BANCADA DIRECTA

quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

Fragmentos e Opiniões no Bancada Directa. O jornalista nosso amigo Fernando Correia diz de sua justiça e fala-nos de um tema intitulado: da idade da pedra até à idade do “Gold”

Fragmentos e Opiniões no Bancada Directa.
O jornalista nosso amigo Fernando Correia diz de sua justiça e fala-nos de um tema intitulado: da idade da pedra até à idade do “Gold”

Paulo Portas, vice-primeiro ministro do Governo mais desgorvenado do dos ultimos anos em Portugal, copiou a matéria surgida noutras latitudes

Que até nem seria má, desde que bem executada: vistos “gold”, para quem investisse dinheiro no nosso país, criando empresas e postos de trabalho.

Ou seja: investindo em Portugal, no sentido de melhorar a nossa economia. Os vistos “gold” significavam e traduziam facilidades na obtenção de residencia, oficialmente autorizada, e morada certa. Que bom! Ou que bom para todos, anunciava-se.
Só que apenas foi bom para alguns. Porquê? Ora, porque vendo bem a coisa, os vistos traziam “luvas” à mistura, no sentido de alguns mandantes pouco ou nada escrupulosos, receberem dinheiro “grande”, ao que dizem, para agilizarem os tais vistos. Eles eram chineses.

Eles eram angolanos. Eles eram indianos. Eles eram de outros povos e raças. Desde que tivessem dinheiro. E eles eram também os de poucos escrupulos que, por cá, davam noticia da sua forma de intrepertar a nova Lei. E não se pense que se tratava de gente com pouco significado politico ou administrativo. Nada disso. Era gente da “alta”, porque é da “alta” que chegam estas noticias.

O juiz Carlos Alexandre ouviu o que tinham para explicar os mandantes da fraude e ordenou-lhes medidas de coação (a alguns deles) que não foram nada protectoras dos superiores “interesses da Nação”. Ainda bem que a Justiça é independente do poder politico.

Num Estado de Direito, a idade da pedra não pode confundida com a idade dos vistos “Gold”

Digam o que disserem.

Fernando Correia
Fernando Correia escreve no “Jornal Daqui” do Concelho de Mafra

quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

A quem servem estas confusões lançadas por jornalistas afectos a uma Direita perniciosa?

A quem servem estas confusões lançadas por jornalistas afectos a uma Direita perniciosa?

É confrangedor ver a ligeireza com que jornalistas e comentadores televisivos de direita (passe o pleonasmo…) manipulam os factos nas suas análises. Nem digo que seja sempre má fé; muitas vezes é pura ignorância.

Não têm conta as considerações que já ouvi sobre o alegado embaraço que a corrente situação política provoca ao líder parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, considerado próximo e até colaborador dos governos de Sócrates. Ora vão lá estudar a história, criaturas. Ferro Rodrigues foi ministro nos governos de Guterres (XIII e XIV) e não nos de Sócrates.

Da sua acção – e sou insuspeito de qualquer simpatia política por tais governos – retenho uma imagem de decência e de capacidade de diálogo à esquerda que os seus sucessores nunca tiveram.
Foi o líder do PS antes de Sócrates e não merecia as circunstâncias em que foi substituído por este. Por isso, parem lá com as telenovelas e ajeitem a “narrativa”.

Sobre Ferro Rodrigues

Activista do movimento associativo universitário, Eduardo Ferro Rodrigues envolveu-se, desde jovem, em movimentos de oposição à ditadura, tendo então sido detido pela polícia política.

Em 1974, foi um dos fundadores do MES (Movimento de Esquerda Socialista), um grupo político que desempenhou um relevante papel no período subsequente à revolução democrática do 25 de Abril.

 Em 1986, ingressou no PS. Foi eleito deputado à Assembleia da República portuguesa nas IV, V, VI, VII, VIII, IX e X legislaturas. Após as eleições legislativas de 1995, em que os socialistas saíram vitoriosos,

Ferro Rodrigues desempenhou funções como Ministro do Trabalho e Solidariedade (1995-2001). (Governo de Antonio Guterres) Viria a também desempenhar funções como Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (2001-2002). (Governo de Antonio Guterres) Em 2002, foi eleito Secretário-Geral do PS, na sequência da demissão de António Guterres.

Nas eleições legislativas de 2002, o PS, dirigido por Ferro Rodrigues, obteve 37.8%, para 40.1% do PSD, partido que formou governo. Em Junho de 2003, sob a sua direcção, o PS obteve o seu melhor resultado de sempre em eleições para o Parlamento Europeu (44.5% para 33.3% do PSD).

