BANCADA DIRECTA

terça-feira, 24 de maio de 2016

Espionagem à portuguesa. O espião descuidado. É dos livros que são sempre as namoradas que estragam a vida aos espiões.

Carvalhão Gil, o espião descuidado

É preciso ser um espião muito descuidado para arranjar uma namorada russa e levá-la ao estrangeiro em iniciativas profissionais. Estamos muito bem entregues em matéria de segurança, depois do espião da Ongoing temos agora um espião que gosta de namoradas russas.

 «Um dos membros mais antigos do Serviço de Informações de Segurança (SIS), a secreta portuguesa que atua no campo interno, tendo entrado nos quadros logo nos primeiros cursos, a partir do final dos anos oitenta. Nos últimos anos teria porém caído em descrédito por ter levantado suspeitas. Frederico Carvalhão Gil chegou mesmo a ocupar um cargo dirigente na organização, ou seja, chefe de divisão, que na casa se designa por "diretor de área".

 Mas durante um curso frequentado no estrangeiro terá levado com ele a namorada - uma cidadã do Leste - que com ele se encontrava hospedada num hotel.

A entidade estrangeira que patrocinou esse curso alertou então a congénere portuguesa por considerar que ele "não estaria a ter um comportamento adequado", segundo uma fonte contactada pelo Expresso.» [Expresso]

Contribuições

Frederico Carvalhão esteve para ser expulso por ordem de Rui Pereira. Suspeito e espião russo apanhados em Roma com documentos secretos e dinheiro.

Um quadro superior dos Serviços de Informações de Segurança (SIS), Frederico Gil Carvalhão, foi detido em Roma, durante uma ação internacional da PJ, designada Operação Top Secret, que o apanhou quando se encontrava com um espião dos serviços secretos russos (SVR), também detido. Foram apreendidos documentos confidenciais que iam ser negociados.

O encontro tinha por base a venda de informações secretas (políticas e económicas) ao agente russo pelo espião português. A investigação policial a Frederico Carvalhão decorria há dois anos, a cargo da Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo (UNCT). É a primeira vez que oficialmente é conhecido um caso com esta dimensão no nosso país, que põe a nu a atividade do elemento do SIS e a da espionagem.

Frederico Carvalhão era um antigo quadro do SIS e tivera um processo disciplinar quando Rui Pereira esteve à frente daquele serviço. Então, Frederico mantinha relações íntimas com várias mulheres do Leste europeu, inclusive da Rússia, e deslocava-se com frequência àquelas zonas, o que começou a levantar muitas dúvidas no SIS. Por outro lado, também não escondia a sua proximidade à Rússia, algo que era visto como uma fragilidade, tendo em conta a delicadeza do serviço que desempenhava. Frederico chegou a ser chefe de departamento, embora recentemente tenha passado para a Análise de Informações, ficando afastado de informação de natureza mais secreta.

Encontros no estrangeiro

No entanto, além da sua conduta pouco ortodoxa, até mesmo nas redes sociais, pouco de acordo com o perfil discreto que deve ser mantido nos serviços de informações, Frederico Gil Carvalhão começou também a levantar suspeitas de que estaria a passar informação para um serviço estrangeiro. A contraespionagem do Sistema de Informações da República (SIRP), de que depende o SIS, acabou por começar a verificar se poderia haver ou não fundamento para as suspeitas.

sinal positivo abriu caminho a uma participação do SIRP junto do Ministério Público, uma vez que poderiam estar em causa os crimes de violação de segredo de Estado e de espionagem. A investigação ficou a cargo da UNCT, com diligências iniciadas há cerca de um ano.

Os contactos entre Frederico Carvalhão e o agente russo já ocorriam há pelo menos dois anos, mas a passagem dos documentos e de outra informação aconteciam presencialmente. Os pontos de encontro eram sempre em cidades fora do território português.

A UNCT foi recolhendo prova e, ao mesmo tempo, através do DCIAP, da Eurojust e da Interpol, era estabelecido contacto com as autoridades europeias, em particular as italianas, neste caso a Policia de Stato, departamento de operações especiais. Na passada sexta-feira, Frederico partiu para Roma e foi seguido pela UNCT, que já enviara inspetores para Itália em colaboração com a Policia de Stato.

O encontro entre o elemento do SIS e o agente russo ocorreu no sábado. E foi então que a polícia italiana interveio e fez as detenções, acompanhada pela PJ. Foi apreendida documentação e dinheiro na posse do português, cuja residência em Lisboa foi alvo de buscas. Na casa, foi encontrada mais documentação que poderia ser também negociada. Um e outro estão detidos em Roma, indiciados pelos crimes de espionagem, corrupção e violação de segredo de Estado, e aguardam o processo de extradição para Portugal. 

