que crescer 6,4% para que a sobretaxa de IRS seja devolvida na totalidade às famílias portuguesas. Ou seja, somados os dois impostos têm que gerar pelo menos mais 1700 milhões de euros além dos 26,7 mil milhões estimados para o fecho de 2014, para que os 3,5% de sobretaxa sejam devolvidos na íntegra.

Ou seja, estes 1700 milhões cobrem os 946,7 milhões de euros que o Governo estima que a receita fiscal cresça de 2014 para 2015 e os 760 milhões de euros que valerá, em 2014 (estas contas não estão ainda fechadas), a sobretaxa de IRS para os cofres do Estado. O Governo apresentou três cenários para ilustrar o que pode vir a acontecer com a sobretaxa.

Nos cálculos mais otimistas, a receita do IVA e do IRS é posta a crescer 770 milhões de euros acima do orçamento para 2015, mais dez milhões do que a receita que a sobretaxa irá gerar em 2014. Este 'crédito fiscal' só será operacionalizado em 2016 através de um reembolso, refere o Executivo.

E o PS depois que pague!

Uma mão cheia de nada (2)
Fim da cláusula de salvaguarda dita aumento do IMI em 2015 O Governo estima um crescimento de 10,1% para a receita de IMI cobrada em 2015, que deverá atingir 1,632 mil milhões de euros, face aos 1,482 mil milhões de 2014.

A factura de imposto municipal sobre imóveis (IMI) pode vir a aumentar para muitas famílias portuguesas em 2015. Esta é uma das más notícias inscritas na proposta do Orçamento do Estado para 2015 (OE2015), já que o documento não faz qualquer referência à cláusula de salvaguarda que impediu nos últimos anos aumentos significativos deste imposto.

Assim, confirma-se que 2014 terá sido o último ano em que vigorou esta medida. O Governo estima um crescimento de 10,1% para a receita de IMI cobrada em 2015, que deverá atingir 1,632 mil milhões de euros, face aos 1,482 mil milhões de 2014.

Em 2013 tinha sido 1,306 mil milhões. No total, as receitas fiscais da administração local (que abrange, além do IMI, o IMT - Imposto Municipal sobre Transações) deverão crescer, em 2015, 7,4%, para 2,702 mil milhões.

Uma mão cheia de nada (3)

Ambiente e Economia vencem no aumento da despesa, Agricultura e Educação lideram cortes A análise aos ministérios que saem mais e menos penalizados com o Orçamento do Estado para 2015, que já foi apresentado ao país

Uma mão cheia de nada (4)
Electricidade aumenta quase cinco vezes mais que a inflação em 2015 A electricidade vai subir 3,3% para quase três milhões de clientes. Para os cerca de 500 mil novos beneficiários da tarifa social agora criada pelo Governo, a variação será de -14%.

Uma mão cheia de nada (5)
OE 2015.
Função Publica. Redução de efectivos, contenção salarial e requalificação valem 333 milhões de euros Proposta do OE 2015 antecipa uma redução global das despesas com pessoal na ordem dos 333 milhões de euros por esta via.

Uma mão cheia de nada (6)

Despesa fiscal está subavaliada, alerta o Tribunal de Contas Auditoria diz que Conta Geral do Estado de 2012 não reflete o total dos benefícios fiscais, nomeadamente €1045 milhões dados às SGPS.

Vêm por aí as “Historias do Noninoni" numa epopeia colectiva de escritores policiais modelados pelo “sistema fidalgote” que os ficciona no dia a dia e a que Bancada Directa dá expressão.

Vêm por aí as “Historias do Noninoni" numa epopeia colectiva de escritores policiais modelados pelo “sistema fidalgote” que os ficciona no dia a dia e a que Bancada Directa dá expressão.
Ora vamos lá começar pelo texto de apresentação ideária do coordenador A. Raposo & Lena.