A 18 de Junho de 2003 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Mayo al Mérito da Argentina.3 Em 9 de Julho de 2004, na sequência da crise política provocada decisão do presidente Jorge Sampaio de nomear um novo governo sob a liderança do PSD, após o afastamento de Durão Barroso do cargo de primeiro-ministro, Ferro Rodrigues afastou-se da liderança do PS.

A partir de 2005, assumiu funções como embaixador representante permanente de Portugal junto da OCDE em Paris. Em Abril de 2011, abandonou o cargo para ser candidato pelo PS às eleições legislativas em Portugal. É Vice-Presidente da Assembleia da República.

Em Janeiro de 2014 aposentou-se com uma pensão a uma pensão de 3.399,36 euros mensais4

Uma figura versatil do nosso meio artistico. Ele fez teatro de opereta, teatro de revista e foi um óptimo actor de cinema. Falamos de Alberto Ribeiro, que o nosso homem do teatro Salvador Santos recorda hoje na sua rubrica “No Palco da Saudade”. É o Teatro no Bancada Directa

Uma figura versatil do nosso meio artistico.
Ele fez teatro de opereta, teatro de revista e foi um óptimo actor de cinema.
Falamos de Alberto Ribeiro, que o nosso homem do teatro Salvador Santos recorda hoje na sua rubrica “No Palco da Saudade”.
É o Teatro no Bancada Directa

“No Palco da Saudade”
Texto inédito e integral de Salvador Santos (Teatro Nacional de São João. Porto)

ALBERTO RIBEIRO
O teatro de revista, a opereta e o cinema foram os seus territórios de criação mais apetecíveis, embora a rádio, os discos e os concertos a solo tivessem sempre um lugar de eleição no seu percurso enquanto cantor.

Senhor de uma potente voz, de cambiantes suaves, de timbre quente e de grande facilidade nos agudos, granjeou muito cedo uma enorme popularidade, que se estendeu além-fronteiras. Espanha, Venezuela, México, Estados Unidos e Brasil foram alguns dos países que o acolheram por diversas vezes como uma grande vedeta internacional.

Em Portugal, foi também um dos mais queridos artistas do segundo terço do século XX, arrastando multidões até todas as salas de espetáculos onde atuava, incluindo as das antigas colónias de Angola e Moçambique. Filho de um conhecido comerciante de Ermesinde, terra onde nasceu em 1920, tudo parecia indicar que Alberto Ribeiro seguisse as pisadas do pai.
Alberto Ribeiro actua nos festejos do Carnaval de Loulé em 1951. Fez três espectáculos no Cine -Teatro Louletano

Mas acabou por ser influenciado pelos seus dois irmãos, que tinham por hábito organizar serões de música em casa. Um dia cantou a pedido do irmão, surpreendendo a família. Entretanto, com a mudança para a cidade do Porto, quando tinha pouco mais de nove anos, o gosto pela música impôs-se. No antigo café Portugal, local onde se cantava o fado, desafiaram-no a mostrar os seus dotes de fadista e… o rapaz foi logo contratado!

Decidido a seguir a carreira de cantor, quando fez quinze anos rumou a Lisboa. Sem dinheiro, emprega-se numa fábrica de tecelagem, onde trabalha de dia, ocupando as noites nas casas de fado. E ao fim de uma semana já estava contratado para cantar no consagrado Café Luso. Convicto de que precisa educar o seu extraordinário aparelho vocal, Alberto Ribeiro passa a estudar música e canto com a professora Maria Antónia Palhares, que mal o conhece e escuta a sua voz prevê que aquele jovem se tornaria em breve num ídolo nacional.
Um dos maiores exitos de Alberto Ribeiro foi este disco intitulado Coimbra. Temas : "Coimbra". "Fado Hilário". "Canção do Cigano" e Canção do Alentejo". (1949) ?

Não se enganou. Em 1939, o Teatro Apolo abre-lhe as portas da revista com “Toma Lá Cerejas” e, partir daí, participa em largas dezenas de revistas e operetas que foram sucesso nos nossos mais diversos palcos do teatro musicado. “Na Ponta da Unha”, “Sempre em Pé”, “Alto Lá com o Charuto”, “Cantiga da Rua”, “O Mundo em Marcha”, “Nazaré”, “A Viúva-Alegre” e “As Pupilas do Senhor Reitor”, onde interpreta o papel de Pedro, foram alguns dos espetáculos que o guindaram para o estrelato.