O JN contactou o Ministério dos Negócios Estrangeiros, para obter um comentário sobre o caso, mas não obteve resposta.

sábado, 21 de maio de 2016

Nisto Passos Coelho tem muita razão! Há poderosos interesses na questão dos financiamentos aos colegios privados. E interesses na distribuição de lucros aos proprietarios dos ditos cujos

A Constituição da República Portuguesa, bem, consagra o direito à Educação universal e de qualidade. A Lei, novamente bem, prevê o financiamento de colégios privados se e só se não houver escolas do Estado nas proximidades com capacidade instalada para assegurarem cabalmente aquele direito. 
Vai para aí uma enorme chinfrineira causada por um despacho de um Governo que, sem rasgar compromissos previamente assumidos pelos seus antecessores, finalmente teve a coragem de zelar não apenas pelo cumprimento da Constituição e da Lei, como também o de avançar para a racionalização de recursos que, se são escassos para garantir que o número de alunos por turma nas escolas do Estado não compromete a qualidade do ensino por elas ministrado, com toda a certeza se tornarão ainda mais escassos se servirem para financiar uma oferta que multiplica os custos e o desperdício. 

 Outros já o fizeram, por isso não valerá a pena alongar-me sobre o liberalismo do subsídio que se vê por aí em fúria ou sobre o tal direito de escolha de cada um que o despacho não belisca, ele apenas deixará de ser pago com o dinheiro de todos. Porém, vale muito a pena prestar atenção ao que disse Pedro Passos Coelho sobre os interesses estranhos ao interesse público e ao da Educação que emolduram toda esta polémica. 
Bem vistas as coisas, embora a sua intenção seja precisamente a oposta, Pedro Passos Coelho tem toda a razão quando diz que há interesses no despacho que elogiei atrás. E dou três exemplos. Os interesses que fazem com que o Estado laico que vem consagrado na nossa Constituição continue a fechar os olhos às missas ao amanhecer e ao entardecer e à educação católica que é ministrada em muitos colégios com o dinheiro dos nossos impostos. 

Os interesses que impedem que os contratos de associação sejam do domínio público, e continuam a não sê-lo, mesmo com o país inteiro a falar deles. Finalmente, e haverá mais, os interesses que impediram o Governo de fazer o que se faz noutros países onde, tal como cá, a Educação é confiada a privados mas onde, porque o que se quer financiar é Educação apenas e não também enriquecimentos obscuros, se impõe como regra definida à partida a proibição de distribuição de lucros entre os proprietários dos estabelecimentos com contratos com o Estado. 
Quero dar tempo ao tempo e ver a decência a ocupar-se também destes interesses em futuros actos normativos. Por agora, porém, dar-me-ei por satisfeito se o Governo conseguir ceder à pressão de dar o dito pelo não dito e substituir a decisão de dar cumprimento à Lei por uma daquelas soluções “por consenso” que saem sempre tão caras aos mesmos de sempre. 

E mesmo que não ceda, o consenso dos colégios com contrato de associação continuará a custar-nos anualmente bastante mais de 200 milhões ainda durante vários anos.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Fascistas ressabiados para todo o sempre na sua vida. Difamadores e especialistas em calunias


Manuel Alegre é um lutador antifascista e enorme escritor e o outro, o caluniador, um mero epifenómeno do fascismo orgânico português.

Sempre defendi que a liberdade de expressão só pode ter como limite o Código Penal, tal como aconteceu agora. O apreço que Manuel Alegre nos merece pelo seu percurso cívico e literário, equivale ao desprezo que nutro pelo fóssil que o difamou, mas preferia que tivesse sido absolvido. 

Não é um fascista que conspurca a dignidade de um combatente da liberdade, por mais vezes que calunie, por mais torpes que sejam as mentiras, mas a liberdade de expressão pode perigar se a jurisprudência insistir em condenações.

Não ficaria mal no acórdão: «Apesar da indigna e reincidente conduta do arguido, vai absolvido porque a liberdade de expressão, que o autor ajudou a conquistar, é um bem tão precioso que não pode estar à mercê da boçalidade de um fascista.»

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O blogue "Policiario de Bolso" volta a dar destaque a temas literarios do nosso amigo Antonio Raposo. O episodio nº 1 tem o alferes Sezinando como figura central e intitula-se "O Retiro do Quebra Bilhas"


O blogue "Policiario de Bolso" volta a dar destaque a temas literarios do nosso amigo Antonio Raposo. O episodio nº 1 tem o alferes Sezinando como figura central e intitula-se "O Retiro do Quebra Bilhas"

Clicar para abrir o link do blogue Policiario de Bolso

http://policiariodebolso.blogspot.pt/2016/05/1-episodio-o-retiro-do-quebra-bilhas-de.html