UMA PROPOSTA HONESTA

Aproxima-se o Natal. (Dlim, dlom) Estava agora mesmo a pensar numa prenda para lhe oferecer. Mas, a vida está pela hora da morte e o País um fio-dental. Cogito ergo sum – melhor: Dubito, ergo cogito,ergo sum. Tradução livre: Duvido que o Sporting ganhe o campeonato.

Resumindo e abreviando: pensei que podíamos juntar de novo a equipa vencedora das histórias policiarias escritas a várias mãos, deste vez reforçada com a presença dos grandes escritores da Fonte Boa da Brincosa: Bufalos Associados, de quem estamos batendo à porta.(toc,toc).
Apresentamos aos leitores do Bancada Directa o coordenador das "Historias do Naninoni"

E qual irá ser o tema base? Será o “ Naninoni “ ( ruído feito pelas ambulâncias e reproduzido pelas crianças). Ver anexo o número “zero” da história, já pronta para ser editada, da nossa autoria.

Pois o nosso tema-base será uma ambulância (serve as do 112) e uma deslocação a um local de crime, acidente, vendaval, tufão, à vossa escolha. Convém meter pelo meio a sempre oportuna crítica social.
É uma possibilidade de acontecer. Mas como diz o coordenador doi ao principio mas depois a dor passa

Uma pitada de humor e um cheirinho de crítica à política. Uma chicotada nas instituições é sempre bem vinda. Os personagens serão à vontade do freguês. Não se aceita português vernáculo nem ofensas aos antepassados. Um crime é bem acolhido. Um roubo ou até uma facada nas costas, porque dói mas depois passa.

Um abraço
A. Raposo & Lena

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

“Teatro no Bancada Directa” apresentando a rubrica de Salvador Santos “No Palco da Saudade”.

O “Teatro no Bancada Directa” apresentando a rubrica de Salvador Santos “No Palco da Saudade”.
Hoje vem à nossa memória a figura de Gilberto Gonçalves.
Um grande nome do teatro das relações do Ralas, do Vinas, do Selvas e do Jaças. Era a Guilherme Cossoul dos bons velhos tempos…Ali na Madragôa

“No Palco da Saudade”
Texto inédito e integral de Salvador Santos (Teatro Nacional de São João. Porto)

GILBERTO GONÇALVES

Gigi foi o seu "petit nom".

Era assim que o tratavam Ralas (Raul Solnado), Vinas (José Viana), Selvas (Varela Silva) e Jaças (Jacinto Ramos), quatro dos seus amigos e camaradas do grupo de teatro da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, popular colectividade de intervenção cultural e cívica de Lisboa que, para além de alfabetizar cidadãos e de prestar ensinamentos sobre os mais diversos ofícios, formou actores, encenadores, dramaturgos, cenógrafos e técnicos de cena, faceta que lhe valeu o título de “Conservatório da Esperança” durante as décadas de 1940/60.

Foi lá que estes cinco amigos despontaram para o teatro, sendo Gigi considerado na altura pelos próprios como o melhor de todos eles, pela sua comicidade, pelo seu sentido perfeito dos tempos, pela sua excelente verve dramática e pela humanidade que transparecia em cena.

Ainda muito novo e com um enorme talento, Gilberto Gonçalves, que era apontado como uma grande promessa, foi aconselhado por insignes actores da época a frequentar o Curso de Teatro do Conservatório Nacional. Ficou por lá até ao exame final. Saiu exactamente nessa altura, quando o proibiram de representar o texto escolhido, por razões políticas.
De orgulho ferido, atingido na sua dignidade moral e consciência política, decidiu virar as costas à grande paixão pelo teatro e foi trabalhar para o Arsenal do Alfeite, em Almada. O trabalho braçal era coisa que conhecia desde os quinze anos e não havia emprego que considerasse menos digno, regressando por assim dizer às suas origens de operário. Só voltou de novo aos palcos em 1968, já com 46 anos, a convite do seu amigo Raul Solnado, quando este construiu o Teatro Villaret.