A ascensão de Alberto Ribeiro a primeira figura do teatro de revista chega ao conhecimento de Célia Gamez, uma das mais influentes personagens do teatro popular em Espanha, que vem expressamente a Lisboa para ouvi-lo cantar e logo o contrata como estrela da sua Companhia.
Cartaz do filme "Capas Negras" (1947/1948)

Foram dezoito meses de sucesso, que o levaram a percorrer todo o território espanhol, interpretando operetas e outros espetáculos musicais como “La Cinecienta del Palace”, “Yola” ou “Rumbo a Pique”. A sua popularidade valeu-lhe a gravação de inúmeros discos em Barcelona e o convite para filmar “Un Ladrón de Guante Blanco”, ao lado do cómico espanhol Óscar de Lemos.

Seduzido por um conjunto de propostas do empresário Piero Bernardon, que fazia do teatro musicado o seu principal foco de trabalho em Lisboa, Alberto Ribeiro regressa a Portugal, onde participa na opereta “Mouraria”, ao lado de Amália Rodrigues, uma dupla que viria a ser replicada no filme “Capas Negras” do realizador Armando de Miranda.

Após o sucesso deste filme, surgiu o convite para uma temporada no Brasil, onde é recebido quase em delírio. Anunciado como a “Voz de Veludo de Portugal”, enche o Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, com um espetáculo a solo, e percorre depois as cidades de São Paulo, Belém do Pará e Recife, então como atração da revista local “Leilão de Garotas”, conquistando uma verdadeira legião de admiradores.
Cartaz do filme "Rosa de Alfama". 1953

Depois de oito meses de permanência no Brasil, Alberto Ribeiro regressa a Portugal para protagonizar “Cantiga da Rua”, um filme do realizador Henrique de Campos que deu origem a uma opereta com o mesmo título, estreada a 9 de Abril de 1950, no Teatro Maria Vitória. A partir daí, os sucessos repetiam-se. Criou ele próprio uma estrutura que produziu um espetáculo que o levaria a várias países dos continentes americano e africano, tendo contratado para o efeito a atriz espanhola Elita Martos, por quem acabaria por se apaixonar e casar.

Entretanto, volta ao cinema com “Rosa de Alfama”, de Henrique de Campos, e decide retornar ao Brasil, onde faz grande fortuna. No seu regresso definitivo a Portugal, no início dos anos 1960, Alberto Ribeiro reaparece no Parque Mayer, com a remontagem da opereta “Nazaré”, fazendo de seguida uma digressão que o levaria a diversas partes do mundo.

Participa depois no filme de Henrique de Campos “Canção da Saudade” e, de súbito, no auge da sua popularidade e prestígio, abandona a vida artística sem qualquer explicação. Sabe-se que se desencantara com as rivalidades estéreis que corroíam o ambiente nos bastidores do espetáculo e que vivia amargurado com as intrigas que circulavam sobre a sua vida mais íntima, realidades que o levam a deixar de vez os palcos.
Mas a verdade é que nunca deixou propriamente de cantar. Fazia-o anonimamente, longe das luzes da ribalta e dos olhares maliciosos de gente de poucos escrúpulos, num coro da sua terra natal. Faleceu a 26 de junho de 2000, sem que lhe tivessem feito a homenagem que merecia.

Salvador Santos
Teatro Nacional de São João. Porto
Porto. 2014. Novembro. 23

terça-feira, 25 de Novembro de 2014

Quem sou eu, que não conheço o processo nem tenho formação jurídica, para julgar quem julga, para avaliar se as medidas de coação são violentas, brandas, adequadas, exóticas, necessárias ou gratuitas?

O circo mediático e a violação permanente do segredo de justiça que o alimentou foram duplamente lesivos para o criminoso – sim, criminoso e particularmente perigoso –, que as medidas não deixam espaço para a presunção ou a mais leve dúvida sobre o carácter do arguido.

Lesam-no na antecipada condenação no pelourinho da opinião pública, de que não há recurso, e no enfraquecimento da defesa a que terá direito, apesar da vontade de muitos para que fosse sumária a justiça e capital a pena.

Lá fora as folhas mortas deste outono cobrem o chão. Exibem o amarelo da velhice do que é caduco, estão sujas da lama que as salpicou, enquanto as árvores donde caíram, despidas, desafiam o tempo que aí vem para rejuvenescerem na próxima primavera.