O autor deste tema literario

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Esta Assunção Cristas anda a cantar de galo, mas não convence ninguém. Defende os seus interesses no financiamento das escolas privadas, porque daí tira beneficios afins. Defende critérios duvidosos de comparação com as escolas publicas

Assunção Cristas

Assunção Cristas descobriu um novo critério para financiamento de escolas, na sua opinião se a escola privada for melhor do que a pública deve ser financiada, o critério de tão ingénuo até parece certo, mas nem está certo, nem é honesto, diria mesmo que é velhaco. O que Cristas omite e que um colégio privado obedece a regras que uma escola pública não obedece, esta tem obrigações que os colégios privados não têm, sofrem de restrições financeiras que não são necessariamente as mesmas de um colégio privado, tem alunos que em média vêm de meios sociais com melhores recursos e educação e obedecem a critérios pedagógicos diferentes.
O que a líder do CDS pretende é comparar coisas diferentes e com base em resultados, dois critérios que têm mais de velhaco do que de honesto. A qualidade não se avalia no ranking, exigiria uma auditoria séria aos métodos para que essa avaliação fosse séria, não sendo influenciada pela dimensão das turmas, pela estabilidade do corpo docente, pela origem social dos alunos, pela percentagem de alunos com problemas de deficiência, pelos critérios de admissão de alunos.

Assunção Cristas começa a revelar-se uma política pouco séria, ela sabe que instituições como escolas ou hospitais não são empresas privadas, o número de doentes curados ou a posição no ranking não têm nada que ver com o lucros das empresas, não se pode estabelecer uma relação directa e proporcional entre estes resultados e a qualidade da gestão. De uma líder do CDS seria de esperar mais honestidade intelectual, isto no pressuposto de que Assunção Cristas sabe do que está falando.
"A líder do CDS sugere que o critério para financiamento das escolas não deve passar pelo proprietário das mesmas, mas pela escolha dos pais, custos, qualidade e resultados do estabelecimento. "Se uma escola é melhor, se tem melhores resultados, se os pais a preferem e se não é mais caro que uma escola estatal, porque é que não há de ser essa turma nessa escola que deve prosseguir?", questiona Assunção Cristas, que falava esta segunda-feira aos jornalistas à margem de uma visita ao Colégio Apostólico da Imaculada Conceição (CAIC), em Coimbra.


Com "o problema da natalidade" a criar uma falta de crianças "para encher as escolas", será necessário perceber o que se quer: "Se queremos olhar para a escolha dos pais, para a preferência dos pais, para a qualidade do ensino, olhar para os custos, certamente, ou se queremos olhar simplesmente para o dono da escola", afirmou.» [Expresso]

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Sou um catolico convicto. Mas estou atento aos problemas reais da nossa sociedade. Aceito a luta do episcopado contra as decisões do Governo desde que firam as suas mordomias. Mas deixem Deus na sacristia das Igrejas e reconheçam que as nossas crianças pobres também mereciam "liberdade de escolha"

O Episcopado demonstra que os problemas das crianças não lhe fazem mossa nos seus espiritos

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), padre Manuel Barbosa, mostrou-se ontem, terça-feira, "preocupado" com a revisão dos contratos de associação, incentivando a luta no terreno contra a medida.

 A CEP "mostra preocupação e manifesta incentivo a todos aqueles que no terreno lutam para que estes princípios se realizem e sejam concretizados" – disse o presbítero. É inquestionável a legitimidade da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) para incentivar a luta contra a medida do Governo, tal como a dos partidos da oposição para se colarem contra um governo cuja legitimidade é igual à do ressentimento que nutrem.
O confronto de posições faz parte da dialética da democracia. O que parece importante é discutir a legitimidade da decisão do Governo e das reivindicações clericais. Se é de legalidade que se trata, é assunto para os tribunais, se é de política, é matéria que cabe a todos e talvez os bispos venham em busca de lã e acabem tosquiados.

 É difícil perceber que uma atividade privada seja subsidiada pelo Estado e não se compreende onde o ensino público, que cabe ao Estado assegurar, tem condições para absorver os alunos. 

 Ninguém reclama do Estado, em nome da liberdade de escolha, que conceda ao automóvel os subsídios que concede aos transportes públicos e, neste caso, são os impostos que recaem nos transportes privados que ajudam a manter os públicos, tal como os impostos sobre os colégios deviam ser dirigidos para o ensino público, em vez de ser este a ser canibalizado pelo privado.
Dado que já se agitam mitras, exibem báculos e nas homilias se defendem interesses terrenos, é tempo de os cidadãos discutirem os negócios profanos da ICAR e os benefícios fiscais de que gozam. É talvez chegada a altura de as Misericórdias passarem a ter inspeções fiscais tal como os outros negócios profanos.

 E deixem Deus na sacristia.

Obrigado Pela Sua Visita !