Foi um regresso muito saudado pelos amigos, que o acolheram com uma comovente salva de palmas aquando da estreia de “Querida Mulatinha” de François Campaux, espectáculo que esteve em cena durante largos meses com lotações esgotadas no Teatro Villaret, depois uma primeira série de apresentações no Teatro São João, no Porto, onde Gilberto Gonçalves comprovou que quem sabe nunca esquece, embora denotasse um certo e compreensível nervosismo apenas comum nos estreantes.

Aquela peça, protagonizada pela prestigiada actriz brasileira Iolanda Braga, que colocava em confronto o mundo primitivo e o mundo urbano, o choque de valores entre ambos e o deslumbramento recíproco, com uma rodada de sorte para bem de todos os males, marcou uma grande reviravolta na vida do actor que um dia escolheu ser operário.
O PARQUE de Botho Strauss.. Tradução Alberto Pimenta. Encenação Stephan Stroux.
Director de cena Luis Miguel Cintra . Gilberto Gonçalves interpretou o papel de Oberon/Secundino. Lisboa: Teatro do Bairro Alto. Estreia: 08/01/1985. 47 representações. Companhia subsidiada pelo Ministério da Cultura . Espectáculo com o apoio especial do Instituto Alemão em Portugal
 
A partir daí, o actor percorreu inúmeras companhias e grupos de teatro, prestou colaboração quase ininterrupta na rádio até aos anos 1980, deu o seu notável contributo em diversos programas de televisão e desenvolveu um interessante trabalho no cinema.

Dos filmes em que participou o destaque vai naturalmente para “O Convento” do veterano Manoel de Oliveira, onde contracenou com Catherine Deneuve, John Malkovich e Luís Miguel Cintra, actor por quem nutria uma profunda admiração desde que o viu pela primeira vez em cena nos primórdios do Teatro da Cornucópia, grupo que tinha o secreto desejo de vir a integrar como actor residente.

Foi, por isso, que recebeu com um grande e indisfarçável regozijo esse convite, decorria o ano de 1976. O facto de se integrar, a seguir à Revolução de Abril, num grupo de gente mais nova e num projeto que passou a defender como inovador, profissional e de esquerda, parecia que o compensava da sua precocemente interrompida carreira de actor.


SIMPATIA. Escola de Dramaturgia de Florença dirigida por Eduardo De Filippo

Tradução e encenação Luis Miguel Cintra . O actor Gilberto Gonçalves interrpretou o papel de Salvador, o guarda-livros.. Lisboa:Teatro do Bairro Alto. Estreia: 06/07/1984. 66 representações. Companhia subsidiada pelo Ministério da Cultura

No Teatro da Cornucópia, Gilberto Gonçalves começou por fazer o Juiz de “Ah Q” de Jean Jourdheuil e Bernard Chartreux, a que se seguiram as mais diversas personagens em trinta e oito espectáculos, de que recordamos como as mais bem conseguidas e felizes o seu guarda-livros Salvador de “Simpatia” de Eduardo de Filippo, o ator de “Catástrofe” de Samuel Beckett, o filósofo de “À Saída” de Pirandello, a consciência política de “Mauser” de Heiner Müller ou o criado de “O Público” de Federico García Lorca.

Há vinte e um anos, numa tarde de 1993, quando ensaiava “A Mula, o Clérigo, o Alfaiate e Outras Lamentações”, a partir de textos dramáticos do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, um pequeno espectáculo muito bem cuidado e destinado ao público escolar, por sinal o género de projecto que o entusiasmava, defensor que era de um teatro entendido como serviço público, Gilberto Gonçalves parou bruscamente o ensaio, após alguns lapsos de memória, e disse: «Desculpem meus amigos, eu vou para casa. Já não consigo».