 Na região da minha infância, os lobos juntam-se em alcateias para abater ovelhas.

Bancada Directa/Ponte Europa

José Sócrates = prisão preventiva. Eles tinham bastantes certezas dos ilicitos para determinarem aquela mediatica detenção. Em España as noticias sobre o ex primeiro ministro socialista correm ao minuto. O periodico El País dá conta da situação em directo de Lisboa

José Sócrates = prisão preventiva.
Eles tinham bastantes certezas dos ilicitos para determinarem aquela mediatica detenção.
Em España as noticias sobre o ex primeiro ministro socialista correm ao minuto.
O periodico El País dá conta da situação em directo de Lisboa
El juez Carlos Alexandre ha decretado la prisión preventiva del ex primer ministro de Portugal, José Sócrates, según anunció su abogado defensor, que calificó la decisión de injusta. El juez ha decretado también la prisión preventiva para Carlos Santos Silva, amigo y probable testaferro de Sócrates, y también para su chófer Joao Perna. Solo escapa a la prisión el abogado Gonçalo Ferreira, que ha tenido que entregar el pasaporte y debe presentarse dos veces por semana en los juzgados; no puede comunicarse con los otros acusados ni abandonar el país.

Tanto el ex primer ministro socialista como su amigo Santos Silva han sido acusados de fraude fiscal cualificado, corrupción y blanqueamiento de capitales. El chófer se escapa del delito de corrupción, pero se le añade el de posesión de arma ilegal. El abogado de Sócrates, Joao Araujo, calificó la decisión de "profundamente injusta e injustificada, que que pienso recurrir a no ser que mi cliente me diga lo contrario".

Araujo también lamentó las condiciones en las que han tenido que trabajar los periodistas durante estos tres días, en la calle de madrugada a medianoche y sin comunicación alguna por parte de los juzgados hasta la lectura de un comunicado a las 22.30 de la noche, cuatro horas después de lo que se había anunciado.
El comunicado no expone los argumentos que le han llevado al juez Alexandre a tomar estas medidas ni detalle alguno de las investigaciones, más allá del tiempo que pasaron los acusados en los interrogatorios.

El interrogatorio al ex primer ministro de Portugal José Sócrates, detenido el viernes concluyó a mediodía del lunes, después de varios días. Según su abogado, Sócrates respondió a todas las preguntas, pese a que podía haber renunciado a ello. Este lunes se ha conocido, según el diario Público, que el chófer viajaba periódicamente a París para entregar dinero al ex primer ministro.

Sócrates, que llevaba allí un gran tren de vida desde que renunció a su cargo en 2011, no tenía suficiente para mantener ese ritmo de acuerdo con sus ingresos declarados; en París, no tenía trabajo remunerado. Perna iba en coche, un medio que dejaba menos rastros y proporcionaba mayor autonomía, que el avión. La transacción era de miles de euros y en maletas. Esta información, según las mismas fuentes, se obtuvo a través de vigilancias y escuchas telefónicas sobre Perna.
El método de entrega, que había funcionado durante más de un año, se interrumpió hace unos meses, aunque todavía no ha transcendido por qué. Sócrates debía haber sido detenido un día antes, el jueves. Ya había realizado el check-in para tomar el vuelo desde París, pero no llegó; otra de las incógnitas que analizan los investigadores.

Ese jueves se registró la empresa Octapharma, con la que el socialista había tenido tratos durante su etapa en el Gobierno, y que le contrató en enero de 2013 por 12.000 euros mensuales como consultor para América Latina. Ese fue el primer ingreso legal y periódico que tenía desde su renuncia a la política en 2011.

Durante estos tres años, desde que se dejó el cargo de primer ministro, Sócrates escribió un libro del que se vendieron unos 20.000 ejemplares. Aunque, según el semanario Sol, la mayoría de ellos los compró su amigo y Carlos Santos Silva, personaje clave en la investigación y que desde 1997 se ha visto envuelto en diversos casos de corrupción, aunque siempre absuelto. A Sócrates también se le relacionó con varios casos de corrupción, pero nunca fue imputado.

En concreto, en el caso Freeport, de otorgamiento de licencias para un centro comercial; y en el caso Monte Branco de blanqueo de dinero; tampoco su licenciatura de Ingeniería escapó a la sospechas, pues se firmó en un domingo y cuatro de las cinco asignaturas que le faltaban se las aprobó el mismo profesor, António Morais, que había estado imputado con Santos Silva en el caso de Cova da Beira sobre concesiones de licencias de basuras. En todos esos años, Sócrates ya formaba parte del Gobierno, bien como ministro, bien como secretario de Estado.Todos y en todos los casos quedaron absueltos o ni siquiera imputados.

Más información
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segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

Todo o cidadão tem os mesmos direitos perante a Lei. Será que a Lei foi violada nesta detenção mediática de José Socrates? Artigo de opinião de Clara Ferreira Alves

Todo o cidadão tem os mesmos direitos perante a Lei. Será que a Lei foi violada nesta detenção mediática de José Socrates?
Artigo de opinião de Clara Ferreira Alves


A Justiça é antes de mais um código e um processo na sua fase de aplicação. Ou seja, obediência cega, essa sim cega, a um conjunto de regras que protegem os cidadãos da arbitrariedade. Do abuso de poder. Do uso excessivo da força. Essas regras têm, no seu nó central, uma ética.

Toda e qualquer violação dessa ética é uma violação da Justiça. E uma negação dos princípios do Direito e da ordem jurídica que nos defendem. Num caso de tanta gravidade como este, o da suspeita de crimes graves e detenção de um ex-primeiro-ministro do Partido Socialista, verifico imediatamente que o processo foi grosseiramente violado. Praticou-se, já, o linchamento público. Como?
 
1) Detendo o suspeito numa operação de coboiada cinemática, parecida com as de Carlos Cruz e Duarte Lima, a uma hora noturna e tardia, num aeroporto, quando não havia suspeita de fuga, pelo contrário. O suspeito chegava a Portugal. Porque não convocá-lo durante o dia para interrogatório ou levá-lo de casa para detenção?

2) Convidou-se uma cadeia de televisão a filmar o acontecimento. Inacreditável.
3) Deram-se elementos que, a serem verdadeiros, deviam constar em segredo de Justiça. Deram-se a dois jornais sensacionalistas, o "Correio de Manhã" e o "Sol", que nada fizeram para apurar o que quer que seja. Nem tal trabalho judicial lhes competia. Ou seja, a Justiça cometeu o crime de violação do segredo de Justiça ou pior, de manipulação do caso, que posso legitimamente suspeitar ser manipulação política dadas as simpatias dos ditos jornais pelo regime no poder. Suspeito, apenas. Tenho esse direito.

4) Leio, pela mão da jornalista Felícia Cabrita, no site do "Sol", pouco passava da hora da detenção, que Sócrates (entre outros crimes graves) acumulou 20 milhões de euros ilícitos enquanto era primeiro-ministro. Alta corrupção no cargo. Milhões colocados numa conta secreta na Suíça. Uma acusação brutal que é dada como certa. Descrita como transitada em julgado. Base factual? Fontes? Cuidado no balanço das fontes, argumentos e contra-argumentos? Enunciado mínimo dos cuidados deontológicos de checking e fact-checking? Nada. Apenas "o Sol apurou junto de investigadores". O "Sol" não tem editores. Tem denúncias. Violações de segredo de Justiça. Certezas. E comenta a notícia chamando "trituradora" de dinheiro aos bolsos de Sócrates. Inacreditável.
5) Verificamos apenas, num estilo canhestro a que a biógrafa de Passos Coelho nos habituou (caso Casa Pia, entre outros) que a notícia sai como confirmada e sustentada. Se o Watergate tivesse sido assim conduzido, Nixon teria ido preso antes de se saber se era culpado ou inocente. No jornalismo, como na justiça, há um processo e uma ética. Não neste jornalismo.

6) Neste momento, não sei nem posso saber se Sócrates é inocente ou culpado. Até prova em contrário é inocente. In dubio pro reo. A base de todo o Direito Penal.

7) Espero pelo processo e exijo, como cidadã, que seja cumprido à risca. Não foi, até agora. Nem neste caso nem noutros. Isto assusta-me. Como me assustou no caso Casa Pia. Esta Justiça de terceiro mundo aterroriza-me. Isto não acontece num país civilizado com jornais civilizados. Isto levanta-me suspeitas legítimas sobre o processo e a Justiça, e neste caso, dada a gravidade e ataque ao regime que ele representa, a Justiça ou age perfeitamente ou não é Justiça.
 