Foi nessa tarde, e com a mesma discrição e o mesmo profissionalismo de sempre, um respeito e um amor pelo teatro pouco vulgar entre nós, que decidiu que já não estava à altura das exigências profissionais e que a sua carreira de actor acabava ali. Gilberto Gonçalves, o Gigi, nunca mais fez teatro. Continuou a marcar presença em todas as estreias da Cornucópia, escondendo uma ferida muito grande, um grande desgosto de envelhecer, abraçando sempre Luís Miguel Cintra de lágrimas nos olhos. A partir de 2008 deixou de aparecer.
Por estas instalações da Marinha, Gilberto Gonçalves desenvolveu a sua vida como operário

A 20 de agosto de 2012, com 91 anos, deixou-nos. «O meu pai amava o teatro com toda a paixão, e os actores mais novos reconheciam-no como um actor de muita experiência e sempre pronto a passar os seus conhecimentos de uma forma desinteressada», disse o filho na hora da despedida. Uma grande verdade

Salvador Santos .
Teatro Nacional de São João. Porto
Porto. 2014. Outubro 12

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Para este Governo isto já está pela hora da despedida. Já nem receiam o descontentamento popular em ano de eleições. Já contam perder as Legislativas e seja o que Deus quiser. Por isso vai continuar a austeridade em 2015. E Bruxelas ainda quer cortes adicionais.

Para este Governo isto já está pela hora da despedida.
Já nem receiam o descontentamento popularem ano de eleições. Já contam perder as Legislativas e seja o que Deus quiser.
Por isso vai continuar a austeridade em 2015.
E Bruxelas ainda quer cortes adicionais.
18 horas  para quê? Nada para beneficiar o cidadão comum. A montanha pariu um rato

Fim-de-semana de Orçamento do primeiro ano de eleições das próximas duas décadas de austeridade acordadas entre os três partidos que também assinaram o memorando da nossa desgraça.

A comunicação social plantou-se à porta do local onde decorria o Conselho de Ministros de onde sairia algum documento com novidades. As não notícias iam saindo, umas que iria haver redução da sobretaxa de IRS, outras que não iria haver qualquer redução.
Eles bem disfarçam, mas as diferenças entre ambos sobre moderação fiscal são bem evidentes

Dezoito horas depois, sim, dezoito, o número foi feito para transpirar uma imagem de árduo labor num Sábado roubado ao lazer e à família, lá foi revelada a versão final, já com a atenção geral exaurida com tanta algazarra, completamente absorvida no desenlace de mais este mistério e sem energias para reparar em mais nada.

Dezoito horas depois, o Orçamento era aquilo e só aquilo, o sim ou o não a uma redução de IRS que para a grande maioria não se materializará em mais do que meia dúzia de euros. E nem foi sim, nem foi não: foi será se. Será sim se a economia o permitir e a ser sim apenas o será em 2016. Ou seja, será não.

O que importa retirar de todo este enredo, e ainda não lhe conhecemos os detalhes mais sórdidos, é que na vigência do Tratado Orçamental a austeridade selectiva não abranda nem mesmo em ano de eleições. E reforço o selectiva: foi anunciada nova redução do IRC para já e não para depois.
Ao não demitir este ministro é bem elucidativo de que a sina está lida e nem vale a pena mudar nada.

Continuar a sobrecarregar com impostos os rendimentos do trabalho e aliviar a carga fiscal às grandes empresas. Concentração de riqueza. As sondagens contam votos suficientes para mudar a cor ao espremedor e mantê-lo a funcionar. Pior ainda é possível. Fica para depois das eleições.

No dia seguinte: A Comissão Europeia considera que o Governo tem de apresentar medidas adicionais no Orçamento do Estado para 2015, que substituam as chumbadas pelo Tribunal Constitucional, para que consiga reduzir o défice para o compromisso de 2,5% do PIB

Obrigado Pela Sua Visita !