8) Verifico a coincidência temporal com o Congresso do PS. Verifico apenas. Não suspeito. Aponto. E recordo que há pouco tempo um rumor semelhante, detenção no aeroporto à chegada de Paris, correu numa festa de embaixada onde eu estava presente. Uma história igual. Por alturas da suspeita de envolvimento de José Sócrates no caso Monte Branco. Aponto a coincidência. Há um comunicado da Procuradoria a negar a ligação deste caso ao caso Monte Branco. A Justiça desmente as suas violações do segredo de Justiça. Aponto.

9) E não, repito, não gosto de José Sócrates. Nem desgosto. Sou indiferente à personagem e, penso, a personagem não tem por mim a menor simpatia depois da entrevista que lhe fiz no Expresso há um ano. Não nos cumprimentamos. Não sou amiga nem admiradora. É bizarro ter de fazer este ponto deslocado e sentimental mas sei donde e como partem as acusações de "socratismo" em Portugal.
10) As minhas dúvidas são as de uma cidadã que leu com atenção os livros de Direito. E que, por isso mesmo, acha que a única coisa que a Justiça tem a fazer é dar uma conferência de imprensa onde todos, jornalistas, possamos estar presentes e fazer as perguntas em vez de deixar escorregar acusações não provadas para o "Correio da Manhã" e o "Sol". E quejandos. Não confio nestes tabloides para me informarem. Exijo uma conferência de imprensa. Tenho esse direito. Vivo num Estado de Direito.

11) Há em Portugal bom jornalismo. Compete-lhe impedir que, mais uma vez, as nossas liberdades sejam atropeladas pelo mau jornalismo e a manipulação política.

12) Vou seguir este processo com atenção. Muita. Ou ele é perfeito, repito, ou é a Justiça que se afundará definitivamente no justicialismo. Na vingança. No abuso de poder. Na proteção própria. O teste é maior para a Justiça porque é o teste do regime democrático. E este é mais importante que os crimes atribuídos a quem quer que seja. Não quero que um dia, como no poema falsamente atribuído a Brecht, venham por mim e não haja ninguém para falar por mim.

A minha liberdade, a liberdade dos portugueses, é mais importante que o descrédito da Justiça. A Justiça reforma-se. A liberdade perde-se. E com ela a democracia.

domingo, 23 de Novembro de 2014

Dos fracos não reza a história. Hoje na Praia Grande. Sintra um corajoso desafiou o frio e a chuva e passeou no rebentar das ondas com varios mergulhos

Agradecimento ao nosso fotografo Carlos Santos pelo interesse que tem pelo Bancada Directa

Deus queira que o escaravelho que anda por aí a dizimar as palmeiras não se lembre de destruir as estruturas de cupula do Partido Socialista. Tudo por causa das virtudes negociais de José Socrates. Vamos a ver se o PS sai fragilizado ou robustecido para as Legislativas de 2015

Pois é! O mesmo aspecto de terramoto destruidor que se observa nas palmeiras parece que se está a estender ao Partido Socialista
Estrada Sintra/Ericeira (em frente ao cruzamento da
Godigana)
Estrada Sintra/Ericeira ( Localidade de Santa Susana)
Estrada Ericeira/Mafra (localidade do Seixal)
Estrada das Azenhas do Mar para Fontanelas
E o trabalhão que dá para alagar as palmeiras já mortas? Em São Vicente do Paúl os meus familiares gastaram 400 euros para alagar 3 árvores.

As fotos das palmeiras são do Bancada Directa e foram obtidas ontem, Sabado, pelo nosso amigo Carlos Santos, que teve a amabilidade de enviá-las para o nosso blogue 

sábado, 22 de Novembro de 2014

Enquanto o pau vai e vem folgam as costas. Enquanto José Socrates arranja justificações e donde veio a pipa de massa gasta no aluguer da casa em Paris, a gente delicia-se com o Rancho Folclorico de Vila Verde na sua "chula de ir à frente"


O fim de um jogo democratico. O Partido Socialista tem agora um grande desafio para se definir, e se saber, se rompe com o passado. No Aeroporto de Lisboa, à chegada a Lisboa vindo de Paris, José Sócrates foi detido para ser testemunha em interrogatório

SÓCRATES DETIDO PARA INTERROGATÓRIO DEVIDO À CASA DE PARIS

Procuradoria-Geral da República já confirmou a detenção do antigo primeiro-ministro, que vai ser ouvido este sábado pelo juiz de instrução criminal.

Em causa está um processo de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

Vamos aguardar por o que se vai passar após o interrogatório

Obrigado Pela Sua Visita !